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A memória persistente: a fábrica Sampaio, Ferreira & Cia em Riba d'Ave: memória, história e patrimônio industrial

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A fábrica Sampaio, Ferreira & Cia. em Riba d’Ave é um caso exemplar dos efeitos da desindustrialização na bacia hidrográfica do rio Ave. Após um período de decadência, a empresa decretou falência e desse processo resultou o abandono, a degradação progressiva e o arruinamento de suas instalações que, paralelamente, passaram a ser ressignificadas como patrimônio industrial da região. Esta investigação identificou que o discurso sobre o qual se estruturou a patrimonialização teve como fundamento narrativas memoriais hegemônicas sobre seu fundador, Narciso Ferreira, e sobre a própria Sampaio, Ferreira & Cia. e seus papéis na industrialização da Bacia do Ave; que ressaltavam perspectivas positivas e esqueceram ativamente aspectos negativos ou divergentes. A análise da Sampaio, Ferreira & Cia. estruturou-se sobre uma perspectiva de longa duração (1896-2019); sobre uma análise sistemática de diferentes documentos (textos, iconografia e cultura material); e sobre uma metodologia centrada na História, mas com uma abordagem interdisciplinar, como proposta pela Arqueologia Industrial. A investigação parte de uma problemática do presente, o abandono e arruinamento do complexo fabril e sua patrimonialização, para mostrar como estas narrativas memoriais hegemônicas se estruturaram; quais as múltiplas manifestações; como elas foram usadas; e de que modo se relacionam com a própria trajetória da cultura material edificada da fábrica. A investigação mostra que as diferentes manifestações assumidas pelas narrativas memoriais hegemônicas ao longo do tempo contribuíram para perpetuar as memórias dominantes e funcionaram como instrumentos de fortalecimento político e social, mesmo que, por vezes, apenas simbolicamente. Essa memória persistente capacitou a sociedade a reconhecer a Sampaio, Ferreira & Cia., e outras edificações relacionadas à fábrica e a Narciso Ferreira e seus herdeiros em Riba d'Ave, como símbolos dos valores a eles associados. Desta forma, mesmo após o fim da atividade produtiva e o posterior abandono e arruinamento da fábrica, as narrativas hegemônicas foram adequadas à nova realidade e apresentadas como discursos patrimoniais.
Autores principais:Pozzer, Guilherme Pinheiro
Assunto:Desindustrialização da Bacia do Ave Memória e narrativas memoriais Patrimônio Industrial Riba d’Ave (Portugal) Sampaio, Ferreira & Cia Vale do Ave (Portugal) deindustrialization Memory and memory narratives Industrial Heritage Humanidades::História e Arqueologia
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A fábrica Sampaio, Ferreira & Cia. em Riba d’Ave é um caso exemplar dos efeitos da desindustrialização na bacia hidrográfica do rio Ave. Após um período de decadência, a empresa decretou falência e desse processo resultou o abandono, a degradação progressiva e o arruinamento de suas instalações que, paralelamente, passaram a ser ressignificadas como patrimônio industrial da região. Esta investigação identificou que o discurso sobre o qual se estruturou a patrimonialização teve como fundamento narrativas memoriais hegemônicas sobre seu fundador, Narciso Ferreira, e sobre a própria Sampaio, Ferreira & Cia. e seus papéis na industrialização da Bacia do Ave; que ressaltavam perspectivas positivas e esqueceram ativamente aspectos negativos ou divergentes. A análise da Sampaio, Ferreira & Cia. estruturou-se sobre uma perspectiva de longa duração (1896-2019); sobre uma análise sistemática de diferentes documentos (textos, iconografia e cultura material); e sobre uma metodologia centrada na História, mas com uma abordagem interdisciplinar, como proposta pela Arqueologia Industrial. A investigação parte de uma problemática do presente, o abandono e arruinamento do complexo fabril e sua patrimonialização, para mostrar como estas narrativas memoriais hegemônicas se estruturaram; quais as múltiplas manifestações; como elas foram usadas; e de que modo se relacionam com a própria trajetória da cultura material edificada da fábrica. A investigação mostra que as diferentes manifestações assumidas pelas narrativas memoriais hegemônicas ao longo do tempo contribuíram para perpetuar as memórias dominantes e funcionaram como instrumentos de fortalecimento político e social, mesmo que, por vezes, apenas simbolicamente. Essa memória persistente capacitou a sociedade a reconhecer a Sampaio, Ferreira & Cia., e outras edificações relacionadas à fábrica e a Narciso Ferreira e seus herdeiros em Riba d'Ave, como símbolos dos valores a eles associados. Desta forma, mesmo após o fim da atividade produtiva e o posterior abandono e arruinamento da fábrica, as narrativas hegemônicas foram adequadas à nova realidade e apresentadas como discursos patrimoniais.