Publicação
Potencial do própolis português no biocontrolo de doenças da macieira
| Resumo: | O própolis, uma mistura elaborada pelas abelhas a partir de exsudados de plantas, possui inúmeras bioatividades tais como antimicrobiana e antioxidante. Com várias aplicações, nomeadamente medicinais e cosméticas, tem vindo a ser investigado na agricultura no controlo de doenças causadas por microrganismos fitopatogénicos. A cultura da maçã é uma das mais importantes a nível global e enfrenta desafios tais como as elevadas perdas económicas causadas por doenças fúngicas, que também contribuem para agravar o desperdício alimentar. As doenças pré- e pós-colheita são maioritariamente controladas pela aplicação de produtos químicos de síntese eficazes, mas que acarretam sérios riscos para os seres vivos e o ambiente, e contribuem para o aparecimento de estirpes resistentes. Assim, urge desenvolver produtos igualmente eficazes, mas mais seguros. Neste contexto, com vista a estudar o potencial do própolis como biopesticida, este trabalho pretendeu avaliar o potencial antifúngico de extratos hidroalcoólicos de própolis do Caramulo – Cr18.EEf70 e Cr18.EEf35 – contra fungos causadores de doenças da maçã pré- e pós-colheita, nomeadamente Venturia inaequalis, Botrytis cinerea e Penicillium expansum. Ambos os extratos se mostraram ativos contra B. cinerea e P. expansum, com cerca de 80 % de inibição ao terceiro dia, sendo P. expansum o fungo mais suscetível e Cr18.EEf70 o extrato mais eficaz. Cr18.EEf70 e Cr18.EEf35 foram igualmente capazes de inibir o crescimento de Bacillus cereus, B. megaterium, B. subtilis e Staphylococcus aureus. No ensaio de campo com macieiras, constatou-se que a calda de própolis teve uma eficiência semelhante à da calda de enxofre, usado em fungicidas comerciais, com percentagens de folhas afetadas comparáveis, mas conseguiu ainda mitigar a progressão da severidade das lesões foliares. Os extratos de própolis estudados têm assim potencial biofungicida na cultura da maçã, sendo uma alternativa mais ecológica e segura, permitindo aumentar o rendimento de produção, reduzir o desperdício alimentar e valorizar, ainda, o setor apícola nacional. A aplicação de resíduo de própolis no solo inibiu o crescimento de alfaces, registando-se menores valores de área foliar, peso seco e peso fresco de modo dependente da dose. Porém, a capacidade antioxidante das mesmas alfaces aumentou, de modo dependente da dose, sugerindo que a aplicação deste resíduo, em doses adequadas, possa potenciar a qualidade nutricional dos produtos e simultaneamente controlar microrganismos fitopatogénicos do solo. |
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| Autores principais: | Silva, Juliana Dias |
| Assunto: | Própolis Resíduos da extração de própolis Biocontrolo Fungos fitopatogénicos Maçã Propolis Propolis extraction residues Biocontrol Phytopathogenic fungi Apple |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O própolis, uma mistura elaborada pelas abelhas a partir de exsudados de plantas, possui inúmeras bioatividades tais como antimicrobiana e antioxidante. Com várias aplicações, nomeadamente medicinais e cosméticas, tem vindo a ser investigado na agricultura no controlo de doenças causadas por microrganismos fitopatogénicos. A cultura da maçã é uma das mais importantes a nível global e enfrenta desafios tais como as elevadas perdas económicas causadas por doenças fúngicas, que também contribuem para agravar o desperdício alimentar. As doenças pré- e pós-colheita são maioritariamente controladas pela aplicação de produtos químicos de síntese eficazes, mas que acarretam sérios riscos para os seres vivos e o ambiente, e contribuem para o aparecimento de estirpes resistentes. Assim, urge desenvolver produtos igualmente eficazes, mas mais seguros. Neste contexto, com vista a estudar o potencial do própolis como biopesticida, este trabalho pretendeu avaliar o potencial antifúngico de extratos hidroalcoólicos de própolis do Caramulo – Cr18.EEf70 e Cr18.EEf35 – contra fungos causadores de doenças da maçã pré- e pós-colheita, nomeadamente Venturia inaequalis, Botrytis cinerea e Penicillium expansum. Ambos os extratos se mostraram ativos contra B. cinerea e P. expansum, com cerca de 80 % de inibição ao terceiro dia, sendo P. expansum o fungo mais suscetível e Cr18.EEf70 o extrato mais eficaz. Cr18.EEf70 e Cr18.EEf35 foram igualmente capazes de inibir o crescimento de Bacillus cereus, B. megaterium, B. subtilis e Staphylococcus aureus. No ensaio de campo com macieiras, constatou-se que a calda de própolis teve uma eficiência semelhante à da calda de enxofre, usado em fungicidas comerciais, com percentagens de folhas afetadas comparáveis, mas conseguiu ainda mitigar a progressão da severidade das lesões foliares. Os extratos de própolis estudados têm assim potencial biofungicida na cultura da maçã, sendo uma alternativa mais ecológica e segura, permitindo aumentar o rendimento de produção, reduzir o desperdício alimentar e valorizar, ainda, o setor apícola nacional. A aplicação de resíduo de própolis no solo inibiu o crescimento de alfaces, registando-se menores valores de área foliar, peso seco e peso fresco de modo dependente da dose. Porém, a capacidade antioxidante das mesmas alfaces aumentou, de modo dependente da dose, sugerindo que a aplicação deste resíduo, em doses adequadas, possa potenciar a qualidade nutricional dos produtos e simultaneamente controlar microrganismos fitopatogénicos do solo. |
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