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O género da prisão

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A dimensão de género tem atravessado de modo diverso os estudos prisionais, consoante se trate de estabelecimentos para homens ou mulheres. Embora no caso dos masculinos ela tenha deixado de ser ignorada nalguns aspetos, no caso das prisões de mulheres esses estudos têm estado em geral inteiramente dimensionados pelo género, enquanto ângulo de análise que preside de antemão a quase todas as questões: desde a natureza “generizada” dos regimes prisionais ao caráter também ele “generizado” culturas das prisioneiras, das suas socialidades e das suas “dores da reclusão”. Este programa mais generocêntrico tem-se diversificado, quer a partir do reconhecimento crescente da diversidade das experiências e identidades das prisioneiras enquanto mulheres, quer a partir de uma atenção votada agora a uma variedade mais ampla de aspetos da vida prisional. Recorrendo a trabalhos de terreno em prisões portuguesas ao longo de três décadas, incluirei um aspeto adicional neste panorama tomando em consideração variações na relevância real do género como categoria social e de identidade nas prisões de mulheres. Neste caso, tais variações ocorreram sem que tivesse havido mudanças institucionais de vulto no regime prisional, ainda que na forma esse regime se tenha tornado mais neutro. Tomando em conta variações na saliência real do género como categoria social e de identidade nas prisões de mulheres, proponho que um enfoque de género seja decidido menos a partir de agendas gerais e cristalizadas de pesquisa, do que na base da importância contextual do género, aferida de modo específico.
Autores principais:Cunha, Manuela Ivone P. da
Assunto:Género Prisão estudos prisionais
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A dimensão de género tem atravessado de modo diverso os estudos prisionais, consoante se trate de estabelecimentos para homens ou mulheres. Embora no caso dos masculinos ela tenha deixado de ser ignorada nalguns aspetos, no caso das prisões de mulheres esses estudos têm estado em geral inteiramente dimensionados pelo género, enquanto ângulo de análise que preside de antemão a quase todas as questões: desde a natureza “generizada” dos regimes prisionais ao caráter também ele “generizado” culturas das prisioneiras, das suas socialidades e das suas “dores da reclusão”. Este programa mais generocêntrico tem-se diversificado, quer a partir do reconhecimento crescente da diversidade das experiências e identidades das prisioneiras enquanto mulheres, quer a partir de uma atenção votada agora a uma variedade mais ampla de aspetos da vida prisional. Recorrendo a trabalhos de terreno em prisões portuguesas ao longo de três décadas, incluirei um aspeto adicional neste panorama tomando em consideração variações na relevância real do género como categoria social e de identidade nas prisões de mulheres. Neste caso, tais variações ocorreram sem que tivesse havido mudanças institucionais de vulto no regime prisional, ainda que na forma esse regime se tenha tornado mais neutro. Tomando em conta variações na saliência real do género como categoria social e de identidade nas prisões de mulheres, proponho que um enfoque de género seja decidido menos a partir de agendas gerais e cristalizadas de pesquisa, do que na base da importância contextual do género, aferida de modo específico.