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Os "estranhos" do passado: as ideias de estudantes do 10º ano de escolaridade acerca da Empatia Histórica
| Summary: | O presente relatório de estágio surge na sequência da intervenção pedagógica supervisionada desenvolvida junto de uma turma do 10.º ano de escolaridade, na disciplina de História A, no ano letivo de 2021/2022, numa escola do concelho de Braga. A observação inicial em sala de aula fez emergir o problema de investigação que se prendeu com o facto de os estudantes tecerem, frequentemente, comentários depreciativos em relação aos seres humanos do passado, revelando um entendimento que coloca até em causa a racionalidade, a moralidade e a humanidade destes últimos (Lee, 2003). Desta forma, optámos por trabalhar o conceito de empatia histórica, com uma abordagem educativa associada aos pressupostos do Novo Humanismo (Rüsen, 2021), numa lógica de orientação temporal, tendo a seguinte questão de investigação major: “Como é que os estudantes compreendem o outro (ser humano) do passado quando desafiados a pensar de forma historicamente empática?”. Ancorados nos pressupostos do construtivismo-social (Tavares & Alarcão, 1989), o modelo de aula-oficina (Barca, 2004) e atendendo aos documentos curriculares orientadores em vigor, partimos de um conhecimento das ideias prévias dos estudantes para a conceção de tarefas desafiadoras que integrassem fontes históricas diversas e que tomassem em consideração as dificuldades e know-how de todos os estudantes, atendendo-se às dinâmicas de trabalho escrito, oral, individual e colaborativo. O estudo de investigação inerente à intervenção pedagógica supervisionada é de cariz qualitativo, interpretativo e descritivo, tendo a análise qualitativa e quantitativa dos dados empíricos sido inspirada nas propostas da Grounded Theory (Charmaz, 2009). Assim, no momento inicial (ideias prévias), os estudantes manifestaram ideias de empatia histórica pouco sofisticadas, nomeadamente no que concerne ao conceito de “escravo” e à sua (capacidade de) agência. No entanto, quando questionados sobre o conceito de “ser humano”, a “agência” (e a sua capacidade para tal) foi um dos alvos de maior enfoque. Já num momento próximo do final, quando desafiados a pensar mais diretamente de forma historicamente empática por meio de um exercício dilemático (escrito e individual), a grande maioria dos estudantes expressou ideias que sugerem um entendimento que parece operar na linha da empatia histórica (atendendo aos objetivos, intenções, crenças e/ou ideias no passado, ou a um contexto mais amplo), revelando um esforço em colocar-se no lugar do outro. |
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| Main Authors: | Maio, Samuel André Fernandes |
| Subject: | Educação Histórica Empatia Histórica Novo Humanismo Orientação temporal Pessoa escravizada Enslaved Person History Education Historical Empathy New Humanism Temporal Orientation Ciências Sociais::Ciências da Educação |
| Year: | 2024 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade do Minho |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Summary: | O presente relatório de estágio surge na sequência da intervenção pedagógica supervisionada desenvolvida junto de uma turma do 10.º ano de escolaridade, na disciplina de História A, no ano letivo de 2021/2022, numa escola do concelho de Braga. A observação inicial em sala de aula fez emergir o problema de investigação que se prendeu com o facto de os estudantes tecerem, frequentemente, comentários depreciativos em relação aos seres humanos do passado, revelando um entendimento que coloca até em causa a racionalidade, a moralidade e a humanidade destes últimos (Lee, 2003). Desta forma, optámos por trabalhar o conceito de empatia histórica, com uma abordagem educativa associada aos pressupostos do Novo Humanismo (Rüsen, 2021), numa lógica de orientação temporal, tendo a seguinte questão de investigação major: “Como é que os estudantes compreendem o outro (ser humano) do passado quando desafiados a pensar de forma historicamente empática?”. Ancorados nos pressupostos do construtivismo-social (Tavares & Alarcão, 1989), o modelo de aula-oficina (Barca, 2004) e atendendo aos documentos curriculares orientadores em vigor, partimos de um conhecimento das ideias prévias dos estudantes para a conceção de tarefas desafiadoras que integrassem fontes históricas diversas e que tomassem em consideração as dificuldades e know-how de todos os estudantes, atendendo-se às dinâmicas de trabalho escrito, oral, individual e colaborativo. O estudo de investigação inerente à intervenção pedagógica supervisionada é de cariz qualitativo, interpretativo e descritivo, tendo a análise qualitativa e quantitativa dos dados empíricos sido inspirada nas propostas da Grounded Theory (Charmaz, 2009). Assim, no momento inicial (ideias prévias), os estudantes manifestaram ideias de empatia histórica pouco sofisticadas, nomeadamente no que concerne ao conceito de “escravo” e à sua (capacidade de) agência. No entanto, quando questionados sobre o conceito de “ser humano”, a “agência” (e a sua capacidade para tal) foi um dos alvos de maior enfoque. Já num momento próximo do final, quando desafiados a pensar mais diretamente de forma historicamente empática por meio de um exercício dilemático (escrito e individual), a grande maioria dos estudantes expressou ideias que sugerem um entendimento que parece operar na linha da empatia histórica (atendendo aos objetivos, intenções, crenças e/ou ideias no passado, ou a um contexto mais amplo), revelando um esforço em colocar-se no lugar do outro. |
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