Publicação

Mulheres trans: trajetos de vida, estigma e luta como trabalhadoras sexuais no norte de Portugal

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Numa sociedade onde o sexo mercantil é olhado com preconceito, estigma e a uma certa distância, os trabalhadores sexuais assumem-se cada vez mais como profissionais, percecionando a prostituição como um trabalho. Contudo, em Portugal, legalmente, o trabalho sexual ainda não é reconhecido como atividade laboral. Socialmente, acontece o mesmo, embora sejam cada vez mais numerosas as vozes que exigem o seu reconhecimento como trabalho. No contexto social e pandémico em que se insere, este estudo propõe compreender como os indivíduos atuam e interagem no campo do trabalho sexual de pessoas trans1 . Deste modo, pretende-se compreender como se constrói a sua identidade de género, qual é a sua relação com o seu corpo e com as transformações físicas que realizaram/desejam realizar. Como encaram a sua realidade social? Como são as suas relações interpessoais com familiares, amigos, pares e no campo do trabalho sexual? Como se dá a sua entrada no campo do trabalho sexual e quais as suas motivações e finalidades? A par disto, numa realidade em que são conhecidos problemas de saúde pública, nomeadamente doenças transmissíveis por via sexual, junta-se agora um outro vírus de fácil e rápida propagação. Como se adaptaram os trabalhadores sexuais trans à pandemia de COVID-19 e seus constrangimentos? A metodologia utilizada foi de tipo qualitativo, considerando que o problema de investigação incide sobre como os indivíduos tomam decisões e as significações que constroem. Como técnica de recolha de dados, contribuiu para esta pesquisa principalmente o trabalho etnográfico, ainda que de forma intermitente, em cidades dos distritos de Braga e do Porto. Este estudo expõe a dupla estigmatização de que as mulheres trans trabalhadoras sexuais são alvo, uma vez que desempenham um trabalho com uma representação social negativa, desafiando o modelo cisheteronormativo e binário. Para além disso, os seus corpos são instrumentos de construção da identidade pessoal, sendo que o campo do trabalho sexual, para além das suas finalidades, funciona ainda como um campo de empoderamento e reafirmação identitária.
Autores principais:Silva, Diana Isabel Pereira
Assunto:Construção identitária Género Mulheres trans Pandemia Trabalho sexual Identity construction Genre Trans women Pandemic Sex work
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Numa sociedade onde o sexo mercantil é olhado com preconceito, estigma e a uma certa distância, os trabalhadores sexuais assumem-se cada vez mais como profissionais, percecionando a prostituição como um trabalho. Contudo, em Portugal, legalmente, o trabalho sexual ainda não é reconhecido como atividade laboral. Socialmente, acontece o mesmo, embora sejam cada vez mais numerosas as vozes que exigem o seu reconhecimento como trabalho. No contexto social e pandémico em que se insere, este estudo propõe compreender como os indivíduos atuam e interagem no campo do trabalho sexual de pessoas trans1 . Deste modo, pretende-se compreender como se constrói a sua identidade de género, qual é a sua relação com o seu corpo e com as transformações físicas que realizaram/desejam realizar. Como encaram a sua realidade social? Como são as suas relações interpessoais com familiares, amigos, pares e no campo do trabalho sexual? Como se dá a sua entrada no campo do trabalho sexual e quais as suas motivações e finalidades? A par disto, numa realidade em que são conhecidos problemas de saúde pública, nomeadamente doenças transmissíveis por via sexual, junta-se agora um outro vírus de fácil e rápida propagação. Como se adaptaram os trabalhadores sexuais trans à pandemia de COVID-19 e seus constrangimentos? A metodologia utilizada foi de tipo qualitativo, considerando que o problema de investigação incide sobre como os indivíduos tomam decisões e as significações que constroem. Como técnica de recolha de dados, contribuiu para esta pesquisa principalmente o trabalho etnográfico, ainda que de forma intermitente, em cidades dos distritos de Braga e do Porto. Este estudo expõe a dupla estigmatização de que as mulheres trans trabalhadoras sexuais são alvo, uma vez que desempenham um trabalho com uma representação social negativa, desafiando o modelo cisheteronormativo e binário. Para além disso, os seus corpos são instrumentos de construção da identidade pessoal, sendo que o campo do trabalho sexual, para além das suas finalidades, funciona ainda como um campo de empoderamento e reafirmação identitária.