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Codificar o infinito: concepção gráfica e arquitectónica do cosmos

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Resumo:A imagem do mundo ocidental reflecte as conquistas culturais renascentistas decorrentes da formulação da perspectiva artificialis a partir dos aparatos visuais de Brunelleschi. Sendo que a representação do espaço abandona uma lógica fragmentária, esta altera-se mediante a codificação perspéctica fundada numa ideia de contínuo espacial, articulado e vinculado ao lugar ocupado pelo sujeito, ou mais especificamente ao seu ponto de visão, que com ele se relaciona visualmente. Neste sentido a codificação geométrico/matemática do espaço inerente à resolução gráfica da perspectiva consagram o mundo que rodeia o Homem, o observador, como facto eminentemente visual no qual se sintetizam razão (o conhecimento do natural) e sensação (o reconhecimento do percebido). Posicionando o observador no centro do mundo a codificação perspéctica encontra-se indelevelmente vinculada ao seu olhar (cuja orientação reorganiza sistematicamente o mundo) e cujos limites se condensam em entidades base como pontos e rectas de fuga, a partir dos quais se regulam relações de medida e posicionamento dos factos. Neste sentido se a codificação serve inicialmente à representação do espaço no plano do desenho, numa desejada ideia de coincidência entre o natural e a sua experiência óptica, esta verterá sobre a concepção ocidental do cosmos e, consequentemente, na configuração do construído (seja na transformação e modelação da espacialidade interna, que se estende num infinito visual a partir das possibilidades proporcionadas pela quadratura, ou na organização do espaço externo, conduzindo o olhar a um pretenso infinito numa postura de controlo do produto humano sobre a natureza). Uma faculdade do desenho e da construção à qual se associam potencialidades da retórica política (posse do mundo visível), devocional (aprisionamento do transcendente) e científica (domesticação da natureza), que incorporadas nos modelos conceptuais da arquitectura e urbanismos determinam o quadro espacial em que o Homem se move (desde os espaços da ensaística moderna aos da condição contemporânea de dissolução do urbano, passando pelos do triunfo católico da contra-reforma, da ritualidade absolutista, da expressão autoritária e democrática).
Autores principais:Cabeleira, João
Assunto:Perspectiva Infinito Arquitectura Cidade
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A imagem do mundo ocidental reflecte as conquistas culturais renascentistas decorrentes da formulação da perspectiva artificialis a partir dos aparatos visuais de Brunelleschi. Sendo que a representação do espaço abandona uma lógica fragmentária, esta altera-se mediante a codificação perspéctica fundada numa ideia de contínuo espacial, articulado e vinculado ao lugar ocupado pelo sujeito, ou mais especificamente ao seu ponto de visão, que com ele se relaciona visualmente. Neste sentido a codificação geométrico/matemática do espaço inerente à resolução gráfica da perspectiva consagram o mundo que rodeia o Homem, o observador, como facto eminentemente visual no qual se sintetizam razão (o conhecimento do natural) e sensação (o reconhecimento do percebido). Posicionando o observador no centro do mundo a codificação perspéctica encontra-se indelevelmente vinculada ao seu olhar (cuja orientação reorganiza sistematicamente o mundo) e cujos limites se condensam em entidades base como pontos e rectas de fuga, a partir dos quais se regulam relações de medida e posicionamento dos factos. Neste sentido se a codificação serve inicialmente à representação do espaço no plano do desenho, numa desejada ideia de coincidência entre o natural e a sua experiência óptica, esta verterá sobre a concepção ocidental do cosmos e, consequentemente, na configuração do construído (seja na transformação e modelação da espacialidade interna, que se estende num infinito visual a partir das possibilidades proporcionadas pela quadratura, ou na organização do espaço externo, conduzindo o olhar a um pretenso infinito numa postura de controlo do produto humano sobre a natureza). Uma faculdade do desenho e da construção à qual se associam potencialidades da retórica política (posse do mundo visível), devocional (aprisionamento do transcendente) e científica (domesticação da natureza), que incorporadas nos modelos conceptuais da arquitectura e urbanismos determinam o quadro espacial em que o Homem se move (desde os espaços da ensaística moderna aos da condição contemporânea de dissolução do urbano, passando pelos do triunfo católico da contra-reforma, da ritualidade absolutista, da expressão autoritária e democrática).