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O futuro no presente: contributos do pensamento de Hans Jonas em educação para a saúde

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Resumo:As enormes conquistas científico-tecnológicas do século passado arrastam, neste novo século, a humanidade para um estado de dependência tecnocientífica. Este facto, envolto numa utópica concepção de progresso e associado a um capitalismo que o financia, levanta sérios problemas à concretização dos ideais de equidade, fraternidade e, até, de humanidade, defendidos em vários documentos internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, base das diversas Declarações da ONU sobre educação e saúde. Tornou-se, portanto, urgente, repensar e reposicionar a tecnologia, herdeira da ciência moderna, no contexto da vida humana, uma vez que ela, depois de ter tomado conta das acções, parece estar a contaminar o que o Homem tem de humano. Neste contexto, o pensamento de Hans Jonas sobre as potencialidades do agir humano e as consequências futuras que daí poderão advir, podem configurar uma poderosa base de reflexão sobre a humanidade presente e a construção da humanidade futura. Jonas propõe a necessidade de criação de uma nova ética orientada para o futuro e assente sob o princípio responsabilidade. Desta forma, perante a tecnolatrização e a secularização da sociedade, depreende-se do pensamento de Jonas, não a absolutização da autonomia mas o seu balizamento entre a dignidade e a responsabilidade, isto é, o nascimento do trinómio dignidade-autonomia-responsabilidade. O progresso tecnocientífico introduziu também alterações ao nível da saúde e, consequentemente na forma de educar para a saúde. A utilização acriticamente indiscriminada da tecnologia em saúde fez emergir novas preocupações neste campo, onde Jonas se apresenta como um autor da maior pertinência. Nesse sentido, este trabalho, que procurou articular o pensamento de Hans Jonas à educação para a saúde, abre portas em duas áreas: por um lado, a necessidade de uma educação para a saúde ao nível da emergente prevenção quaternária e, por outro, a necessidade de criação de uma quarta geração de modelos de educação para a saúde, dirigida para o futuro.
Autores principais:Feio, Ana Goreti Oliveira
Assunto:Educação Educação para a saúde Saúde Tecnociência Hans Jonas Ética Responsabilidade Dignidade Prevenção quaternária Education Health education Health Techno-science Ethics Responsibility Dignity Quaternary prevention
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:As enormes conquistas científico-tecnológicas do século passado arrastam, neste novo século, a humanidade para um estado de dependência tecnocientífica. Este facto, envolto numa utópica concepção de progresso e associado a um capitalismo que o financia, levanta sérios problemas à concretização dos ideais de equidade, fraternidade e, até, de humanidade, defendidos em vários documentos internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, base das diversas Declarações da ONU sobre educação e saúde. Tornou-se, portanto, urgente, repensar e reposicionar a tecnologia, herdeira da ciência moderna, no contexto da vida humana, uma vez que ela, depois de ter tomado conta das acções, parece estar a contaminar o que o Homem tem de humano. Neste contexto, o pensamento de Hans Jonas sobre as potencialidades do agir humano e as consequências futuras que daí poderão advir, podem configurar uma poderosa base de reflexão sobre a humanidade presente e a construção da humanidade futura. Jonas propõe a necessidade de criação de uma nova ética orientada para o futuro e assente sob o princípio responsabilidade. Desta forma, perante a tecnolatrização e a secularização da sociedade, depreende-se do pensamento de Jonas, não a absolutização da autonomia mas o seu balizamento entre a dignidade e a responsabilidade, isto é, o nascimento do trinómio dignidade-autonomia-responsabilidade. O progresso tecnocientífico introduziu também alterações ao nível da saúde e, consequentemente na forma de educar para a saúde. A utilização acriticamente indiscriminada da tecnologia em saúde fez emergir novas preocupações neste campo, onde Jonas se apresenta como um autor da maior pertinência. Nesse sentido, este trabalho, que procurou articular o pensamento de Hans Jonas à educação para a saúde, abre portas em duas áreas: por um lado, a necessidade de uma educação para a saúde ao nível da emergente prevenção quaternária e, por outro, a necessidade de criação de uma quarta geração de modelos de educação para a saúde, dirigida para o futuro.