Publicação
Entre o experimento e a experiência: para uma didática originária na Educação Física (infantil)
| Resumo: | A Educação moderna parece estar voltada para o exterior! Na radicalidade desta afirmação encontramos a constatação de que a Educação (Física) parte do pressuposto de que precisamos adquirir todo o conhecimento – o conhecimento positivo, da técnica, do experimento, da formalidade, da teoria… para que possamos ser competentes, críticos e inovadores. Esta constatação parece que “colide” com o primeiro ideário da boa educação já defendida pelos Gregos. Esse ideário assentava no primado de que a educação seria um tempo e um espaço livre para o homem se dedicar ao seu ser (eu) interior - metáfora Socrática. Conhecer o eu interior onde a razão, a emoção, a sensibilidade, a espiritualidade, a individuação, a experiência, habitam, seria o caminho a percorrer. No entanto, por paradoxal e contraditório que pareça, a evolução humana consagrou (quase em exclusivo) a racionalidade como o caminho a seguir. Desta realidade, toda a vida social, cultural, política, educativa, desportiva foi paulatinamente “enclausurada” em modelos de experimentos de grande fechamento e grande rigidez estrutural e funcional. Contrariamente, a ideia de experiência, (dado eminentemente ontológico e antropológico) foi preterida e até destituída da sua grande missão - que pressupunha a construção do homem-todo (o homem-todo, que é: sensível, inteligível, imanente e transcendente). Ora, se nosso objetivo é continuar a viver numa sociedade aberta e democrática, num mundo em que cada um de nós possa construir a sua própria experiência e existência, a orientar a sua vida pelo respeito e solidariedade para com os outros, onde a Educação Física tem papel muito relevante, torna-se necessário tomar a consciência sobre esta primeira ideia da boa educação (física), tendo a experiência como fundamento da boa educação. Este fato vai contra a ideia (dominante) de experimento (o currículo é um experimento!?) típico da educação formal moderna de grande racionalidade técnica e burocrática. A reflexão tenta mostrar que a Educação Física (logo nas primeiras idades) poderá contribuir para esta dimensão através de uma intervenção didática no campo da experiência, foco das reflexões que pretendemos tecer. |
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| Autores principais: | Cunha, António Camilo |
| Outros Autores: | Kuhn, Roselaine; Oliveira, Evandro Salvador Alves de |
| Assunto: | Educação Física (infantil) Não formal e informal Experiência e experimento |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A Educação moderna parece estar voltada para o exterior! Na radicalidade desta afirmação encontramos a constatação de que a Educação (Física) parte do pressuposto de que precisamos adquirir todo o conhecimento – o conhecimento positivo, da técnica, do experimento, da formalidade, da teoria… para que possamos ser competentes, críticos e inovadores. Esta constatação parece que “colide” com o primeiro ideário da boa educação já defendida pelos Gregos. Esse ideário assentava no primado de que a educação seria um tempo e um espaço livre para o homem se dedicar ao seu ser (eu) interior - metáfora Socrática. Conhecer o eu interior onde a razão, a emoção, a sensibilidade, a espiritualidade, a individuação, a experiência, habitam, seria o caminho a percorrer. No entanto, por paradoxal e contraditório que pareça, a evolução humana consagrou (quase em exclusivo) a racionalidade como o caminho a seguir. Desta realidade, toda a vida social, cultural, política, educativa, desportiva foi paulatinamente “enclausurada” em modelos de experimentos de grande fechamento e grande rigidez estrutural e funcional. Contrariamente, a ideia de experiência, (dado eminentemente ontológico e antropológico) foi preterida e até destituída da sua grande missão - que pressupunha a construção do homem-todo (o homem-todo, que é: sensível, inteligível, imanente e transcendente). Ora, se nosso objetivo é continuar a viver numa sociedade aberta e democrática, num mundo em que cada um de nós possa construir a sua própria experiência e existência, a orientar a sua vida pelo respeito e solidariedade para com os outros, onde a Educação Física tem papel muito relevante, torna-se necessário tomar a consciência sobre esta primeira ideia da boa educação (física), tendo a experiência como fundamento da boa educação. Este fato vai contra a ideia (dominante) de experimento (o currículo é um experimento!?) típico da educação formal moderna de grande racionalidade técnica e burocrática. A reflexão tenta mostrar que a Educação Física (logo nas primeiras idades) poderá contribuir para esta dimensão através de uma intervenção didática no campo da experiência, foco das reflexões que pretendemos tecer. |
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