Publicação
O retorno do sagrado na pós-modernidade: a curadoria de arte contemporânea como exercício de construção de divindades
| Resumo: | Esta dissertação é o produto final de quase três anos de investigação e reflexão. Nela procura-se compreender o retorno do sagrado na pós-modernidade, partindo da convicção de que, por muito que a sua presença seja negada ou ocultada, o culto, as crenças e a religiosidade permanecem como parte integrante do quotidiano. A análise inicia-se na Modernidade, explorando as suas estruturas ideológicas, sociais e políticas através de autores como Durkheim, Weber, Arendt e Foucault, que ajudam a compreender de que forma o poder, o ritual e a racionalidade moldaram a vida singular e coletiva. Seguindo o percurso até à Pós-Modernidade, problematiza-se a liquidez do tempo em Bauman, as simulações em Baudrillard, o espetáculo em Debord e o tribalismo em Maffesoli, compondo um quadro onde se torna evidente a persistência do sagrado no quotidiano. Dedica-se também particular atenção à arte e à cultura, abordando a autenticidade da obra na era da sua reprodução em massa, a noção de museu imaginário de Malraux e as dinâmicas da indústria cultural, apoiando-se em Adorno, Alexandre Melo e Howard Becker. Neste contexto, o artista surge como alquimista, produtor de significados e tradutor de realidades, enquanto o curador é visto como mediador e arquiteto de narrativas que conferem sentido ao conjunto de obras escolhidas que refletem o espírito e sobre o espírito do tempo. Conclui-se que a pós-modernidade não eliminou a necessidade do sagrado: pelo contrário, esta encontra novos receptáculos nos mitos, ícones e espaços da contemporaneidade, sendo a arte um território privilegiado para essa reconfiguração. A dissertação propõe, assim, pensar a arte contemporânea como lugar de encontro, abertura e questionamento, capaz de religar e renovar a experiência comum. |
|---|---|
| Autores principais: | Quintas, Vasco Cardoso e |
| Assunto: | Arte contemporânea Liquidez Pós-modernidade Ritual Sagrado Contemporary art Liquidity Postmodernity Sacred |
| Ano: | 2026 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Esta dissertação é o produto final de quase três anos de investigação e reflexão. Nela procura-se compreender o retorno do sagrado na pós-modernidade, partindo da convicção de que, por muito que a sua presença seja negada ou ocultada, o culto, as crenças e a religiosidade permanecem como parte integrante do quotidiano. A análise inicia-se na Modernidade, explorando as suas estruturas ideológicas, sociais e políticas através de autores como Durkheim, Weber, Arendt e Foucault, que ajudam a compreender de que forma o poder, o ritual e a racionalidade moldaram a vida singular e coletiva. Seguindo o percurso até à Pós-Modernidade, problematiza-se a liquidez do tempo em Bauman, as simulações em Baudrillard, o espetáculo em Debord e o tribalismo em Maffesoli, compondo um quadro onde se torna evidente a persistência do sagrado no quotidiano. Dedica-se também particular atenção à arte e à cultura, abordando a autenticidade da obra na era da sua reprodução em massa, a noção de museu imaginário de Malraux e as dinâmicas da indústria cultural, apoiando-se em Adorno, Alexandre Melo e Howard Becker. Neste contexto, o artista surge como alquimista, produtor de significados e tradutor de realidades, enquanto o curador é visto como mediador e arquiteto de narrativas que conferem sentido ao conjunto de obras escolhidas que refletem o espírito e sobre o espírito do tempo. Conclui-se que a pós-modernidade não eliminou a necessidade do sagrado: pelo contrário, esta encontra novos receptáculos nos mitos, ícones e espaços da contemporaneidade, sendo a arte um território privilegiado para essa reconfiguração. A dissertação propõe, assim, pensar a arte contemporânea como lugar de encontro, abertura e questionamento, capaz de religar e renovar a experiência comum. |
|---|