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"Nada está por acaso nesta casa”: etnografia do design para o bem-estar de crianças com autismo

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Resumo:Um dos papéis do design é a busca de soluções para problemas sociais. Seguindo esta premissa, o objetivo geral deste estudo é perceber de que forma o design pode contribuir para promover o bem-estar de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no seu ambiente doméstico, através do estudo aprofundado de uma criança e sua família. As pessoas com autismo interpretam o espaço de forma singular e precisam que os estímulos sensoriais causados pelo ambiente estejam adequados à sua condição. Quando estes ambientes são interiores domésticos, ou seja, o seu Lar, estes revelam não só um espaço físico, mas também um ambiente repleto de valores e significados. Entende-se que a literatura dos últimos anos está voltada para pesquisas relacionadas com o ambiente construído para pessoas com TEA e, assim, evidencia novas perspetivas que podem colaborar para a prática de espaços mais inclusivos e coerentes para estes indivíduos. Também é sabido que o autismo é um espectro, abrangendo uma ampla variedade de características que diferem de pessoa para pessoa. Pede-se então uma metodologia sensível e capaz de tratar cada caso como um caso e foi esta noção que informou o desenho desta investigação. O caso de estudo tomou como base a habitação da criança com TEA e sua família. Aplicou-se uma metodologia de natureza exploratória e qualitativa, motivada pela busca de familiarizar se com o tema, reunindo informações sobre as relações existentes entre autismo e design de interiores doméstico. Integraram-se os procedimentos metodológicos de uma pesquisa de design etnográfico, privilegiando uma coleta de dados através de visitas in loco. Os resultados da análise do trabalho de campo mostraram que as normas técnicas, diretrizes e boas práticas de design na conceção de espaços são importantes e muitas das vezes podem ser adequadas à generalidade. Porém, há falta de uma "atitude positiva" e disponibilidade de designers para aplicar métodos participativos e etnográficos para que proponham soluções não só funcionais, mas sobretudo adaptadas às características de cada pessoa. Com isso, pôde-se concluir que ainda existe uma lacuna pouco explorada no que toca ao design de interiores em ambiente doméstico voltado para crianças com TEA e suas famílias. Assim, esta dissertação contribui para informar boas práticas de design para ambientes adequados, com segurança e conforto, e que sobretudo respeitem a privacidade, individualidade e necessidades de cada um.
Autores principais:Ramos, Emanuele Dutton
Assunto:Design de interiores TEA Ambiente doméstico Design para inclusão Família Interior design ASD Home environment Design for inclusion Family
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Um dos papéis do design é a busca de soluções para problemas sociais. Seguindo esta premissa, o objetivo geral deste estudo é perceber de que forma o design pode contribuir para promover o bem-estar de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no seu ambiente doméstico, através do estudo aprofundado de uma criança e sua família. As pessoas com autismo interpretam o espaço de forma singular e precisam que os estímulos sensoriais causados pelo ambiente estejam adequados à sua condição. Quando estes ambientes são interiores domésticos, ou seja, o seu Lar, estes revelam não só um espaço físico, mas também um ambiente repleto de valores e significados. Entende-se que a literatura dos últimos anos está voltada para pesquisas relacionadas com o ambiente construído para pessoas com TEA e, assim, evidencia novas perspetivas que podem colaborar para a prática de espaços mais inclusivos e coerentes para estes indivíduos. Também é sabido que o autismo é um espectro, abrangendo uma ampla variedade de características que diferem de pessoa para pessoa. Pede-se então uma metodologia sensível e capaz de tratar cada caso como um caso e foi esta noção que informou o desenho desta investigação. O caso de estudo tomou como base a habitação da criança com TEA e sua família. Aplicou-se uma metodologia de natureza exploratória e qualitativa, motivada pela busca de familiarizar se com o tema, reunindo informações sobre as relações existentes entre autismo e design de interiores doméstico. Integraram-se os procedimentos metodológicos de uma pesquisa de design etnográfico, privilegiando uma coleta de dados através de visitas in loco. Os resultados da análise do trabalho de campo mostraram que as normas técnicas, diretrizes e boas práticas de design na conceção de espaços são importantes e muitas das vezes podem ser adequadas à generalidade. Porém, há falta de uma "atitude positiva" e disponibilidade de designers para aplicar métodos participativos e etnográficos para que proponham soluções não só funcionais, mas sobretudo adaptadas às características de cada pessoa. Com isso, pôde-se concluir que ainda existe uma lacuna pouco explorada no que toca ao design de interiores em ambiente doméstico voltado para crianças com TEA e suas famílias. Assim, esta dissertação contribui para informar boas práticas de design para ambientes adequados, com segurança e conforto, e que sobretudo respeitem a privacidade, individualidade e necessidades de cada um.