Publicação
Trabalho por turnos e vida familiar e social: caracterização e contributos para a intervenção
| Resumo: | O tempo que um indivíduo dedica à sua família está dependente do tempo que esse indivíduo despende com o seu trabalho. A esse propósito, os horários de trabalho atípicos que envolvam a laboração em períodos muito valorizados do ponto de vista familiar e social como o trabalho por turnos podem despoletar diversos problemas a nível da conciliação entre a esfera do trabalho e a esfera familiar. O presente trabalho tem como principal objetivo compreender, em contexto português, os efeitos do horário de trabalho por turnos na vida familiar e social, segundo a perspetiva dos trabalhadores e dos seus familiares (cônjuges e filhos). Constitui ainda como objetivo, comparar a perspetiva destes participantes com a perspetiva de indivíduos (trabalhadores e familiares) afetos ao horário normal de trabalho. Os dados foram recolhidos a nível nacional com aplicação de questionários em formato digital. No total, participaram no estudo 1201 trabalhadores, 161 cônjuges/companheiros e 52 filhos. Os resultados apontam para uma elevada interferência do trabalho por turnos na vida familiar e social, reportada tanto pelos trabalhadores como pelos seus familiares. O suporte da empresa na gestão dos horários de trabalho está negativamente associado com a perceção de conflito dos trabalhadores por turnos e medeia parcialmente a relação deste conflito com outras variáveis. Comparando os horários de trabalho, verificam-se diferenças estatisticamente significativas entre todas as dimensões analisadas: conflito entre o horário de trabalho e a família, satisfação com horário de trabalho, bem-estar pessoal, coesão e expressividade familiar, autoeficácia percebida para o sucesso académico e expectativas de experiências de trabalho positivas. Em concreto, os trabalhadores por turnos e os seus cônjuges reportam maior conflito, menor satisfação, bem-estar e coesão e expressividade familiar. Por sua vez, os filhos de trabalhadores por turnos percecionam maior conflito, menor autoeficácia para o sucesso académico e menores expectativas do que os seus homónimos do horário normal. Relativamente às análises diádicas, identifica-se a presença de alguns efeitos de ator e de parceiro ao nível das díades trabalhadores cônjuges. Partindo da revisão da literatura e dos resultados obtidos, a parte final da Tese é dedicada à apresentação de estratégias de intervenção passíveis de auxiliarem os trabalhadores, as famílias e as organizações a lidar com o horário de trabalho por turnos assim como da versão preliminar do guião elaborado no contexto do presente trabalho. |
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| Autores principais: | Costa, Daniela Filipa Machado da |
| Assunto: | Horários de trabalho Intervenção Perspetiva dos familiares Trabalho por turnos Vida familiar e social Family and social life Family perspective Intervention Shift work Work schedules |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O tempo que um indivíduo dedica à sua família está dependente do tempo que esse indivíduo despende com o seu trabalho. A esse propósito, os horários de trabalho atípicos que envolvam a laboração em períodos muito valorizados do ponto de vista familiar e social como o trabalho por turnos podem despoletar diversos problemas a nível da conciliação entre a esfera do trabalho e a esfera familiar. O presente trabalho tem como principal objetivo compreender, em contexto português, os efeitos do horário de trabalho por turnos na vida familiar e social, segundo a perspetiva dos trabalhadores e dos seus familiares (cônjuges e filhos). Constitui ainda como objetivo, comparar a perspetiva destes participantes com a perspetiva de indivíduos (trabalhadores e familiares) afetos ao horário normal de trabalho. Os dados foram recolhidos a nível nacional com aplicação de questionários em formato digital. No total, participaram no estudo 1201 trabalhadores, 161 cônjuges/companheiros e 52 filhos. Os resultados apontam para uma elevada interferência do trabalho por turnos na vida familiar e social, reportada tanto pelos trabalhadores como pelos seus familiares. O suporte da empresa na gestão dos horários de trabalho está negativamente associado com a perceção de conflito dos trabalhadores por turnos e medeia parcialmente a relação deste conflito com outras variáveis. Comparando os horários de trabalho, verificam-se diferenças estatisticamente significativas entre todas as dimensões analisadas: conflito entre o horário de trabalho e a família, satisfação com horário de trabalho, bem-estar pessoal, coesão e expressividade familiar, autoeficácia percebida para o sucesso académico e expectativas de experiências de trabalho positivas. Em concreto, os trabalhadores por turnos e os seus cônjuges reportam maior conflito, menor satisfação, bem-estar e coesão e expressividade familiar. Por sua vez, os filhos de trabalhadores por turnos percecionam maior conflito, menor autoeficácia para o sucesso académico e menores expectativas do que os seus homónimos do horário normal. Relativamente às análises diádicas, identifica-se a presença de alguns efeitos de ator e de parceiro ao nível das díades trabalhadores cônjuges. Partindo da revisão da literatura e dos resultados obtidos, a parte final da Tese é dedicada à apresentação de estratégias de intervenção passíveis de auxiliarem os trabalhadores, as famílias e as organizações a lidar com o horário de trabalho por turnos assim como da versão preliminar do guião elaborado no contexto do presente trabalho. |
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