Publicação
“Somos as pessoas que temos de escolher, não são as outras pessoas que escolhem por nós.” Infância e cenários de participação pública: uma análise sociológica dos modos de codecisão das crianças na escola e na cidade
| Resumo: | A presente tese constitui uma análise sociológica da participação de crianças e jovens em contextos públicos de codecisão, mobilizada a partir das discussões atuais sobre a cidadania das crianças no quadro da Sociologia da Infância. Parte da consideração sobre as alterações paradigmáticas no conceito de cidadania que discutem as suas redefinições à luz de novas dimensões que ultrapassam os seus elementos mais tradicionais, como direitos/deveres, território, nacionalidade, responsabilidade, para as reposicionar nas dinâmicas de inclusão e exclusão de um estatuto pleno de cidadania, a par com a adoção de novas perspetivas sobre a Infância. Introduz-se, aqui, a possibilidade teórica da cidadania infantil. Os elementos de pertença, de direitos e de participaçãodas crianças no espaço público serão fulcrais, atendendo-se à natureza situada, multidimensional e ambígua das oportunidades que para esse efeito são criadas. A cidadania infantil analisa-se a partir da perspetiva de complexidade e hibridismo dos fenómenos sociais, atendendo-se às múltiplas especificidades que se colocam tratando-se de crianças, observando-se os limites e constrangimentos a um estatuto que pode ser visto a partir de uma lógica de “ambiguidade estatutária”. Esta tese pretende, por isso, englobar análises contemporâneas no quadro da cidadania e da participação política, “ousando” a consideração das crianças como elementos ativos e participativos dos contextos de vida no espaço público. A escola e a cidade, enquanto elementos estruturantes de oportunidades de vida e de participação em processos de envolvimento e de participação política de crianças e jovens, são o seu foco central. A partir de diferentes atividades de investigação realizadas com as crianças nesses contextos um conjunto de linhas de discussão poderão traçar-se, nomeadamente as que possam desconstruir ideias mais ou menos “romantizadas” sobre a sua participação, sobre o modo como os adultos a entendem e proporcionam essas mesmas oportunidades e, no limite, sobre o lugar que ocupam na sociedade vista de modo mais abrangente. A partir de metodologias de caráter qualitativo e adotando uma perspetiva interpretativa e de orientação etnográfica, e em dois contextos de investigação – a cidade de Aveiro e o projeto das Cidades Amigas das crianças e uma EB 1º ciclo situada no Norte do País – delimitaram-se episódios e narrativas de investigação com crianças e jovens sobre a sua participação nos dois espaços. A partir destes episódios e narrativas, é possível compreender os modos pelos quais as crianças são envolvidas em processos de codecisão e de que modo estes são construídos, as suas perceções sobre os impactos e limitações e sobre os modos como desejariam que esta acontecesse. A partir dos dados de pesquisa, é possível considerar que a cidadania infantil se produz num estatuto ambíguo, fragmentário e fortemente dependente de condições estruturais que com elas são ou não criados de modo a favorecê-la e/ou constrangê-la. |
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| Autores principais: | Trevisan, Gabriela |
| Assunto: | Cidadania Cidadania infantil Sociologia da infância Participação política Crianças Cidadania fragmentária Citizenship Children’s citizenship Sociology of childhood Political participation Children Fragmentary citizenship Citoyenneté Citoyenneté des enfants Sociologie de l’enfance Participation politique Enfants Citoyenneté fragmentaire |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A presente tese constitui uma análise sociológica da participação de crianças e jovens em contextos públicos de codecisão, mobilizada a partir das discussões atuais sobre a cidadania das crianças no quadro da Sociologia da Infância. Parte da consideração sobre as alterações paradigmáticas no conceito de cidadania que discutem as suas redefinições à luz de novas dimensões que ultrapassam os seus elementos mais tradicionais, como direitos/deveres, território, nacionalidade, responsabilidade, para as reposicionar nas dinâmicas de inclusão e exclusão de um estatuto pleno de cidadania, a par com a adoção de novas perspetivas sobre a Infância. Introduz-se, aqui, a possibilidade teórica da cidadania infantil. Os elementos de pertença, de direitos e de participaçãodas crianças no espaço público serão fulcrais, atendendo-se à natureza situada, multidimensional e ambígua das oportunidades que para esse efeito são criadas. A cidadania infantil analisa-se a partir da perspetiva de complexidade e hibridismo dos fenómenos sociais, atendendo-se às múltiplas especificidades que se colocam tratando-se de crianças, observando-se os limites e constrangimentos a um estatuto que pode ser visto a partir de uma lógica de “ambiguidade estatutária”. Esta tese pretende, por isso, englobar análises contemporâneas no quadro da cidadania e da participação política, “ousando” a consideração das crianças como elementos ativos e participativos dos contextos de vida no espaço público. A escola e a cidade, enquanto elementos estruturantes de oportunidades de vida e de participação em processos de envolvimento e de participação política de crianças e jovens, são o seu foco central. A partir de diferentes atividades de investigação realizadas com as crianças nesses contextos um conjunto de linhas de discussão poderão traçar-se, nomeadamente as que possam desconstruir ideias mais ou menos “romantizadas” sobre a sua participação, sobre o modo como os adultos a entendem e proporcionam essas mesmas oportunidades e, no limite, sobre o lugar que ocupam na sociedade vista de modo mais abrangente. A partir de metodologias de caráter qualitativo e adotando uma perspetiva interpretativa e de orientação etnográfica, e em dois contextos de investigação – a cidade de Aveiro e o projeto das Cidades Amigas das crianças e uma EB 1º ciclo situada no Norte do País – delimitaram-se episódios e narrativas de investigação com crianças e jovens sobre a sua participação nos dois espaços. A partir destes episódios e narrativas, é possível compreender os modos pelos quais as crianças são envolvidas em processos de codecisão e de que modo estes são construídos, as suas perceções sobre os impactos e limitações e sobre os modos como desejariam que esta acontecesse. A partir dos dados de pesquisa, é possível considerar que a cidadania infantil se produz num estatuto ambíguo, fragmentário e fortemente dependente de condições estruturais que com elas são ou não criados de modo a favorecê-la e/ou constrangê-la. |
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