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A microbiota do bago de uva - abordagens moleculares para compreender a contribuição da cultivar na sua diversidade

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Resumo:A superfície do bago de uva é colonizada por uma comunidade microbiana complexa, incluindo bactérias, leveduras e fungos filamentosos que condicionam a qualidade do fruto e do vinho e cuja diversidade e dinâmica são fortemente influenciadas pela localização geográfica da vinha, pelos tratamentos fitossanitários e por vários fatores edafoclimáticos. No entanto, a origem da microbiota e a forma como a composição química do fruto afeta a sua diversidade são temas de investigação relevantes com implicações importantes na biotecnologia dos vinhos. Deste modo, o principal objetivo do presente trabalho consistiu em compreender a interação entre a composição química do bago de uva e a sua comunidade microbiana, nas cultivares Sousão, Touriga Nacional e Viosinho da região DOC Douro, visando avaliar a contribuição da cultivar para a microbiota superficial do fruto. Duas metodologias complementares de identificação e caracterização da microbiota dos bagos de uva foram utilizadas, a primeira dependente de cultura baseada na sequenciação de Sanger e a segunda independente de cultura baseada na análise de NGS metabarcoding. Dezasseis espécies de levedura foram identificadas através do método dependente de cultura em meio diferencial WL o que permitiu construir um catálogo. Aureobasidium pullulans, Curvibasidium pallidicorallinum, Filobasidium wieringae, Hanseniaspora uvarum, Holtermanniella festucosa e Sporobolomyces roseus foram encontradas nas 3 cultivares. Através do método de NGS metabarcoding foram identificadas 380 OTUs de fungos e 390 de bactérias, das quais 47% e 34%, respetivamente, foram detetadas em todas as cultivares, podendo refletir o núcleo microbiano da vinha. De acordo com os índices de Chao1 e Shannon, verificou-se ainda que a diversidade alfa foi superior em Viosinho, seguido de Sousão e Touriga Nacional, mostrando que Viosinho é a cultivar com maior biodiversidade de espécies, destacando-se Ascomycota, Proteobacteria e Actinobacteria como os filos mais abundantes. Da análise PCA entre a microbiota e os parâmetros bioquímicos do bago de uva, foi possível associar os níveis de acidez titulável e pH com a expressão dos filos raros Armatimonadota, Chytridiomycota, Mortierellomycota e Chloroflexi. Para os filos mais abundantes Proteobacteria, Ascomycota e Basidiomycota não se observou uma relação direta com os parâmetros bioquímicos, sugerindo que outros fatores específicos de cada cultivar poderão determinar as proporções dos diferentes taxa. O presente trabalho desenvolveu-se no âmbito do projeto FCT GrapeMicrobiota (PTDC/BAA-AGR/2691/2020) que prevê também estudos de metabolómica que permitirão obter uma descrição mais detalhada da contribuição da composição do bago para a estrutura das comunidades microbianas.
Autores principais:Moreira, Carolina Silva
Assunto:Bago de uva Diversidade alfa Leveduras cultiváveis Metabarcoding Vitis vinifera Alpha diversity Cultivable yeasts Grape berry Metabarcoding Ciências Naturais::Ciências Biológicas
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A superfície do bago de uva é colonizada por uma comunidade microbiana complexa, incluindo bactérias, leveduras e fungos filamentosos que condicionam a qualidade do fruto e do vinho e cuja diversidade e dinâmica são fortemente influenciadas pela localização geográfica da vinha, pelos tratamentos fitossanitários e por vários fatores edafoclimáticos. No entanto, a origem da microbiota e a forma como a composição química do fruto afeta a sua diversidade são temas de investigação relevantes com implicações importantes na biotecnologia dos vinhos. Deste modo, o principal objetivo do presente trabalho consistiu em compreender a interação entre a composição química do bago de uva e a sua comunidade microbiana, nas cultivares Sousão, Touriga Nacional e Viosinho da região DOC Douro, visando avaliar a contribuição da cultivar para a microbiota superficial do fruto. Duas metodologias complementares de identificação e caracterização da microbiota dos bagos de uva foram utilizadas, a primeira dependente de cultura baseada na sequenciação de Sanger e a segunda independente de cultura baseada na análise de NGS metabarcoding. Dezasseis espécies de levedura foram identificadas através do método dependente de cultura em meio diferencial WL o que permitiu construir um catálogo. Aureobasidium pullulans, Curvibasidium pallidicorallinum, Filobasidium wieringae, Hanseniaspora uvarum, Holtermanniella festucosa e Sporobolomyces roseus foram encontradas nas 3 cultivares. Através do método de NGS metabarcoding foram identificadas 380 OTUs de fungos e 390 de bactérias, das quais 47% e 34%, respetivamente, foram detetadas em todas as cultivares, podendo refletir o núcleo microbiano da vinha. De acordo com os índices de Chao1 e Shannon, verificou-se ainda que a diversidade alfa foi superior em Viosinho, seguido de Sousão e Touriga Nacional, mostrando que Viosinho é a cultivar com maior biodiversidade de espécies, destacando-se Ascomycota, Proteobacteria e Actinobacteria como os filos mais abundantes. Da análise PCA entre a microbiota e os parâmetros bioquímicos do bago de uva, foi possível associar os níveis de acidez titulável e pH com a expressão dos filos raros Armatimonadota, Chytridiomycota, Mortierellomycota e Chloroflexi. Para os filos mais abundantes Proteobacteria, Ascomycota e Basidiomycota não se observou uma relação direta com os parâmetros bioquímicos, sugerindo que outros fatores específicos de cada cultivar poderão determinar as proporções dos diferentes taxa. O presente trabalho desenvolveu-se no âmbito do projeto FCT GrapeMicrobiota (PTDC/BAA-AGR/2691/2020) que prevê também estudos de metabolómica que permitirão obter uma descrição mais detalhada da contribuição da composição do bago para a estrutura das comunidades microbianas.