Publicação
Política linguística em Timor-Leste: a ação e a formação dos tradutores
| Resumo: | Após a restauração da independência, em 2002, o Estado timorense avançou imediatamente com a política de restauração da identidade linguística do povo timorense abalada e/ou quase perdida ao longo de 24 anos pela ocupação indonésia e pela expansão do bahasa indonesia no território. Apesar de tudo isso, a influência javanesa não eliminou por completo a verdadeira identidade do povo timorense, adquirida ao longo dos séculos pela miscigenação entre a cultura autóctone e a latina, ainda que tal influência a tenha alterado significativamente em alguns aspetos culturais e linguísticos. Para resgatar a identidade quase extinta no período da ocupação, o novo Estado optou desde cedo por uma política de recuperação da identidade linguística originária do povo timorense. Esta política ganhou relevo na agenda do desenvolvimento, ainda que não tenha sido fácil, até agora, concretizar tal desígnio, sobretudo no que se refere à política da (re)introdução da língua portuguesa em Timor-Leste, apesar de o Estado ter escolhido o português e o tétum como línguas oficiais e da identidade timorense, reconhecendo simultaneamente o inglês e o indonésio como línguas de trabalho e de contactos internacionais. Esta investigação desenvolve-se em torno das questões da política linguística em Timor-Leste, centrando-se mais especificamente sobre a ação e a formação dos tradutores timorenses que atuam nas instituições do Estado. Para o efeito, recolhemos perceções e opiniões de tradutores, sobre a sua ação e sobre a formação inicial adquirida, assim como sobre a sua visão das necessidades de formação contínua ou pós-graduada. E propomos as linhas fundamentais do plano de curso de um Mestrado em Estudos de Tradução no Contexto de Timor-Leste. Este é um tema relativamente novo e pouco explorado pelos académicos, tanto timorenses como internacionais, que se dedicam ao estudo da política linguística timorense. Centramo-nos fundamentalmente na questão da política linguística na vertente de tradução como constituindo um contributo para a resolução da complexidade linguística vivida na sociedade timorense. Acreditamos que, com mais atenção a este serviço, o Estado poderia consolidar mais eficazmente a política linguística definida, nomeadamente no que toca ao uso consistente das duas línguas oficiais em todos os atos, tanto formais como informais, bem como o seu uso nos media nacionais. |
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| Autores principais: | Henriques, Paulo |
| Assunto: | Identidade linguística Media Política linguística Serviço de tradução Tradutores Linguistic identity Linguistic policy Translation service Translators |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Após a restauração da independência, em 2002, o Estado timorense avançou imediatamente com a política de restauração da identidade linguística do povo timorense abalada e/ou quase perdida ao longo de 24 anos pela ocupação indonésia e pela expansão do bahasa indonesia no território. Apesar de tudo isso, a influência javanesa não eliminou por completo a verdadeira identidade do povo timorense, adquirida ao longo dos séculos pela miscigenação entre a cultura autóctone e a latina, ainda que tal influência a tenha alterado significativamente em alguns aspetos culturais e linguísticos. Para resgatar a identidade quase extinta no período da ocupação, o novo Estado optou desde cedo por uma política de recuperação da identidade linguística originária do povo timorense. Esta política ganhou relevo na agenda do desenvolvimento, ainda que não tenha sido fácil, até agora, concretizar tal desígnio, sobretudo no que se refere à política da (re)introdução da língua portuguesa em Timor-Leste, apesar de o Estado ter escolhido o português e o tétum como línguas oficiais e da identidade timorense, reconhecendo simultaneamente o inglês e o indonésio como línguas de trabalho e de contactos internacionais. Esta investigação desenvolve-se em torno das questões da política linguística em Timor-Leste, centrando-se mais especificamente sobre a ação e a formação dos tradutores timorenses que atuam nas instituições do Estado. Para o efeito, recolhemos perceções e opiniões de tradutores, sobre a sua ação e sobre a formação inicial adquirida, assim como sobre a sua visão das necessidades de formação contínua ou pós-graduada. E propomos as linhas fundamentais do plano de curso de um Mestrado em Estudos de Tradução no Contexto de Timor-Leste. Este é um tema relativamente novo e pouco explorado pelos académicos, tanto timorenses como internacionais, que se dedicam ao estudo da política linguística timorense. Centramo-nos fundamentalmente na questão da política linguística na vertente de tradução como constituindo um contributo para a resolução da complexidade linguística vivida na sociedade timorense. Acreditamos que, com mais atenção a este serviço, o Estado poderia consolidar mais eficazmente a política linguística definida, nomeadamente no que toca ao uso consistente das duas línguas oficiais em todos os atos, tanto formais como informais, bem como o seu uso nos media nacionais. |
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