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A naturalização da diferença: representações sobre raça e grupo étnico

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Resumo:Neste estudo investigámos as noções de ‘raça’ e de ‘grupo étnico’ entre os jovens portugueses, averiguámos quais os ‘grupos étnicos’ mais significativos na sociedade portuguesa, e verificámos em que medida os jovens portugueses se consideram eles próprios membros de um ‘grupo étnico’. Os resultados demonstraram que, apesar das campanhas anti-racismo nos meios de comunicação social, a maior parte dos estudantes nunca tinha problematizado as noções de ‘raça’ e de ‘grupo étnico’, considerando-as como conceitos objectivos explicativos das assimetrias sociais. Os ‘grupos étnicos’ são vistos como possuindo características intrínsecas, imutáveis e muito marcadas, que os distinguem da maioria ou da cultura dominante, sendo as características culturais consideradas como inseparáveis das características físicas ligadas à hereditariedade. Globalmente, as respostas remetem claramente para uma ‘naturalização’ das categorias raciais e étnicas. No entanto, verifica-se uma certa assimetria nos significados destes dois termos: em alguns casos o ‘grupo étnico’ é visto como algo ‘transitório’ que resulta das trajectórias de migração dos grupos, enquanto que o termo ‘raça’ remete sempre para algo imutável. No seu conjunto, os resultados deste estudo indicam que a categorização racial é extremamente saliente e acessível cognitivamente. A acessibilidade das categorias raciais e o seu valor explicativo da realidade social demonstra que, apesar das tipologias raciais terem sido abolidas da ciência há largas décadas (UNESCO, 1960/1973), continuam a estruturar o pensamento do senso comum.
Autores principais:Cabecinhas, Rosa
Outros Autores:Amâncio, Lígia
Assunto:Representações sociais Raça Grupo étnico Social representations Race Ethnic group
Ano:2003
País:Portugal
Tipo de documento:comunicação em conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Neste estudo investigámos as noções de ‘raça’ e de ‘grupo étnico’ entre os jovens portugueses, averiguámos quais os ‘grupos étnicos’ mais significativos na sociedade portuguesa, e verificámos em que medida os jovens portugueses se consideram eles próprios membros de um ‘grupo étnico’. Os resultados demonstraram que, apesar das campanhas anti-racismo nos meios de comunicação social, a maior parte dos estudantes nunca tinha problematizado as noções de ‘raça’ e de ‘grupo étnico’, considerando-as como conceitos objectivos explicativos das assimetrias sociais. Os ‘grupos étnicos’ são vistos como possuindo características intrínsecas, imutáveis e muito marcadas, que os distinguem da maioria ou da cultura dominante, sendo as características culturais consideradas como inseparáveis das características físicas ligadas à hereditariedade. Globalmente, as respostas remetem claramente para uma ‘naturalização’ das categorias raciais e étnicas. No entanto, verifica-se uma certa assimetria nos significados destes dois termos: em alguns casos o ‘grupo étnico’ é visto como algo ‘transitório’ que resulta das trajectórias de migração dos grupos, enquanto que o termo ‘raça’ remete sempre para algo imutável. No seu conjunto, os resultados deste estudo indicam que a categorização racial é extremamente saliente e acessível cognitivamente. A acessibilidade das categorias raciais e o seu valor explicativo da realidade social demonstra que, apesar das tipologias raciais terem sido abolidas da ciência há largas décadas (UNESCO, 1960/1973), continuam a estruturar o pensamento do senso comum.