Publicação
Phenotypic plasticity of habitat use by the European eel, Anguilla anguilla (Linnaeus, 1758) in the Minho River
| Resumo: | O decréscimo populacional da enguia europeia (Anguilla anguilla), desde a década de 1980, tem origem numa combinação de factores ambientais e antrópicos. Estudos anteriores mostram que as enguias apresentam diferentes estratégias de uso de habitat e este comportamento pode ter um papel chave no estado de saúde das populações. Assim sendo, os objeticos deste estudo foram: i) identificar o padrão de uso de habitat da Enguia Europeia (a partir deste ponto, enguia) no Rio Minho (SO, Europa), ii) avaliar a condição dos indivíduos associado a cada estratégia, e iii) investigar se a forma dos otólitos permite a discriminação entre grupos de indivíduos, de acordo com a estratégia de uso de habitat. Para isso, 80 enguias foram recolhidas em três localizações ao longo do gradiente de salinidade e os rácios de Sr:Ca e Ba:Ca dos otólitos foram usados para reconstruir o uso de habitat. Todos os indivíduos foram classificados como residentes em água salobra, residentes em água doce, nómadas para montante, nómadas para jusante ou nómadas entre habitats. Como indicadores da condição das enguias, o índice de Fulton, índice hepatosomático, conteúdo de lípidos no músculo e a infeção da bexiga natatória pelo nemátode Anguillicola crassus foram avaliados. Para distinguir as enguias entre grupos de acordo com a estratégia, a microestrutura dos otólitos foi analisada utilizando os seguintes índices de forma: fator de forma, arredondamento, circularidade, retangularidade elipticidade. Os resultados mostraram que as enguias têm diferentes padrões de uso de habitat, que variam entre táticas residentes e nómadas. A percentagem de residentes (51%) e de nómadas (49%) foram similares entre as enguias analisadas. Apesar disso, a tática dominante foi a nómada entre habitats (39%), seguido das táticas de residência – água salobra (26%) e água doce (25%). Nem todas as enguias entraram em água doce até à data da captura (26%), sugerindo estratégias de ciclo de vida alternativas à catadromia. A estratégia dominante não está associada a uma melhor condição; os grupos que mostraram valores de mediana mais elevados para os índice hepatosomatico e de conteúdo lipídio foram os residentes em água salobra e os nómadas para montante. Estes grupos também mostraram a percentagem mais baixa de prevalência do parasita A. crassus. Este estudo realça a importância dos habitats estuarinos na conservação e gestão desta espécie. Os índices de forma dos otólitos foram mais eficazes a distinguir os indivíduos com maior permanência em água doce ou salobra do que a discriminar entre estratégias de uso do habitat. |
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| Autores principais: | Gomes, Alexandre Manuel Calheiros Pereira |
| Assunto: | Ecologia Plasticidade de uso de habitat Química dos otólitos Microestrutura Avaliação da condição Ecology Habitat use plasticity Otolith chemistry Microstructure Condition assessment |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O decréscimo populacional da enguia europeia (Anguilla anguilla), desde a década de 1980, tem origem numa combinação de factores ambientais e antrópicos. Estudos anteriores mostram que as enguias apresentam diferentes estratégias de uso de habitat e este comportamento pode ter um papel chave no estado de saúde das populações. Assim sendo, os objeticos deste estudo foram: i) identificar o padrão de uso de habitat da Enguia Europeia (a partir deste ponto, enguia) no Rio Minho (SO, Europa), ii) avaliar a condição dos indivíduos associado a cada estratégia, e iii) investigar se a forma dos otólitos permite a discriminação entre grupos de indivíduos, de acordo com a estratégia de uso de habitat. Para isso, 80 enguias foram recolhidas em três localizações ao longo do gradiente de salinidade e os rácios de Sr:Ca e Ba:Ca dos otólitos foram usados para reconstruir o uso de habitat. Todos os indivíduos foram classificados como residentes em água salobra, residentes em água doce, nómadas para montante, nómadas para jusante ou nómadas entre habitats. Como indicadores da condição das enguias, o índice de Fulton, índice hepatosomático, conteúdo de lípidos no músculo e a infeção da bexiga natatória pelo nemátode Anguillicola crassus foram avaliados. Para distinguir as enguias entre grupos de acordo com a estratégia, a microestrutura dos otólitos foi analisada utilizando os seguintes índices de forma: fator de forma, arredondamento, circularidade, retangularidade elipticidade. Os resultados mostraram que as enguias têm diferentes padrões de uso de habitat, que variam entre táticas residentes e nómadas. A percentagem de residentes (51%) e de nómadas (49%) foram similares entre as enguias analisadas. Apesar disso, a tática dominante foi a nómada entre habitats (39%), seguido das táticas de residência – água salobra (26%) e água doce (25%). Nem todas as enguias entraram em água doce até à data da captura (26%), sugerindo estratégias de ciclo de vida alternativas à catadromia. A estratégia dominante não está associada a uma melhor condição; os grupos que mostraram valores de mediana mais elevados para os índice hepatosomatico e de conteúdo lipídio foram os residentes em água salobra e os nómadas para montante. Estes grupos também mostraram a percentagem mais baixa de prevalência do parasita A. crassus. Este estudo realça a importância dos habitats estuarinos na conservação e gestão desta espécie. Os índices de forma dos otólitos foram mais eficazes a distinguir os indivíduos com maior permanência em água doce ou salobra do que a discriminar entre estratégias de uso do habitat. |
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