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O papel da moda na expressão das (trans)identidades

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Resumo:A moda rodeia-nos; adorna, molda e co-define os nossos corpos, em todos os momentos da nossa existência. Desde que nascemos, e nos cobrem e/ou protegem com algum tipo de material, até ao nosso último suspiro — e mesmo depois, quando alguém fica responsável por nos vestir (com algo que pode, ou não, ter sido previamente estabelecido e/ou escolhido por nós, ainda em vida). Existe, entre os seres humanos e a moda, uma relação que, no fundo, pode dizer-se: para a vida. Além disso, vivemos junto de outras pessoas como nós. Somos partes constituintes de uma sociedade moderna maior. Movemo-nos, temos obrigações, deveres e vontades que, por sua vez, exigem que entremos e estejamos em (quase ininterrupto) contacto soci(et)al. A conceção desta realidade leva a que as escolhas diárias sobre ‘o que vestir?’ adquiram, também, uma dimensão altamente interpessoal. No entanto, o que acontece quando as opções (de moda) que se apresentam à nossa frente trazem consigo leituras, perceções e/ou até julgamentos que podem ser anexados a quem somos, se assim as escolhermos colocar sob os nossos corpos? Num mundo altamente polarizado entre noções do que é considerado bom/mau; certo/errado; masculino/feminino; como é existir quando esse próprio ato já pode ser categorizado enquanto resistência? A presente dissertação parte da intenção de perceber como pessoas com (trans)identidades — identidades de género consideradas não-normativas — que residem em Portugal, navegam os seus quotidianos, nos quais a moda faz indubitavelmente parte, nem que seja pela (qualquer) escolha que fizeram naquele dia sobre o que vão e/ou estão a utilizar. Nesse sentido, tem por base entrevistas a 10 pessoas com identidades de género que se enquadram nessa categoria. Através da utilização da Análise Temática (Braun e Clarke, 2022), identificaram-se as principais dimensões por si referidas como sendo fundamentais para melhor compreender o seu género, interações com a moda (incluindo, práticas de consumo), experiências de visibilidade social, assim como de apoio e/ou discriminação. Explora-se, assim, o potencial do vestuário enquanto: um espaço pessoal seguro e/ou de conforto — ainda que, por vezes, tal esteja dependente do sentimento de se estar a colocar uma máscara; uma forma de manter e/ou perturbar as noções estabelecidas de género; uma ferramenta para a educação em relação a novas possibilidades de existência, numa sociedade em que nem sempre a diferença é incentivada. Por fim, aborda, como as experiências de alguém em relação ao (seu) género podem variar ao longo da sua vida, do mesmo modo que elementos como a profissão, etnia e/ou local de residência podem abrir e/ou fechar determinadas possibilidades de expressão.
Autores principais:Batista, Sofia Teles
Assunto:Género Identidade Moda Não-binário Portugal Fashion Gender Identity Non-binary
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A moda rodeia-nos; adorna, molda e co-define os nossos corpos, em todos os momentos da nossa existência. Desde que nascemos, e nos cobrem e/ou protegem com algum tipo de material, até ao nosso último suspiro — e mesmo depois, quando alguém fica responsável por nos vestir (com algo que pode, ou não, ter sido previamente estabelecido e/ou escolhido por nós, ainda em vida). Existe, entre os seres humanos e a moda, uma relação que, no fundo, pode dizer-se: para a vida. Além disso, vivemos junto de outras pessoas como nós. Somos partes constituintes de uma sociedade moderna maior. Movemo-nos, temos obrigações, deveres e vontades que, por sua vez, exigem que entremos e estejamos em (quase ininterrupto) contacto soci(et)al. A conceção desta realidade leva a que as escolhas diárias sobre ‘o que vestir?’ adquiram, também, uma dimensão altamente interpessoal. No entanto, o que acontece quando as opções (de moda) que se apresentam à nossa frente trazem consigo leituras, perceções e/ou até julgamentos que podem ser anexados a quem somos, se assim as escolhermos colocar sob os nossos corpos? Num mundo altamente polarizado entre noções do que é considerado bom/mau; certo/errado; masculino/feminino; como é existir quando esse próprio ato já pode ser categorizado enquanto resistência? A presente dissertação parte da intenção de perceber como pessoas com (trans)identidades — identidades de género consideradas não-normativas — que residem em Portugal, navegam os seus quotidianos, nos quais a moda faz indubitavelmente parte, nem que seja pela (qualquer) escolha que fizeram naquele dia sobre o que vão e/ou estão a utilizar. Nesse sentido, tem por base entrevistas a 10 pessoas com identidades de género que se enquadram nessa categoria. Através da utilização da Análise Temática (Braun e Clarke, 2022), identificaram-se as principais dimensões por si referidas como sendo fundamentais para melhor compreender o seu género, interações com a moda (incluindo, práticas de consumo), experiências de visibilidade social, assim como de apoio e/ou discriminação. Explora-se, assim, o potencial do vestuário enquanto: um espaço pessoal seguro e/ou de conforto — ainda que, por vezes, tal esteja dependente do sentimento de se estar a colocar uma máscara; uma forma de manter e/ou perturbar as noções estabelecidas de género; uma ferramenta para a educação em relação a novas possibilidades de existência, numa sociedade em que nem sempre a diferença é incentivada. Por fim, aborda, como as experiências de alguém em relação ao (seu) género podem variar ao longo da sua vida, do mesmo modo que elementos como a profissão, etnia e/ou local de residência podem abrir e/ou fechar determinadas possibilidades de expressão.