Publicação
Desenvolvimento de partículas muco-penetrantes para o tratamento de infeções das vias respiratórias inferiores
| Resumo: | O aumento da resistência antimicrobiana, aliado à escassez de novos antibióticos, levou à reconsideração do uso de polimixinas, agentes antimicrobianos com potencial terapêutico no tratamento de infeções respiratórias causadas por bactérias Gram-negativas multirresistentes, mas cuja utilização na prática clínica tinha sido amplamente limitada devido à sua toxicidade significativa. Para mitigar os efeitos adversos associados a esta classe de antimicrobianos e otimizar a sua administração, diferentes abordagens, incluindo sistemas de administração pulmonar à base de nanopartículas, como lipossomas, têm sido desenvolvidas. Neste sentido, no presente estudo, prepararam-se lipossomas PEGuilados encapsulando sulfato de polimixina B. Estas formulações exibiram propriedades físico-químicas apropriadas à aplicação desejada graças à sua uniformidade e carga superficial neutra (0,956 ± 0,045 mv) e ao seu tamanho de partícula reduzido (159,6 ± 0,872 nm). A integridade e morfologia das vesículas lipossómicas foi confirmada por microscopia eletrónica de transmissão e varrimento. Limitações no método de quantificação cromatográfico impossibilitaram a determinação da eficiência de encapsulação em tempo útil. No entanto, foi possível analisar o perfil de libertação in vitro da polimixina do interior dos lipossomas, o qual revelou uma maior libertação da mesma em ambientes acidificados, o que foi consistente com uma maior atividade antimicrobiana observada nessas condições. A encapsulação da polimixina em nanopartículas diminuiu a sua eficácia antimicrobiana (MIC ≤ 12 mg/L, em pH 7,4, 7 e 6 e MIC ≤ 3,12 mg/L, em pH 5), em comparação com a sua forma livre (MIC = 4 mg/mL, em pH 7,4, 7 e 6 e MIC = 2,00 mg/mL em pH 5). Para além do pH e do encapsulamento, também a quantidade inicial de fármaco encapsulado teve influência direta na sua libertação e na atividade antimicrobiana, sendo que as amostras formuladas com uma menor concentração de polimixina obtiveram resultados mais promissores nos ensaios de suscetibilidade in vitro. |
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| Autores principais: | Nogueira, Ana Beatriz Leite |
| Assunto: | Infeções respiratórias inferiores Lipossomas Polimixinas Partículas muco-penetrantes Liposomes Lower respiratory infection Mucus-penetrating particles Polymyxins |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O aumento da resistência antimicrobiana, aliado à escassez de novos antibióticos, levou à reconsideração do uso de polimixinas, agentes antimicrobianos com potencial terapêutico no tratamento de infeções respiratórias causadas por bactérias Gram-negativas multirresistentes, mas cuja utilização na prática clínica tinha sido amplamente limitada devido à sua toxicidade significativa. Para mitigar os efeitos adversos associados a esta classe de antimicrobianos e otimizar a sua administração, diferentes abordagens, incluindo sistemas de administração pulmonar à base de nanopartículas, como lipossomas, têm sido desenvolvidas. Neste sentido, no presente estudo, prepararam-se lipossomas PEGuilados encapsulando sulfato de polimixina B. Estas formulações exibiram propriedades físico-químicas apropriadas à aplicação desejada graças à sua uniformidade e carga superficial neutra (0,956 ± 0,045 mv) e ao seu tamanho de partícula reduzido (159,6 ± 0,872 nm). A integridade e morfologia das vesículas lipossómicas foi confirmada por microscopia eletrónica de transmissão e varrimento. Limitações no método de quantificação cromatográfico impossibilitaram a determinação da eficiência de encapsulação em tempo útil. No entanto, foi possível analisar o perfil de libertação in vitro da polimixina do interior dos lipossomas, o qual revelou uma maior libertação da mesma em ambientes acidificados, o que foi consistente com uma maior atividade antimicrobiana observada nessas condições. A encapsulação da polimixina em nanopartículas diminuiu a sua eficácia antimicrobiana (MIC ≤ 12 mg/L, em pH 7,4, 7 e 6 e MIC ≤ 3,12 mg/L, em pH 5), em comparação com a sua forma livre (MIC = 4 mg/mL, em pH 7,4, 7 e 6 e MIC = 2,00 mg/mL em pH 5). Para além do pH e do encapsulamento, também a quantidade inicial de fármaco encapsulado teve influência direta na sua libertação e na atividade antimicrobiana, sendo que as amostras formuladas com uma menor concentração de polimixina obtiveram resultados mais promissores nos ensaios de suscetibilidade in vitro. |
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