Publicação
Ativismo em rede: crítica das mídias alternativas à atual política de Brasil, Espanha e Portugal
| Resumo: | Assiste-se a uma crise do modelo de negócio do jornalismo adotado pelos meios de comunicação tradicionais em um cenário permeado pela desinformação e pela instabilidade financeira. Além disso, o fenômeno das redes e de crises globais econômicas e políticas – com a ascensão de governos radicais de direita eleitos democraticamente, ondas nacionalistas, fascistas e populistas – atravessam o panorama comunicacional atual. Neste quadro, surgem as mídias alternativas digitais. Essas mídias, que são independentes, utilizam as redes sociais e as plataformas digitais como modelos de produção, distribuição e circulação de seus conteúdos. O ativismo é o modelo de produção das mídias alternativas concomitantemente com o jornalismo. Na perspectiva de ouvir as comunidades e produzir informação emancipada e contestatária, as mídias alternativas alinham-se aos movimentos sociais de protesto para questionar e promover transformações nas sociedades, à medida em que tratam de temas relativos aos direitos humanos – até então omitidos pelos mainstream media. Este trabalho contribui para o avanço do conhecimento no campo de estudos da Comunicação – Mídia e Jornalismo –, por trazer reflexões e comparações de práticas de mídias alternativas ativistas de três países com cenários político e comunicacional distintos: Brasil, Espanha e Portugal. Além disso, nos países latinos e ibéricos ainda não há volume extenso de estudos sobre as produções midiáticas alternativas, uma lacuna preenchida por esta investigação. Esta dissertação analisa o ativismo das mídias alternativas digitais de esquerda contra políticas neoliberais aplicadas no Brasil, na Espanha e em Portugal. Objetiva compreender qual o papel formador das mídias na cultura política e intermédio de relações sociais de grupos; bem como a produção midiática e suas repercussões nas agendas governamentais e recepção da produção jornalística alternativa pelas audiências. A investigação, pautada pelo paradigma interpretativista, foi guiada pelo desenho metodológico misto direcionado aos três níveis do processo midiático: produção (entrevistas aos meios de comunicação e observação da atividade jornalística), conteúdo (análise dos conteúdos das páginas do Facebook) e recepção (entrevistas ao público). A investigação traçou um enquadramento das mídias alternativas relativamente ao cenário político do país de origem, sua economia política e ideologia, passando pelos modelos de financiamento adotados. Para tanto, utilizamos conceitos dos movimentos sócio-políticos: movimentos sociais, neoliberalismo, populismo e nacionalismo; Comunicação e Política: Economia Política da Comunicação; e dos meios de comunicação alternativos digitais de esquerda e de direita. Demonstra que estes meios estabeleceram-se enquanto instrumentos de mobilizações políticas e fontes de informação contra-hegemônicas, utilizando críticas a governos, ao sistema capitalista e a partidos, através da linguagem digital, mas mantendo os valores do jornalismo tradicional. Consideramos que os meios de comunicação alternativos são dirigidos às audiências que se identificam com seus posicionamentos políticos; no entanto, conseguem garantir a manutenção das atividades jornalísticas através de subscrições, doações e microfinanciamentos coletivos. Assim, os alternativos são meios que hoje encontram ecos mais alargados de atuação e, portanto, conseguem intervir nas agendas governamentais por causa do modelo ativista e crítico adotado por eles, um novo tipo de jornalismo que se a propõe informar, mobilizar e pressionar. Por fim, consideramos que as mídias alternativas digitais, ao produzirem conteúdos aprofundados e orientados pela ética jornalística, podem plurarizar e democratizar o ambiente virtual e promover as transformações sociais necessárias. |
|---|---|
| Autores principais: | Teixeira, Lina Moscoso |
| Assunto: | Mídias alternativas Ciberespaço Ativismo Movimentos sociais Alternative media Cyberspace Activism Social movements |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Assiste-se a uma crise do modelo de negócio do jornalismo adotado pelos meios de comunicação tradicionais em um cenário permeado pela desinformação e pela instabilidade financeira. Além disso, o fenômeno das redes e de crises globais econômicas e políticas – com a ascensão de governos radicais de direita eleitos democraticamente, ondas nacionalistas, fascistas e populistas – atravessam o panorama comunicacional atual. Neste quadro, surgem as mídias alternativas digitais. Essas mídias, que são independentes, utilizam as redes sociais e as plataformas digitais como modelos de produção, distribuição e circulação de seus conteúdos. O ativismo é o modelo de produção das mídias alternativas concomitantemente com o jornalismo. Na perspectiva de ouvir as comunidades e produzir informação emancipada e contestatária, as mídias alternativas alinham-se aos movimentos sociais de protesto para questionar e promover transformações nas sociedades, à medida em que tratam de temas relativos aos direitos humanos – até então omitidos pelos mainstream media. Este trabalho contribui para o avanço do conhecimento no campo de estudos da Comunicação – Mídia e Jornalismo –, por trazer reflexões e comparações de práticas de mídias alternativas ativistas de três países com cenários político e comunicacional distintos: Brasil, Espanha e Portugal. Além disso, nos países latinos e ibéricos ainda não há volume extenso de estudos sobre as produções midiáticas alternativas, uma lacuna preenchida por esta investigação. Esta dissertação analisa o ativismo das mídias alternativas digitais de esquerda contra políticas neoliberais aplicadas no Brasil, na Espanha e em Portugal. Objetiva compreender qual o papel formador das mídias na cultura política e intermédio de relações sociais de grupos; bem como a produção midiática e suas repercussões nas agendas governamentais e recepção da produção jornalística alternativa pelas audiências. A investigação, pautada pelo paradigma interpretativista, foi guiada pelo desenho metodológico misto direcionado aos três níveis do processo midiático: produção (entrevistas aos meios de comunicação e observação da atividade jornalística), conteúdo (análise dos conteúdos das páginas do Facebook) e recepção (entrevistas ao público). A investigação traçou um enquadramento das mídias alternativas relativamente ao cenário político do país de origem, sua economia política e ideologia, passando pelos modelos de financiamento adotados. Para tanto, utilizamos conceitos dos movimentos sócio-políticos: movimentos sociais, neoliberalismo, populismo e nacionalismo; Comunicação e Política: Economia Política da Comunicação; e dos meios de comunicação alternativos digitais de esquerda e de direita. Demonstra que estes meios estabeleceram-se enquanto instrumentos de mobilizações políticas e fontes de informação contra-hegemônicas, utilizando críticas a governos, ao sistema capitalista e a partidos, através da linguagem digital, mas mantendo os valores do jornalismo tradicional. Consideramos que os meios de comunicação alternativos são dirigidos às audiências que se identificam com seus posicionamentos políticos; no entanto, conseguem garantir a manutenção das atividades jornalísticas através de subscrições, doações e microfinanciamentos coletivos. Assim, os alternativos são meios que hoje encontram ecos mais alargados de atuação e, portanto, conseguem intervir nas agendas governamentais por causa do modelo ativista e crítico adotado por eles, um novo tipo de jornalismo que se a propõe informar, mobilizar e pressionar. Por fim, consideramos que as mídias alternativas digitais, ao produzirem conteúdos aprofundados e orientados pela ética jornalística, podem plurarizar e democratizar o ambiente virtual e promover as transformações sociais necessárias. |
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