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Quantificação e caracterização de microplásticos em sedimentos dos rios Ave e Selho, no concelho de Guimarães

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Os resíduos plásticos são dos poluentes mais presentes em ambientes aquáticos e têm dimensões desde os metros até aos nanómetros. Os plásticos apresentam uma grande durabilidade e, estando presentes nos corpos de água podem-se acumular nos sedimentos afetando os ecossistemas de água doce. São igualmente capazes de afetar a saúde de organismos, incluindo humanos. Este estudo pretendeu quantificar e caracterizar quanto à composição os microplásticos de sedimentos dos rios Ave e Selho, no concelho de Guimarães, bem como identificar possíveis fontes de contaminação. Para tal, foram recolhidos sedimentos dos rios Ave e Selho dos quais foram extraídos microplásticos. Foram feitas correlações individuais com parâmetros físico-químicos para identificar os fatores que influenciam a abundância destas partículas. Da mesma forma foram utilizadas outras ferramentas, nomeadamente a regressão linear múltipla, método Stepwise, e a rede neural artificial. Foram confirmadas as hipóteses de que a abundância de microplásticos aumenta de montante para jusante e que o polietileno é o composto mais abundante no sedimento destes rios. Os fatores mais influentes na abundância foram a temperatura da água e o QBR. Aliando a temperatura da água à maior deposição de sedimento fino nos locais com mais microplásticos extrapola-se que a acumulação destes no sedimento está associada à velocidade da corrente. A relação dos microplásticos com a qualidade ribeirinha, densidade populacional, alteração do canal, uso do solo suporta a hipótese da ligação dos microplásticos à atividade humana e às variáveis ambientais. Também a condutividade elétrica, oxigénio dissolvido, compostos azotados, alcalinidade exibiram um vínculo a estas partículas permitindo intitulá-las como microplásticos primários. Outra conexão foi com o número de macroplásticos nas margens do rio, talvez devido à degradação destes pelo oxigénio, validando a hipótese de que os microplásticos presentes nos rios tanto são primários como secundários. Como tal, conclui-se que a abundância de microplásticos no sedimento aumenta ao longo do rio, e depende tanto de fatores antropogénicos como das características dos rios abrindo caminho a mais investigação sobre de que forma estas partículas chegam aos rios, como afetam os ecossistemas fluviais e que medidas podem ser tomadas na prevenção desta contaminação.
Autores principais:Ribeiro, Diogo Lemos
Assunto:Água doce Fatores antropogénicos Microplásticos Sedimento Variáveis ambientais Anthropogenic factors Environmental variables Freshwater Microplastics Sediment
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Os resíduos plásticos são dos poluentes mais presentes em ambientes aquáticos e têm dimensões desde os metros até aos nanómetros. Os plásticos apresentam uma grande durabilidade e, estando presentes nos corpos de água podem-se acumular nos sedimentos afetando os ecossistemas de água doce. São igualmente capazes de afetar a saúde de organismos, incluindo humanos. Este estudo pretendeu quantificar e caracterizar quanto à composição os microplásticos de sedimentos dos rios Ave e Selho, no concelho de Guimarães, bem como identificar possíveis fontes de contaminação. Para tal, foram recolhidos sedimentos dos rios Ave e Selho dos quais foram extraídos microplásticos. Foram feitas correlações individuais com parâmetros físico-químicos para identificar os fatores que influenciam a abundância destas partículas. Da mesma forma foram utilizadas outras ferramentas, nomeadamente a regressão linear múltipla, método Stepwise, e a rede neural artificial. Foram confirmadas as hipóteses de que a abundância de microplásticos aumenta de montante para jusante e que o polietileno é o composto mais abundante no sedimento destes rios. Os fatores mais influentes na abundância foram a temperatura da água e o QBR. Aliando a temperatura da água à maior deposição de sedimento fino nos locais com mais microplásticos extrapola-se que a acumulação destes no sedimento está associada à velocidade da corrente. A relação dos microplásticos com a qualidade ribeirinha, densidade populacional, alteração do canal, uso do solo suporta a hipótese da ligação dos microplásticos à atividade humana e às variáveis ambientais. Também a condutividade elétrica, oxigénio dissolvido, compostos azotados, alcalinidade exibiram um vínculo a estas partículas permitindo intitulá-las como microplásticos primários. Outra conexão foi com o número de macroplásticos nas margens do rio, talvez devido à degradação destes pelo oxigénio, validando a hipótese de que os microplásticos presentes nos rios tanto são primários como secundários. Como tal, conclui-se que a abundância de microplásticos no sedimento aumenta ao longo do rio, e depende tanto de fatores antropogénicos como das características dos rios abrindo caminho a mais investigação sobre de que forma estas partículas chegam aos rios, como afetam os ecossistemas fluviais e que medidas podem ser tomadas na prevenção desta contaminação.