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Análise por deteção remota do processo de urbanização difusa e seu efeito climático em Braga e Guimarães

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Resumo:A Deteção Remota, ao facultar uma visão sinótica e repetitiva do território, constitui um valioso recurso para a análise quantitativa dos padrões e processos de crescimento urbano (com base na evolução das superfícies impermeáveis antrópicas) e do seu efeito climático (a partir da temperatura de superfície), cuja relação se encontra longe de ser plenamente compreendida, particularmente em áreas de urbanização difusa. Neste quadro, pretende-se, com base numa análise multitemporal e multiespectral, determinar as tendências de mudança nas componentes biofísicas (industrial/pedreiras, superfícies impermeáveis antrópicas, solo nu, vegetação herbácea/arbustiva e/ou esparsa, vegetação arbórea e/ou densa e água) que influenciam o ambiente térmico urbano, e consequentemente avaliar o efeito climático da urbanização no município de Braga e de Guimarães, historicamente de matriz difusa. A análise das componentes biofísicas evidencia um aumento linear do tecido urbano entre 1984 e 2016, que se repercutiu no decréscimo proporcional do território permeável, constituindo o solo nu a componente biofísica mais exaurida. Fruto do crescimento urbano, o território deixa de se caracterizar por núcleos quentes espacialmente circunscritos (i.e., ilhas de calor de superfície) e passa a exibir uma rede complexa e interconectada de áreas quentes (ou mesmo muito quentes), apenas marginalmente ladeadas por áreas frescas onde subsistem povoamentos florestais. Com efeito, o crescimento difuso promove uma homogeneização térmica do território, alienando a metáfora da ilha de calor de superfície, que ancorada na rede viária ramifica em diversos sentidos, numa configuração rizomática. Não obstante este quadro comum a Braga e Guimarães, o padrão térmico reflete os particularismos do respetivo modelo territorial; assim, em Braga, o maior confinamento do crescimento urbano ao interior do perímetro urbano, promove uma acentuação das diferenças térmicas entre o interior (quente) e o exterior (mais fresco) desta delimitação administrativa; ao passo que, em Guimarães uma mesma tendência visível até 2007, volta a diluir-se, consequência da sempre presente dispersão urbana e industrial. Ademais, verifica-se uma atenuação dos contrastes térmicos de vizinhança, que enfraquecerá a regulação climática local – alicerçada no sistema de brisas –, remetida cada vez mais para o monte da Penha, em Guimarães, e para os Três Sacromontes, em Braga, ambos os interflúvios profundamente ameaçados pelo avançar sistemático da construção.
Autores principais:Pinheiro, Catarina Isabel Fernandes Almeida
Assunto:Braga e Guimarães Crescimento urbano Deteção Remota Ilha de calor de superfície Urbanização difusa Diffuse urbanization Braga and Guimarães Remote Sensing Surface heat island Urban growth
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A Deteção Remota, ao facultar uma visão sinótica e repetitiva do território, constitui um valioso recurso para a análise quantitativa dos padrões e processos de crescimento urbano (com base na evolução das superfícies impermeáveis antrópicas) e do seu efeito climático (a partir da temperatura de superfície), cuja relação se encontra longe de ser plenamente compreendida, particularmente em áreas de urbanização difusa. Neste quadro, pretende-se, com base numa análise multitemporal e multiespectral, determinar as tendências de mudança nas componentes biofísicas (industrial/pedreiras, superfícies impermeáveis antrópicas, solo nu, vegetação herbácea/arbustiva e/ou esparsa, vegetação arbórea e/ou densa e água) que influenciam o ambiente térmico urbano, e consequentemente avaliar o efeito climático da urbanização no município de Braga e de Guimarães, historicamente de matriz difusa. A análise das componentes biofísicas evidencia um aumento linear do tecido urbano entre 1984 e 2016, que se repercutiu no decréscimo proporcional do território permeável, constituindo o solo nu a componente biofísica mais exaurida. Fruto do crescimento urbano, o território deixa de se caracterizar por núcleos quentes espacialmente circunscritos (i.e., ilhas de calor de superfície) e passa a exibir uma rede complexa e interconectada de áreas quentes (ou mesmo muito quentes), apenas marginalmente ladeadas por áreas frescas onde subsistem povoamentos florestais. Com efeito, o crescimento difuso promove uma homogeneização térmica do território, alienando a metáfora da ilha de calor de superfície, que ancorada na rede viária ramifica em diversos sentidos, numa configuração rizomática. Não obstante este quadro comum a Braga e Guimarães, o padrão térmico reflete os particularismos do respetivo modelo territorial; assim, em Braga, o maior confinamento do crescimento urbano ao interior do perímetro urbano, promove uma acentuação das diferenças térmicas entre o interior (quente) e o exterior (mais fresco) desta delimitação administrativa; ao passo que, em Guimarães uma mesma tendência visível até 2007, volta a diluir-se, consequência da sempre presente dispersão urbana e industrial. Ademais, verifica-se uma atenuação dos contrastes térmicos de vizinhança, que enfraquecerá a regulação climática local – alicerçada no sistema de brisas –, remetida cada vez mais para o monte da Penha, em Guimarães, e para os Três Sacromontes, em Braga, ambos os interflúvios profundamente ameaçados pelo avançar sistemático da construção.