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O relato financeiro das matérias ambientais : o caso do sector metalomecânico e metalurgia de base

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Resumo:O presente estudo circunscreve-se na investigação empírica sobre o relato ambiental obrigatório, na sequência do processo de regulamentação contabilística das questões ambientais vivido a nível europeu. Este estudo tem como objectivo analisar as práticas e grau de divulgação de informação ambiental nas contas anuais de 2008, tendo por base os requisitos legais exigidos pela Directriz Contabilística n.º 29 – Matérias ambientais (de aplicação obrigatória desde o ano 2006), bem como identificar os factores explicativos da decisão e nível de divulgação ambiental. As empresas da amostra, num total de 39, foram seleccionadas a partir da lista das 500 maiores e melhores empresas portuguesas, centrando-se num sector de actividade potencialmente com maior impacto ambiental: o sector de metalomecânica e metalurgia de base. Nesta investigação foi utilizada a técnica de análise de conteúdo das contas anuais, para medição do nível de divulgação ambiental através da criação de um Índice de Divulgação Ambiental (IDA), cujos valores variam entre 0 e 1. A fim de avaliar os factores explicativos da prática e nível de divulgação, foram desenvolvidos dois modelos de regressão linear e logística (tendo, respectivamente, como variável dependente o IDA, e uma variável dicotómica: divulga; não divulga). Em ambos modelos foram consideradas como variáveis independentes: o tamanho, cotação em bolsa, tipo de controlo accionista e posse de certificação ambiental. Os resultados apontam que 76,9% das empresas da amostra não fornecem qualquer tipo de informação de carácter ambiental no anexo, segundo os requisitos da DC 29. De entre as 9 empresas divulgadoras, realça-se a informação de carácter positivo e narrativo, destacando-se as informações relativas aos dispêndios de carácter ambiental reconhecidos como gasto (88,9%), e da capitalização de tais dispêndios (66,7%), tendo estas duas rubricas uma qualidade de informação mais elevada no que respeita à sua discriminação e mensuração. Ainda que o IDA médio da amostra seja baixo, se nos centramos apenas nas empresas divulgadoras, verifica-se um razoável cumprimento dos requisitos do normativo contabilístico em vigor (IDA ± 0,5), ou seja, podemos afirmar existir, num mesmo campo organizativo, um certo processo de homogeneização, que assenta num isomorfismo coercivo, à luz da Teoria Institucional. O estudo estatístico revela ainda que as empresas com certificação ambiental não só apresentam uma maior propensão para divulgar, como são as que apresentam maiores IDA, encontrando, assim, na divulgação uma forma de legitimar as suas actuações ambientais perante a sociedade. Não se comprovaram diferenças significativas entre a prática e grau de divulgação e as restantes variáveis independentes.
Autores principais:Barros, Carlos Lourenço Moreira de
Assunto:Divulgação ambiental obrigatória Análise de conteúdo Contas anuais Mandatory environmental reporting Content analysis Annual reporting
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O presente estudo circunscreve-se na investigação empírica sobre o relato ambiental obrigatório, na sequência do processo de regulamentação contabilística das questões ambientais vivido a nível europeu. Este estudo tem como objectivo analisar as práticas e grau de divulgação de informação ambiental nas contas anuais de 2008, tendo por base os requisitos legais exigidos pela Directriz Contabilística n.º 29 – Matérias ambientais (de aplicação obrigatória desde o ano 2006), bem como identificar os factores explicativos da decisão e nível de divulgação ambiental. As empresas da amostra, num total de 39, foram seleccionadas a partir da lista das 500 maiores e melhores empresas portuguesas, centrando-se num sector de actividade potencialmente com maior impacto ambiental: o sector de metalomecânica e metalurgia de base. Nesta investigação foi utilizada a técnica de análise de conteúdo das contas anuais, para medição do nível de divulgação ambiental através da criação de um Índice de Divulgação Ambiental (IDA), cujos valores variam entre 0 e 1. A fim de avaliar os factores explicativos da prática e nível de divulgação, foram desenvolvidos dois modelos de regressão linear e logística (tendo, respectivamente, como variável dependente o IDA, e uma variável dicotómica: divulga; não divulga). Em ambos modelos foram consideradas como variáveis independentes: o tamanho, cotação em bolsa, tipo de controlo accionista e posse de certificação ambiental. Os resultados apontam que 76,9% das empresas da amostra não fornecem qualquer tipo de informação de carácter ambiental no anexo, segundo os requisitos da DC 29. De entre as 9 empresas divulgadoras, realça-se a informação de carácter positivo e narrativo, destacando-se as informações relativas aos dispêndios de carácter ambiental reconhecidos como gasto (88,9%), e da capitalização de tais dispêndios (66,7%), tendo estas duas rubricas uma qualidade de informação mais elevada no que respeita à sua discriminação e mensuração. Ainda que o IDA médio da amostra seja baixo, se nos centramos apenas nas empresas divulgadoras, verifica-se um razoável cumprimento dos requisitos do normativo contabilístico em vigor (IDA ± 0,5), ou seja, podemos afirmar existir, num mesmo campo organizativo, um certo processo de homogeneização, que assenta num isomorfismo coercivo, à luz da Teoria Institucional. O estudo estatístico revela ainda que as empresas com certificação ambiental não só apresentam uma maior propensão para divulgar, como são as que apresentam maiores IDA, encontrando, assim, na divulgação uma forma de legitimar as suas actuações ambientais perante a sociedade. Não se comprovaram diferenças significativas entre a prática e grau de divulgação e as restantes variáveis independentes.