Publicação
Escola, democracia e autonomia: uma análise das políticas e práticas no cotidiano escolar
| Resumo: | O estudo “ Escola, democracia e autonomia: uma análise das políticas e práticas no cotidiano escolar” teve como objetivo analisar as políticas e as práticas de autonomia e de democracia no cotidiano escolar, inseridas em um processo de consolidação democrática e de busca da autonomia. Corresponde a uma investigação de natureza qualitativa, num desenho de estudo de caso, empiricamente realizado em uma escola ficticiamente denominada Ipanoré. A técnica usada na sistematização dos dados foi a análise de conteúdo mediada pelo uso de dois softwares de apoio à análise de dados qualitativos, o WebQDA e o Nvivo10. A análise proposta se apresenta a partir de três contextos teóricos desenvolvidos ao longo da tese - conformidade, contestação e conflagração - que percorrem transversalmente a compreensão da temática e dos dados resultantes da pesquisa empírica. A conformidade corresponde às teorias e às experiências tradicionalmente descritas como hegemónicas, com sucessivas adequações para assegurar o pleno funcionamento do capitalismo. A contestação representa as teorias responsáveis por evocar as principais demandas democráticas, a partir das lutas e da participação nas esferas formais de decisão. A conflagração dá nome às teorias vinculativas à ideia de democracia radical, em que o conflito e o indivíduo (organizado ou não) são necessários a uma sociedade diferente da que agora se apresenta. De maneira especial, a pesquisa empírica põe em evidência uma interpretação que conjuga os referenciais teóricos, as questões metodológicas e os resultados, alicerçados na formulação dos três contextos ( conformidade, contestação e conflagração), de dois planos de análise ( plano da realidade e plano da idealidade) e de quatro categorias ( democracia, autonomia, consenso e conflito). Quanto às categorias importa mencionar que tradicionalmente são definidas como pré-existentes ou emergentes, mas neste estudo se apresentam numa lógica diferenciada, sendo resultantes de uma composição de sucessivas análises que as tornam representativas, tanto dos três contextos teóricos produzidos, quanto dos dois planos de análise revelados nos dados obtidos e, aí, podendo ser tipificadas como categorias compostas. Os resultados alcançados entrelaçam a pesquisa teórica e a pesquisa empírica que sustentaram pressupostos, os quais, desde o início, davam conta de que as políticas públicas instituídas na escola não se apresentavam a partir da participação direta dos seus agentes. Ao mesmo tempo, foi possível evidenciar que a tradição histórica e epistemológica contribuiu para a manutenção de uma lógica que separa os que pensam daqueles que executam. Por esse prisma, a escola, por vias da conformidade, ainda se conserva como espaço de reprodução das políticas, em que a burocracia ordena a prática participativa dos sujeitos escolares, convertendo-a em formalidades, em passividades e em convergências. Por outro lado, as políticas democráticas legalmente instituídas e ligadas aos princípios da competição, da seleção e do mérito não conseguem impedir que os sujeitos, em suas práticas cotidianas, possam vislumbrar saídas rumo a uma democracia radical. A investigação, em suas análises e conclusões, expressa as opções políticas e metodológicas adotadas, mas não se esforça em perspetivar receituários e tão pouco se apresenta como avaliadora daquilo que pensam e/ou que fazem os sujeitos no cotidiano da escola Ipanoré. |
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| Autores principais: | Garcia, Fabiane Maia |
| Assunto: | Democracia Autonomia Política e educação Democracy Autonomy Politics and education |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O estudo “ Escola, democracia e autonomia: uma análise das políticas e práticas no cotidiano escolar” teve como objetivo analisar as políticas e as práticas de autonomia e de democracia no cotidiano escolar, inseridas em um processo de consolidação democrática e de busca da autonomia. Corresponde a uma investigação de natureza qualitativa, num desenho de estudo de caso, empiricamente realizado em uma escola ficticiamente denominada Ipanoré. A técnica usada na sistematização dos dados foi a análise de conteúdo mediada pelo uso de dois softwares de apoio à análise de dados qualitativos, o WebQDA e o Nvivo10. A análise proposta se apresenta a partir de três contextos teóricos desenvolvidos ao longo da tese - conformidade, contestação e conflagração - que percorrem transversalmente a compreensão da temática e dos dados resultantes da pesquisa empírica. A conformidade corresponde às teorias e às experiências tradicionalmente descritas como hegemónicas, com sucessivas adequações para assegurar o pleno funcionamento do capitalismo. A contestação representa as teorias responsáveis por evocar as principais demandas democráticas, a partir das lutas e da participação nas esferas formais de decisão. A conflagração dá nome às teorias vinculativas à ideia de democracia radical, em que o conflito e o indivíduo (organizado ou não) são necessários a uma sociedade diferente da que agora se apresenta. De maneira especial, a pesquisa empírica põe em evidência uma interpretação que conjuga os referenciais teóricos, as questões metodológicas e os resultados, alicerçados na formulação dos três contextos ( conformidade, contestação e conflagração), de dois planos de análise ( plano da realidade e plano da idealidade) e de quatro categorias ( democracia, autonomia, consenso e conflito). Quanto às categorias importa mencionar que tradicionalmente são definidas como pré-existentes ou emergentes, mas neste estudo se apresentam numa lógica diferenciada, sendo resultantes de uma composição de sucessivas análises que as tornam representativas, tanto dos três contextos teóricos produzidos, quanto dos dois planos de análise revelados nos dados obtidos e, aí, podendo ser tipificadas como categorias compostas. Os resultados alcançados entrelaçam a pesquisa teórica e a pesquisa empírica que sustentaram pressupostos, os quais, desde o início, davam conta de que as políticas públicas instituídas na escola não se apresentavam a partir da participação direta dos seus agentes. Ao mesmo tempo, foi possível evidenciar que a tradição histórica e epistemológica contribuiu para a manutenção de uma lógica que separa os que pensam daqueles que executam. Por esse prisma, a escola, por vias da conformidade, ainda se conserva como espaço de reprodução das políticas, em que a burocracia ordena a prática participativa dos sujeitos escolares, convertendo-a em formalidades, em passividades e em convergências. Por outro lado, as políticas democráticas legalmente instituídas e ligadas aos princípios da competição, da seleção e do mérito não conseguem impedir que os sujeitos, em suas práticas cotidianas, possam vislumbrar saídas rumo a uma democracia radical. A investigação, em suas análises e conclusões, expressa as opções políticas e metodológicas adotadas, mas não se esforça em perspetivar receituários e tão pouco se apresenta como avaliadora daquilo que pensam e/ou que fazem os sujeitos no cotidiano da escola Ipanoré. |
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