Publicação
Images et réalités du monde rural : autour de la femme: Émile Zola, Eça de Queirós et Baltasar Lopes
| Resumo: | Propõe-se a nossa modesta dissertação relacionar, no âmbito da literatura comparada, o tratamento plural do tema da mulher e as variegadas imagens da ruralidade em três romances oitocentistas e novecentistas: La Terre (Émile Zola), A cidade e as serras (Eça de Queirós) e Chiquinho (Baltasar Lopes). Com o escopo de alargar a nossa análise sócio-temática e narratológica, recorremos, igualmente, a Vidas secas (de Graciliano Ramos) e a Madame Bovary, de um Flaubert que surge, indiscutivelmente, como precursor do romance moderno. Definido o nosso corpus (principal e secundário), tentámos abordar, no Capítulo introdutório, alguns pressupostos do discurso realista, no tocante, de sobremaneira, ao "effet de réel" (que favorece a ilusão referencial), à legibilidade e à descrição, abstendo-nos, todavia, de esboçar a 'história literária' dos múltiplos sentidos que configuram a complexidade desta 'etiqueta incómoda': o realismo (sinónimo, neste contexto, de arte objectiva e moderna). No segundo Capítulo, debruçámo-nos sobre a categoria espaço (não raro 'ancorado' numa História que tanto é explícita como implícita se torna), bem como sobre as antinomias que lhe são inerentes (privilegiando o campo, idilicamente caracterizado, em detrimento da cidade, fustigada pela sátira), não perdendo de vista a silhueta feminina que nele se move e para o qual ele emblematiza quer um universo hostil quer um meio acolhedor, cristalizados na casa. No terceiro Capítulo, dedicámo-nos à personagem (que, nos romances em pauta, perde gradualmente a sua heroicidade pela via da dissolução de que é vítima), detendo-nos tanto no seu retrato (prosopografia e etopeia) como no(s) seu(s) discurso(s). Chegámos, finalmente, à conclusão de que a mulher detém um estatuto ambivalente, traduzido pelos clichés ao serviço da sua imagem estereotipada; por um lado, autónoma; por outro, sob a égide da figura autoritária que o pai, o marido e o amante paradigmatizam; 'fada do lar' e etérea, na sua quase imaterialidade, mas também detentora de um protagonismo que a conduz à satisfação das suas mais primárias necessidades, desembocando numa 'promoção' social que tanto almeja. Não será, afinal, a mulher um universal temático ao longo da História? |
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| Autores principais: | Rocha, José Manuel Alvarães da |
| Ano: | 2007 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | francês |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Propõe-se a nossa modesta dissertação relacionar, no âmbito da literatura comparada, o tratamento plural do tema da mulher e as variegadas imagens da ruralidade em três romances oitocentistas e novecentistas: La Terre (Émile Zola), A cidade e as serras (Eça de Queirós) e Chiquinho (Baltasar Lopes). Com o escopo de alargar a nossa análise sócio-temática e narratológica, recorremos, igualmente, a Vidas secas (de Graciliano Ramos) e a Madame Bovary, de um Flaubert que surge, indiscutivelmente, como precursor do romance moderno. Definido o nosso corpus (principal e secundário), tentámos abordar, no Capítulo introdutório, alguns pressupostos do discurso realista, no tocante, de sobremaneira, ao "effet de réel" (que favorece a ilusão referencial), à legibilidade e à descrição, abstendo-nos, todavia, de esboçar a 'história literária' dos múltiplos sentidos que configuram a complexidade desta 'etiqueta incómoda': o realismo (sinónimo, neste contexto, de arte objectiva e moderna). No segundo Capítulo, debruçámo-nos sobre a categoria espaço (não raro 'ancorado' numa História que tanto é explícita como implícita se torna), bem como sobre as antinomias que lhe são inerentes (privilegiando o campo, idilicamente caracterizado, em detrimento da cidade, fustigada pela sátira), não perdendo de vista a silhueta feminina que nele se move e para o qual ele emblematiza quer um universo hostil quer um meio acolhedor, cristalizados na casa. No terceiro Capítulo, dedicámo-nos à personagem (que, nos romances em pauta, perde gradualmente a sua heroicidade pela via da dissolução de que é vítima), detendo-nos tanto no seu retrato (prosopografia e etopeia) como no(s) seu(s) discurso(s). Chegámos, finalmente, à conclusão de que a mulher detém um estatuto ambivalente, traduzido pelos clichés ao serviço da sua imagem estereotipada; por um lado, autónoma; por outro, sob a égide da figura autoritária que o pai, o marido e o amante paradigmatizam; 'fada do lar' e etérea, na sua quase imaterialidade, mas também detentora de um protagonismo que a conduz à satisfação das suas mais primárias necessidades, desembocando numa 'promoção' social que tanto almeja. Não será, afinal, a mulher um universal temático ao longo da História? |
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