Publicação
Inovação e emprego em Portugal: o efeito do ciclo económico
| Resumo: | O impacto da inovação sobre o emprego é um tópico controverso na literatura económica. Os efeitos da inovação sobre a quantidade e qualidade do emprego, em particular, revelam-se diversos e até, por vezes, opostos, dependendo das características da inovação implementada. Por esta razão, alguns autores têm procurado explicar recentemente esta relação à luz de novas contribuições teóricas, como a influência dos ciclos económicos, por considerarem que estas diferenças – na propensão das empresas para inovar e, por conseguinte, contratar mais mão de obra (qualificada ou não) – podem ser em parte explicadas pelo contexto económico. A presente dissertação estuda, assim, a relação entre inovação e emprego nas empresas portuguesas em distintas fases do ciclo económico, contribuindo para a escassa literatura sobre o tema no país. Para este efeito, avalia-se a relação entre diferentes tipos de inovação (inovações de produto, processo, e de produto e processo) e o emprego nas empresas portuguesas durante a crise financeira iniciada em 2008/2009, o período subsequente de retoma e expansão, e a crise pandémica. Os resultados obtidos dos modelos de regressão linear múltipla para os efeitos da inovação sobre o volume e crescimento do emprego apontam no sentido de uma associação positiva entre inovação e emprego no setor empresarial português. As inovações de produto e processo, realizadas em conjunto, apresentam uma relação positiva e significativa com ambos osindicadores, em todos os ciclos, sendo pró-cíclicas no período de expansão e contracíclicas nos períodos de crise. Para a relação entre as inovações isoladas de produto e processo e o emprego em nível, encontra-se um padrão idêntico para o período da expansão, mas distinto para os períodos de crise, onde só a inovação de produto se apresenta positiva e significativa na crise financeira e a inovação de processo na crise pandémica. Quando considerado o crescimento do emprego, a inovação de produto é contracíclica na crise financeira e a inovação de processo pró-cíclica na expansão. Registam-se variações nesta relação entre empresas de diferente dimensão. Os resultados relativos à relação entre inovação e emprego qualificado, por sua vez, revelam um efeito pró-cíclico para a inovação conjunta e para a inovação de produto durante os períodos de retoma e expansão e um efeito contracíclico durante o período da crise financeira, e ainda uma relação mais ambígua para as inovações de processo. Conclui-se que as empresas com maior intensidade de inovação são mais robustas, mesmo em contextos económicos adversos. |
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| Autores principais: | Fraga, Bárbara Borges |
| Assunto: | Ciclo económico Emprego Inovação Inovação de processo Inovação de produto Business cycle Employment Innovation Process innovation Product innovation |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O impacto da inovação sobre o emprego é um tópico controverso na literatura económica. Os efeitos da inovação sobre a quantidade e qualidade do emprego, em particular, revelam-se diversos e até, por vezes, opostos, dependendo das características da inovação implementada. Por esta razão, alguns autores têm procurado explicar recentemente esta relação à luz de novas contribuições teóricas, como a influência dos ciclos económicos, por considerarem que estas diferenças – na propensão das empresas para inovar e, por conseguinte, contratar mais mão de obra (qualificada ou não) – podem ser em parte explicadas pelo contexto económico. A presente dissertação estuda, assim, a relação entre inovação e emprego nas empresas portuguesas em distintas fases do ciclo económico, contribuindo para a escassa literatura sobre o tema no país. Para este efeito, avalia-se a relação entre diferentes tipos de inovação (inovações de produto, processo, e de produto e processo) e o emprego nas empresas portuguesas durante a crise financeira iniciada em 2008/2009, o período subsequente de retoma e expansão, e a crise pandémica. Os resultados obtidos dos modelos de regressão linear múltipla para os efeitos da inovação sobre o volume e crescimento do emprego apontam no sentido de uma associação positiva entre inovação e emprego no setor empresarial português. As inovações de produto e processo, realizadas em conjunto, apresentam uma relação positiva e significativa com ambos osindicadores, em todos os ciclos, sendo pró-cíclicas no período de expansão e contracíclicas nos períodos de crise. Para a relação entre as inovações isoladas de produto e processo e o emprego em nível, encontra-se um padrão idêntico para o período da expansão, mas distinto para os períodos de crise, onde só a inovação de produto se apresenta positiva e significativa na crise financeira e a inovação de processo na crise pandémica. Quando considerado o crescimento do emprego, a inovação de produto é contracíclica na crise financeira e a inovação de processo pró-cíclica na expansão. Registam-se variações nesta relação entre empresas de diferente dimensão. Os resultados relativos à relação entre inovação e emprego qualificado, por sua vez, revelam um efeito pró-cíclico para a inovação conjunta e para a inovação de produto durante os períodos de retoma e expansão e um efeito contracíclico durante o período da crise financeira, e ainda uma relação mais ambígua para as inovações de processo. Conclui-se que as empresas com maior intensidade de inovação são mais robustas, mesmo em contextos económicos adversos. |
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