Publicação
Gestão pedagógica intermédia: um estudo de caso sobre a ação do coordenador de estabelecimento de educação pré-escolar num agrupamento do norte de Portugal
| Resumo: | A escola, enquanto organização, é uma realidade complexa construída num quadro de constantes mudanças, desafios e constrangimentos. Nas últimas décadas, o modelo de administração e gestão das escolas foi sendo reconstruído através de alterações no quadro normativo-legal que definiu órgãos e estruturas de gestão, entre elas a de Coordenador de Estabelecimento. O Artigo n.º 40 do Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de abril, estabelece a nomeação de um docente para a função de Coordenador de Estabelecimento. A integração da Educação Pré-Escolar nos agrupamentos de escola introduziu uma nova realidade organizacional neste nível de educação. Cada escola com salas de Educação Pré-escolar e com mais de cem alunos é liderada por um Coordenador de Estabelecimento com a missão de coordenar as atividades pedagógicas e ser um elo de ligação entre a Direção e a comunidade educativa. O presente estudo visa esclarecer como é assumida a função do Coordenador de Estabelecimento de Educação Pré-Escolar no contexto de um agrupamento de escolas e questionar se, no exercício das suas funções, existe espaço para a prática de uma autonomia democrática. Para esse efeito, desenvolvemos um estudo de caso de cariz qualitativo que recorreu à realização de entrevistas semiestruturadas, nomeadamente, ao Diretor do agrupamento, à Subdiretora, a Coordenadoras de Estabelecimento, à Coordenadora de Departamento, a Educadoras de Infância e um representante da Associação de Pais, bem como à análise de documentos estruturantes do agrupamento e da legislação pertinente. A nossa investigação nos permitiu perceber que os Coordenadores de Estabelecimento são considerados “elos de ligação” entre os atores do agrupamento e que o conjunto de suas atribuições vai além do que está estipulado nos normativos-legais, principalmente pelo avolumar de atividades e de responsabilidades, e pelo fato de o tempo que lhes é formalmente atribuído ser insuficiente para a sua execução. Os Coordenadores de Estabelecimento demonstraram insatisfação em ter que priorizar os aspectos administrativos em relação à docência. O desempenho do cargo oscila entre práticas que ilustram autonomia decretada e de autonomia adquirida. A prática de autonomia adquirida depende de características pessoais, de competências de relacionamento social e de resolução de conflitos, da experiência profissional dos Coordenadores de Estabelecimento e do tempo de trabalho no agrupamento. |
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| Autores principais: | Bezerra, Maiza Costa |
| Assunto: | Autonomia Coordenador de estabelecimento Educação pré-escolar Gestão intermédia Liderança Autonomy Establishment coordinator Pre-school education Intermediate management Leadership Ciências Sociais |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A escola, enquanto organização, é uma realidade complexa construída num quadro de constantes mudanças, desafios e constrangimentos. Nas últimas décadas, o modelo de administração e gestão das escolas foi sendo reconstruído através de alterações no quadro normativo-legal que definiu órgãos e estruturas de gestão, entre elas a de Coordenador de Estabelecimento. O Artigo n.º 40 do Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de abril, estabelece a nomeação de um docente para a função de Coordenador de Estabelecimento. A integração da Educação Pré-Escolar nos agrupamentos de escola introduziu uma nova realidade organizacional neste nível de educação. Cada escola com salas de Educação Pré-escolar e com mais de cem alunos é liderada por um Coordenador de Estabelecimento com a missão de coordenar as atividades pedagógicas e ser um elo de ligação entre a Direção e a comunidade educativa. O presente estudo visa esclarecer como é assumida a função do Coordenador de Estabelecimento de Educação Pré-Escolar no contexto de um agrupamento de escolas e questionar se, no exercício das suas funções, existe espaço para a prática de uma autonomia democrática. Para esse efeito, desenvolvemos um estudo de caso de cariz qualitativo que recorreu à realização de entrevistas semiestruturadas, nomeadamente, ao Diretor do agrupamento, à Subdiretora, a Coordenadoras de Estabelecimento, à Coordenadora de Departamento, a Educadoras de Infância e um representante da Associação de Pais, bem como à análise de documentos estruturantes do agrupamento e da legislação pertinente. A nossa investigação nos permitiu perceber que os Coordenadores de Estabelecimento são considerados “elos de ligação” entre os atores do agrupamento e que o conjunto de suas atribuições vai além do que está estipulado nos normativos-legais, principalmente pelo avolumar de atividades e de responsabilidades, e pelo fato de o tempo que lhes é formalmente atribuído ser insuficiente para a sua execução. Os Coordenadores de Estabelecimento demonstraram insatisfação em ter que priorizar os aspectos administrativos em relação à docência. O desempenho do cargo oscila entre práticas que ilustram autonomia decretada e de autonomia adquirida. A prática de autonomia adquirida depende de características pessoais, de competências de relacionamento social e de resolução de conflitos, da experiência profissional dos Coordenadores de Estabelecimento e do tempo de trabalho no agrupamento. |
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