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A participação das mulheres no poder local em Portugal: análise das causas da sub-representação e dos obstáculos/barreiras para a ascensão em listas partidárias. O caso do município da Póvoa de Lanhoso

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A igualdade de género em Portugal tem avançado, mas ainda enfrenta desafios, especialmente na política e no mercado de trabalho. A Lei da Paridade introduzida em 2006 e a sua revisão em 2019, aumentaram a presença feminina nas listas eleitorais, embora a implementação seja desigual entre os partidos. As estruturas patriarcais e a falta de redes de influência continuam a dificultar o acesso das mulheres a posições de liderança. Já no mercado de trabalho, em 2022, os homens recebiam, em média, um salário base mensal 13,2% superior ao das mulheres. Para além desta diferença salarial, as mulheres enfrentam também a "penalização da maternidade" e a sobrecarga da dupla jornada de trabalho, isto é, continuam a assumir a maior parte das responsabilidades domésticas e do cuidado familiar. O estudo empírico realizado na Póvoa de Lanhoso revela a sub-representação feminina no poder local, com nenhum caso de uma mulher eleita presidente da câmara desde 1976. Tendo em conta a problemática da desigualdade de género na representação política local, esta investigação é orientada por duas questões centrais: Q1 (questão central): Quais são as explicações para a persistente sub-representação das mulheres no poder local? Q2 (questão complementar): Em que medida a lei da paridade contribui para resolver o problema da sub-representação feminina no poder local em Portugal? A investigação qualitativa, baseada em entrevistas com 15 participantes dos principais partidos locais, identifica barreiras como a conciliação entre a vida política e familiar, além de preconceitos culturais. As mulheres tendem a ocupar cargos nas áreas da saúde, educação e cultura nos espaços de decisão municipal, mais precisamente a Câmara Municipal, mas a disparidade de poder persiste, com os homens a dominar as posições de liderança. Apesar dos progressos trazidos pelas quotas, a verdadeira igualdade de género na política exige mais do que paridade numérica, implicando uma mudança cultural e a valorização de competências e méritos para assegurar uma paridade efetiva e sustentada.
Autores principais:Tinoco, Ana Margarida Cunha
Assunto:Igualdade de género Poder local Quotas de género Sub-representação feminina Female Under-representation Gender equality Gender quotas Local government
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A igualdade de género em Portugal tem avançado, mas ainda enfrenta desafios, especialmente na política e no mercado de trabalho. A Lei da Paridade introduzida em 2006 e a sua revisão em 2019, aumentaram a presença feminina nas listas eleitorais, embora a implementação seja desigual entre os partidos. As estruturas patriarcais e a falta de redes de influência continuam a dificultar o acesso das mulheres a posições de liderança. Já no mercado de trabalho, em 2022, os homens recebiam, em média, um salário base mensal 13,2% superior ao das mulheres. Para além desta diferença salarial, as mulheres enfrentam também a "penalização da maternidade" e a sobrecarga da dupla jornada de trabalho, isto é, continuam a assumir a maior parte das responsabilidades domésticas e do cuidado familiar. O estudo empírico realizado na Póvoa de Lanhoso revela a sub-representação feminina no poder local, com nenhum caso de uma mulher eleita presidente da câmara desde 1976. Tendo em conta a problemática da desigualdade de género na representação política local, esta investigação é orientada por duas questões centrais: Q1 (questão central): Quais são as explicações para a persistente sub-representação das mulheres no poder local? Q2 (questão complementar): Em que medida a lei da paridade contribui para resolver o problema da sub-representação feminina no poder local em Portugal? A investigação qualitativa, baseada em entrevistas com 15 participantes dos principais partidos locais, identifica barreiras como a conciliação entre a vida política e familiar, além de preconceitos culturais. As mulheres tendem a ocupar cargos nas áreas da saúde, educação e cultura nos espaços de decisão municipal, mais precisamente a Câmara Municipal, mas a disparidade de poder persiste, com os homens a dominar as posições de liderança. Apesar dos progressos trazidos pelas quotas, a verdadeira igualdade de género na política exige mais do que paridade numérica, implicando uma mudança cultural e a valorização de competências e méritos para assegurar uma paridade efetiva e sustentada.