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Homens na penumbra: violência sexual, masculinidades e trajetórias identitárias

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Resumo:A presente dissertação examina as interseções entre vitimização sexual e masculinidade, analisando a (re)construção identitária de homens que sofreram violência sexual na infância/adolescência. Partindo da Sociologia e dialogando com outras Ciências Sociais, o estudo investiga como tais experiências impactam a formação das identidades de gênero, contribuindo para o debate acadêmico e políticas públicas. A investigação utilizou uma abordagem qualitativa, fundamentada no estudo de casos múltiplos e na técnica de entrevista de história de vida, para captar as narrativas e os processos de ressignificação identitária. O estudo abrangeu treze homens residentes em Portugal, com idade igual ou superior a dezoito anos, que relataram vivências de violência sexual. As entrevistas foram complementadas por questionário sociodemográfico e analisadas sob uma perspectiva interseccional com recurso à análise de conteúdo temática. A análise interseccional revelou duas categorias principais: i) as experiências da violência (contextos, dinâmicas e desafios na revelação); e ii) seus impactos nas identidades de gênero e sexualidade. Os resultados mostram que a violência sexual contra homens permanece amplamente invisibilizada, sustentadas pela masculinidade normativa, que associa o masculino a força, invulnerabilidade e virilidade. Esses estereótipos dificultam não apenas o reconhecimento da própria experiência como violência - muitas vezes só identificada na vida adulta - mas também geram profundos sentimentos de culpa, vergonha e medo de julgamento. A pesquisa demonstra como essas experiências afetam significativamente a construção das identidades de gênero e a vivência da sexualidade, desestabilizando modelos tradicionais de masculinidade. A pesquisa identificou importantes processos de resiliência e ressignificação, possibilitados especialmente pelo acesso a redes de apoio, acompanhamento terapêutico e espaços seguros de acolhimento. Esses achados destacam a necessidade urgente de desconstruir os padrões rígidos de masculinidade ainda dominantes, bem como de incluir a perspectiva masculina nas políticas públicas de enfrentamento à violência sexual. A pesquisa aponta, finalmente, para a importância de ações educativas que possam não só prevenir novas violências, mas também criar condições sociais mais favoráveis para o acolhimento e a superação por parte dos sobreviventes.
Autores principais:Silva, Joana Teixeira Ferraz da
Assunto:Gênero Masculinidades Orientação sexual Vitimização sexual Violência Gender Masculinities Sexual orientation Sexual victimization Violence
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A presente dissertação examina as interseções entre vitimização sexual e masculinidade, analisando a (re)construção identitária de homens que sofreram violência sexual na infância/adolescência. Partindo da Sociologia e dialogando com outras Ciências Sociais, o estudo investiga como tais experiências impactam a formação das identidades de gênero, contribuindo para o debate acadêmico e políticas públicas. A investigação utilizou uma abordagem qualitativa, fundamentada no estudo de casos múltiplos e na técnica de entrevista de história de vida, para captar as narrativas e os processos de ressignificação identitária. O estudo abrangeu treze homens residentes em Portugal, com idade igual ou superior a dezoito anos, que relataram vivências de violência sexual. As entrevistas foram complementadas por questionário sociodemográfico e analisadas sob uma perspectiva interseccional com recurso à análise de conteúdo temática. A análise interseccional revelou duas categorias principais: i) as experiências da violência (contextos, dinâmicas e desafios na revelação); e ii) seus impactos nas identidades de gênero e sexualidade. Os resultados mostram que a violência sexual contra homens permanece amplamente invisibilizada, sustentadas pela masculinidade normativa, que associa o masculino a força, invulnerabilidade e virilidade. Esses estereótipos dificultam não apenas o reconhecimento da própria experiência como violência - muitas vezes só identificada na vida adulta - mas também geram profundos sentimentos de culpa, vergonha e medo de julgamento. A pesquisa demonstra como essas experiências afetam significativamente a construção das identidades de gênero e a vivência da sexualidade, desestabilizando modelos tradicionais de masculinidade. A pesquisa identificou importantes processos de resiliência e ressignificação, possibilitados especialmente pelo acesso a redes de apoio, acompanhamento terapêutico e espaços seguros de acolhimento. Esses achados destacam a necessidade urgente de desconstruir os padrões rígidos de masculinidade ainda dominantes, bem como de incluir a perspectiva masculina nas políticas públicas de enfrentamento à violência sexual. A pesquisa aponta, finalmente, para a importância de ações educativas que possam não só prevenir novas violências, mas também criar condições sociais mais favoráveis para o acolhimento e a superação por parte dos sobreviventes.

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