Publicação
A museologia de espaços industriais: o Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior
| Resumo: | Foi no período a seguir à II Guerra Mundial que se presenciou o desaparecimento de muitos vestígios da industrialização, fenómeno que se continuou a verificar na fase de reconstrução acelerada que se lhe seguiu. Face a esta rápida perda, gerou-se um movimento de valorização seguido de um processo de recuperação de espaços que foram outrora grandes centros industriais. Na década de cinquenta, como prova dessa consciencialização, começam a surgir referências de um novo conceito: a arqueologia industrial. A sua expansão, juntamente com a afirmação da noção de património industrial, acompanhou o processo de desindustrialização que vastas regiões sofreram. Na procura de se manterem vivas as memórias do passado e na busca de novas soluções, encontraram-se respostas na valorização do património industrial através da sua reutilização para os mais diversos fins, sendo um deles a musealização acompanhada da preservação do património in situ. O turismo cultural vem desempenhar um papel significante na medida em que atuou como acelerador deste processo, ajudando os museus a transformarem-se em instrumentos de desenvolvimento económico e revitalizando paisagens marcadas pela desindustrialização. Contudo, e devido à sua recente descoberta e disciplina, a complexidade dos vestígios materiais da industrialização exige critérios de gestão, proteção, conservação e restauro específicos, devendo os museus industriais estarem munidos das devidas ferramentas para atuarem sobre os seus objetos e coleções. A Covilhã assiste, nos anos oitenta do século XX, a uma profunda reconversão económica e social. Uma vez que o modelo económico da mono industrialização dos lanifícios se encontrava esgotado, iniciou-se uma luta pela sobrevivência que levou a uma mudança radical do paradigma do modelo histórico de desenvolvimento da cidade e concelho. O estabelecimento do ensino superior na cidade em 1973 constituiu uma alavanca de crescimento para a cidade através da recuperação de edifícios ligados às memórias do seu passado industrial. É neste contexto que a Universidade da Beira interior cria em 1986 o Museu de Lanifícios cujo primeiro núcleo viria a ser resultado de uma intervenção de recuperação e patrimonialização da área das tinturarias da Real Fábrica de Panos, uma manufatura setecentista fundada pelo Marquês de Pombal em 1764. A sua paisagem industrial e vasto património a ela ligada constituíram o melhor exemplo nacional para aprofundar esta temática, pretendendo-se com este trabalho acompanhar a transformação da “cidadefábrica” em cidade universitária e apresentar alguns dos princípios que lideraram a reconstrução da memórias industriais. Através de intervenções específicas realizadas durante o período de estágio no Museu de Lanifícios relacionadas com a gestão museológica dos seus bens, quis-se compreender quais as ferramentas museológicas de que este se encontra munido para o cuidado da sua coleção industrial. Dessa forma, foi realizado um acompanhamento do processo de incorporação de bens museológicos e sua gestão, praticados nesta instituição, a fim de o enquadrar no panorama museológico industrial atual. |
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| Autores principais: | Rocha, Tatiana Raquel de Jesus |
| Assunto: | Património industrial Paisagem cultural Museologia industrial Turismo de património industrial Coleções industriais Covilhã Universidade da Beira Interior Museu de lanifícios Gestão de bens museológicos Industrial heritage Cultural landscape Industrial museology Industrial heritage tourism Industrial collections University of Beira Interior Wool museum Management of museum goods |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Foi no período a seguir à II Guerra Mundial que se presenciou o desaparecimento de muitos vestígios da industrialização, fenómeno que se continuou a verificar na fase de reconstrução acelerada que se lhe seguiu. Face a esta rápida perda, gerou-se um movimento de valorização seguido de um processo de recuperação de espaços que foram outrora grandes centros industriais. Na década de cinquenta, como prova dessa consciencialização, começam a surgir referências de um novo conceito: a arqueologia industrial. A sua expansão, juntamente com a afirmação da noção de património industrial, acompanhou o processo de desindustrialização que vastas regiões sofreram. Na procura de se manterem vivas as memórias do passado e na busca de novas soluções, encontraram-se respostas na valorização do património industrial através da sua reutilização para os mais diversos fins, sendo um deles a musealização acompanhada da preservação do património in situ. O turismo cultural vem desempenhar um papel significante na medida em que atuou como acelerador deste processo, ajudando os museus a transformarem-se em instrumentos de desenvolvimento económico e revitalizando paisagens marcadas pela desindustrialização. Contudo, e devido à sua recente descoberta e disciplina, a complexidade dos vestígios materiais da industrialização exige critérios de gestão, proteção, conservação e restauro específicos, devendo os museus industriais estarem munidos das devidas ferramentas para atuarem sobre os seus objetos e coleções. A Covilhã assiste, nos anos oitenta do século XX, a uma profunda reconversão económica e social. Uma vez que o modelo económico da mono industrialização dos lanifícios se encontrava esgotado, iniciou-se uma luta pela sobrevivência que levou a uma mudança radical do paradigma do modelo histórico de desenvolvimento da cidade e concelho. O estabelecimento do ensino superior na cidade em 1973 constituiu uma alavanca de crescimento para a cidade através da recuperação de edifícios ligados às memórias do seu passado industrial. É neste contexto que a Universidade da Beira interior cria em 1986 o Museu de Lanifícios cujo primeiro núcleo viria a ser resultado de uma intervenção de recuperação e patrimonialização da área das tinturarias da Real Fábrica de Panos, uma manufatura setecentista fundada pelo Marquês de Pombal em 1764. A sua paisagem industrial e vasto património a ela ligada constituíram o melhor exemplo nacional para aprofundar esta temática, pretendendo-se com este trabalho acompanhar a transformação da “cidadefábrica” em cidade universitária e apresentar alguns dos princípios que lideraram a reconstrução da memórias industriais. Através de intervenções específicas realizadas durante o período de estágio no Museu de Lanifícios relacionadas com a gestão museológica dos seus bens, quis-se compreender quais as ferramentas museológicas de que este se encontra munido para o cuidado da sua coleção industrial. Dessa forma, foi realizado um acompanhamento do processo de incorporação de bens museológicos e sua gestão, praticados nesta instituição, a fim de o enquadrar no panorama museológico industrial atual. |
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