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Memórias constitutivas de raparigas sobre relacionamentos amorosos num bairro periférico de Manaus

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Detalhes bibliográficos
Resumo:[Participaram no estudo por Análise de Discurso, segundo o modelo de Pêcheux, seis raparigas (16-19 anos), selecionadas por critério educativo de insucesso escolar. Uma das autoras, residente na capital da Amazónia - Brasil, realizou entrevistas semiestruturadas individuais e grupo focal sobre os quotidianos e os relacionamentos amorosos numa comunidade periférica. Os objetivos foram a observação e intervenção na favela, sabendo da educação (sexual) em família, de bons e maus relacionamentos e do futuro ambicionado. A linguagem é o que nos permitiu falar de educação sexual, pensar na escola, compreender o que nos rodeava como o amor, misto de amizade e paixão a dois, suspensa a realidade por ficção, limitada a imparcialidade e a estratégia de coping. As questões abertas propiciaram a conversação para a construção temática de conceitos-análise. Partiu-se da praça da Colónia António Aleixo para a igreja, onde se encontram sempre jovens em namorinho, breve azarar ou paquera. Ilustrou-se o desejar como uma ficção, um vínculo literário, um romance – pegar, ficar, namorar… Mas com a gravidez inesperada destacou-se a precocidade, a relação sexual sem compromisso (o ficar) até ao provisório ficar junto. Talvez seja de imaginar a ínfima probabilidade de que a visão do oásis seja real, tal como a paixão levar ao amor, quando se enfatizou o amor grudado, bandido, ciumento. Uma das participantes é mãe de um filho de dois anos e outra encontrava-se grávida, sem companheiros. Até noivando as separações são brigadas. Para a amostragem textual se narram mudanças intensas nos relacionamentos amorosos e sexuais. Caracterizado o ambiente arriscado por toxicodependência, teve-se primeiro em conta a conceção de parceiro, de tipo galeroso, amante de farras, bebidas e amizades. Sendo crenças, superstições e preconceitos resistentes nos interdiscursos – memórias constitutivas - seguiu-se o propósito de inquirir mais além do viver familiar e relacionamentos no bairro, o que seja entendido por adolescências: o gaiato, o participante de fação de bandidos (de galera) e o rapazlegal, respeitador, ligadasfalas a formações discursivas ditas tradicionais e patriarcais, em que ele seja idealizado trabalhador ou provedor e cuidador. Entretanto a mãe de família numerosa assume trabalho, responsabilidade económica e educativa delas, repetidas adolescências. Grávidas, nem usaram métodos contracetivos, por entenderem serem pouco frequentes as interações, sem transar direto com companheiros possessivos, que as colocam a escolher entre eles e escola. Debatidos amiúde com mães, eles vivem a exibir-se, fazendo gracinha, mexendo com as meninas. Podem ser malandros, oferecidos, intrometidos (apresentados). As jovens podem tomar-se por tímidas, reservadas, presas em casa, trancadas, reparadas (cuidadas) por irmãos. Os pais biológicos ou padrastos tendem a ausentarse e abusar de bebida. No futuro, elas ambicionam casar e/ou enquadrarem-se em profissões de estatuto superior, embora frequentem níveis escolares abaixo do esperado e as mudanças na dinâmica familiar sejam repetidas. Refletimos na desnaturalização de adolescencias e sexualidades, não apenas aspetos problemáticos, mas que ampliam as possibilidades de entendimentos de efeitos de práticas de vida nas famílias que não aceitam de imediato namoros, enquanto elas vivem alteradas por eles, por grupos e amigos.].
Autores principais:Zamith-Cruz, Judite
Outros Autores:Mourão, Vilma
Assunto:Raparigas Sexualidades Adolescências Amores Análise de discurso
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:outro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:[Participaram no estudo por Análise de Discurso, segundo o modelo de Pêcheux, seis raparigas (16-19 anos), selecionadas por critério educativo de insucesso escolar. Uma das autoras, residente na capital da Amazónia - Brasil, realizou entrevistas semiestruturadas individuais e grupo focal sobre os quotidianos e os relacionamentos amorosos numa comunidade periférica. Os objetivos foram a observação e intervenção na favela, sabendo da educação (sexual) em família, de bons e maus relacionamentos e do futuro ambicionado. A linguagem é o que nos permitiu falar de educação sexual, pensar na escola, compreender o que nos rodeava como o amor, misto de amizade e paixão a dois, suspensa a realidade por ficção, limitada a imparcialidade e a estratégia de coping. As questões abertas propiciaram a conversação para a construção temática de conceitos-análise. Partiu-se da praça da Colónia António Aleixo para a igreja, onde se encontram sempre jovens em namorinho, breve azarar ou paquera. Ilustrou-se o desejar como uma ficção, um vínculo literário, um romance – pegar, ficar, namorar… Mas com a gravidez inesperada destacou-se a precocidade, a relação sexual sem compromisso (o ficar) até ao provisório ficar junto. Talvez seja de imaginar a ínfima probabilidade de que a visão do oásis seja real, tal como a paixão levar ao amor, quando se enfatizou o amor grudado, bandido, ciumento. Uma das participantes é mãe de um filho de dois anos e outra encontrava-se grávida, sem companheiros. Até noivando as separações são brigadas. Para a amostragem textual se narram mudanças intensas nos relacionamentos amorosos e sexuais. Caracterizado o ambiente arriscado por toxicodependência, teve-se primeiro em conta a conceção de parceiro, de tipo galeroso, amante de farras, bebidas e amizades. Sendo crenças, superstições e preconceitos resistentes nos interdiscursos – memórias constitutivas - seguiu-se o propósito de inquirir mais além do viver familiar e relacionamentos no bairro, o que seja entendido por adolescências: o gaiato, o participante de fação de bandidos (de galera) e o rapazlegal, respeitador, ligadasfalas a formações discursivas ditas tradicionais e patriarcais, em que ele seja idealizado trabalhador ou provedor e cuidador. Entretanto a mãe de família numerosa assume trabalho, responsabilidade económica e educativa delas, repetidas adolescências. Grávidas, nem usaram métodos contracetivos, por entenderem serem pouco frequentes as interações, sem transar direto com companheiros possessivos, que as colocam a escolher entre eles e escola. Debatidos amiúde com mães, eles vivem a exibir-se, fazendo gracinha, mexendo com as meninas. Podem ser malandros, oferecidos, intrometidos (apresentados). As jovens podem tomar-se por tímidas, reservadas, presas em casa, trancadas, reparadas (cuidadas) por irmãos. Os pais biológicos ou padrastos tendem a ausentarse e abusar de bebida. No futuro, elas ambicionam casar e/ou enquadrarem-se em profissões de estatuto superior, embora frequentem níveis escolares abaixo do esperado e as mudanças na dinâmica familiar sejam repetidas. Refletimos na desnaturalização de adolescencias e sexualidades, não apenas aspetos problemáticos, mas que ampliam as possibilidades de entendimentos de efeitos de práticas de vida nas famílias que não aceitam de imediato namoros, enquanto elas vivem alteradas por eles, por grupos e amigos.].