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Risk factors associated with multidrug-resistant tuberculosis transmission in Portugal

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Resumo:Apesar dos grandes avanços e conquistas no controlo da tuberculose (TB), a doença continua a ser um importante problema de saúde pública, agravado pelo surgimento de resistência aos fármacos antituberculosos. Embora a carga da doença esteja a diminuir, é necessário acelerar este processo para atingir a meta ambiciosa de erradicação da TB até 2035, nomeadamente em Portugal. Para isso, é fundamental reavaliar e ajustar as medidas a nível nacional e local. Esta tese teve como objetivo fornecer conhecimentos sobre a emergência e transmissão da TB multirresistente (TBMR) em Portugal, visando o ajustamento das estratégias locais, de forma a prevenir e reduzir a incidência da TBMR no país. Com este propósito, e em primeiro lugar, analisamos a distribuição espacial da TBMR e TB não MR entre os municípios de Portugal, utilizando modelos espaciais Bayesianos; em segundo lugar, avaliamos a dinâmica da emergência e transmissão da TBMR, incluindo a identificação dos fatores de risco associados e estabelecemos a taxa de transmissão recente, combinando assim dados epidemiológicos e genéticos; por último, avaliamos os resultados do tratamento e identificamos os fatores associados à morte entre pacientes com TBMR e TBXDR (TB extensivamente resistente). Foram utilizados dados epidemiológicos do Sistema Nacional de Vigilância de TB (período 2000-2017) e de serviços de Saúde Pública. Encontramos heterogeneidade significativa na distribuição espacial de TBMR e TB não MR, identificamos 36 áreas de alto risco para TB não MR e 8 áreas de alto risco para TBMR. Estimamos que pelo menos 14,9% dos casos de TBMR foram atribuíveis à transmissão recente, que foi associada a indivíduos nascidos em Portugal. A taxa de sucesso do tratamento para TBMR no período em estudo foi de 77,9%. Observamos ainda que 18,4% dos pacientes com TBMR morreram durante o tratamento e, destes, 40,7% morreram nos primeiros 6 meses. A infeção pelo vírus da imunodeficiência humana foi independentemente associada à morte durante o tratamento. Desta forma, é necessário revisar e ajustar as estratégias de controlo da TB, focado na procura ativa de casos de doença e infeção latente e na deteção precoce de resistência aos fármacos, por meio de rastreio extensivo de contatos, investigação de clusters e rastreio sistemático entre grupos vulneráveis em áreas de alto risco identificadas.
Autores principais:Oliveira, Olena Radomska
Assunto:Tuberculose Tuberculose multirresistente Transmissão Fatores associados Tuberculosis Multidrug-resistant tuberculosis Transmission Factors associated
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:inglês
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Apesar dos grandes avanços e conquistas no controlo da tuberculose (TB), a doença continua a ser um importante problema de saúde pública, agravado pelo surgimento de resistência aos fármacos antituberculosos. Embora a carga da doença esteja a diminuir, é necessário acelerar este processo para atingir a meta ambiciosa de erradicação da TB até 2035, nomeadamente em Portugal. Para isso, é fundamental reavaliar e ajustar as medidas a nível nacional e local. Esta tese teve como objetivo fornecer conhecimentos sobre a emergência e transmissão da TB multirresistente (TBMR) em Portugal, visando o ajustamento das estratégias locais, de forma a prevenir e reduzir a incidência da TBMR no país. Com este propósito, e em primeiro lugar, analisamos a distribuição espacial da TBMR e TB não MR entre os municípios de Portugal, utilizando modelos espaciais Bayesianos; em segundo lugar, avaliamos a dinâmica da emergência e transmissão da TBMR, incluindo a identificação dos fatores de risco associados e estabelecemos a taxa de transmissão recente, combinando assim dados epidemiológicos e genéticos; por último, avaliamos os resultados do tratamento e identificamos os fatores associados à morte entre pacientes com TBMR e TBXDR (TB extensivamente resistente). Foram utilizados dados epidemiológicos do Sistema Nacional de Vigilância de TB (período 2000-2017) e de serviços de Saúde Pública. Encontramos heterogeneidade significativa na distribuição espacial de TBMR e TB não MR, identificamos 36 áreas de alto risco para TB não MR e 8 áreas de alto risco para TBMR. Estimamos que pelo menos 14,9% dos casos de TBMR foram atribuíveis à transmissão recente, que foi associada a indivíduos nascidos em Portugal. A taxa de sucesso do tratamento para TBMR no período em estudo foi de 77,9%. Observamos ainda que 18,4% dos pacientes com TBMR morreram durante o tratamento e, destes, 40,7% morreram nos primeiros 6 meses. A infeção pelo vírus da imunodeficiência humana foi independentemente associada à morte durante o tratamento. Desta forma, é necessário revisar e ajustar as estratégias de controlo da TB, focado na procura ativa de casos de doença e infeção latente e na deteção precoce de resistência aos fármacos, por meio de rastreio extensivo de contatos, investigação de clusters e rastreio sistemático entre grupos vulneráveis em áreas de alto risco identificadas.