Publicação
Fraude alimentar em Portugal: perceção e comportamento dos consumidores
| Resumo: | O setor agroalimentar é um dos setores económicos basilares da nossa sociedade, pelo que merece uma atenção especial de todos os agentes que nele intervêm. Existe, por isso, uma preocupação constante em reduzir as suas vulnerabilidades e de diminuir os riscos em toda a cadeia alimentar. A fraude alimentar, não sendo um fenómeno recente, é complexa e representa uma preocupação e ameaça permanente em todo o mundo. Esta agrega um conjunto de atos ilícitos, deliberados e intencionais, tendente a obter benefícios económicos. Contudo, ainda não existe uma definição precisa e consensual deste conceito, a qual seria particularmente útil nas situações que requerem intervenção judicial. Adicionalmente, este fenómeno apresenta uma prevalência com características cada vez mais ardilosas, sendo um constante incómodo e desafio para as autoridades, reguladores, indústrias, distribuidores e consumidores, devido à diversidade de fraudes existentes e à necessidade de ajuste contínuo dos mecanismos de controlo e prevenção, promovendo constantes/novos desafios aos laboratórios de ensaios analíticos. O objetivo deste estudo consistiu em compreender a perspetiva do consumidor português face à fraude alimentar, com base na sua experiência, perceção e conhecimento, integrando duas abordagens complementares, uma de cariz qualitativo, com recurso à realização de entrevistas presenciais, e outra de cariz quantitativo, operacionalizada através de inquéritos online aos consumidores. Com base na informação recolhida, efetuou-se a análise e o tratamento dos dados através de metodologias estatísticas e de análise de conteúdo, com o recurso aos Softwares SPSS, Nvivo 12 e Excel. Os resultados das entrevistas conduziram à construção de um inquérito mais robusto. Por sua vez, os resultados dos inquéritos revelaram que dos 80 itens analisados por estatísticas inferenciais, apenas em 20% destes se verificaram diferenças significativas nas perceções, atitudes e comportamentos dos consumidores inquiridos expostos e não expostos à fraude alimentar. Destacam-se as questões relacionadas com a frequência da fraude alimentar e o grau de confiança em alguns aspetos relacionados com produtos alimentares, com um maior número de itens com diferenças significativas. As principais ideias a reter deste estudo prendem-se com o reconhecimento da existência de fraude alimentar pelos inquiridos, e com as suas implicações na saúde. Por outro lado, os inquiridos reconhecem que este fenómeno não lhes é indiferente e podem ter um papel ativo na sua prevenção e combate. Consideraram ainda que o comércio eletrónico é o canal mais vulnerável para a ocorrência de fraude e que a categoria de produtos “Carne e Produtos à base de carne” é a mais suscetível a este fenómeno. Os resultados revelaram também que os inquiridos tendem a comprar em locais de confiança, mostram uma comedida confiança na atuação das entidades no controlo e fiscalização e consideram que o grande motor da fraude é a obtenção de maiores lucros e a falta de ética. |
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| Autores principais: | Sousa, Isabel Fernanda Silva Fontes de |
| Assunto: | Entrevistas Fraude alimentar Inquéritos online Perceção consumidor Portugal Interviews Food fraud Online surveys Consumer perception |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O setor agroalimentar é um dos setores económicos basilares da nossa sociedade, pelo que merece uma atenção especial de todos os agentes que nele intervêm. Existe, por isso, uma preocupação constante em reduzir as suas vulnerabilidades e de diminuir os riscos em toda a cadeia alimentar. A fraude alimentar, não sendo um fenómeno recente, é complexa e representa uma preocupação e ameaça permanente em todo o mundo. Esta agrega um conjunto de atos ilícitos, deliberados e intencionais, tendente a obter benefícios económicos. Contudo, ainda não existe uma definição precisa e consensual deste conceito, a qual seria particularmente útil nas situações que requerem intervenção judicial. Adicionalmente, este fenómeno apresenta uma prevalência com características cada vez mais ardilosas, sendo um constante incómodo e desafio para as autoridades, reguladores, indústrias, distribuidores e consumidores, devido à diversidade de fraudes existentes e à necessidade de ajuste contínuo dos mecanismos de controlo e prevenção, promovendo constantes/novos desafios aos laboratórios de ensaios analíticos. O objetivo deste estudo consistiu em compreender a perspetiva do consumidor português face à fraude alimentar, com base na sua experiência, perceção e conhecimento, integrando duas abordagens complementares, uma de cariz qualitativo, com recurso à realização de entrevistas presenciais, e outra de cariz quantitativo, operacionalizada através de inquéritos online aos consumidores. Com base na informação recolhida, efetuou-se a análise e o tratamento dos dados através de metodologias estatísticas e de análise de conteúdo, com o recurso aos Softwares SPSS, Nvivo 12 e Excel. Os resultados das entrevistas conduziram à construção de um inquérito mais robusto. Por sua vez, os resultados dos inquéritos revelaram que dos 80 itens analisados por estatísticas inferenciais, apenas em 20% destes se verificaram diferenças significativas nas perceções, atitudes e comportamentos dos consumidores inquiridos expostos e não expostos à fraude alimentar. Destacam-se as questões relacionadas com a frequência da fraude alimentar e o grau de confiança em alguns aspetos relacionados com produtos alimentares, com um maior número de itens com diferenças significativas. As principais ideias a reter deste estudo prendem-se com o reconhecimento da existência de fraude alimentar pelos inquiridos, e com as suas implicações na saúde. Por outro lado, os inquiridos reconhecem que este fenómeno não lhes é indiferente e podem ter um papel ativo na sua prevenção e combate. Consideraram ainda que o comércio eletrónico é o canal mais vulnerável para a ocorrência de fraude e que a categoria de produtos “Carne e Produtos à base de carne” é a mais suscetível a este fenómeno. Os resultados revelaram também que os inquiridos tendem a comprar em locais de confiança, mostram uma comedida confiança na atuação das entidades no controlo e fiscalização e consideram que o grande motor da fraude é a obtenção de maiores lucros e a falta de ética. |
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