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Condições do questionamento ético na carreira: estudo dos valores básicos de vida de estudantes e professores do ensino básico e secundário

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Nas últimas três décadas, as dinâmicas sociais que sustentam a evolução do conceito de carreira e o enfraquecimento de instituições e dispositivos que ofereciam modelos de comportamento muito definidos aos individuos, explicam, em parte, a necessidade de uma abordagem mais complexa do comportamento vocacional. Nela se inclui o questionamento ético no âmbito da carreira, onde cada individuo aprende a equacionar, desde cedo, as consequências das suas decisões para os outros e para a sociedade em geral. A abordagem ética dos projetos de vida implica a intenção de considerar o eu não só no sentido da realização pessoal mas preocupando-se igualmente com o outro mais próximo e distante. Quando o indivíduo pensa naquilo que quer fazer da sua vida, deve questionar-se sobre o lugar que os outros ocupam nessa vida, porventura, integrando esta preocupação no seu conjunto prioritário de valores humanos. Para tratar teoricamente esta questão, consideramos o construto de orientação sob a perspetiva de Jean Guichard (2010), a noção de questionamento ético segundo Paul Ricoeur (1990), e a teoria funcionalista dos valores básicos de Valdiney Gouveia (1990, 1998, 2003; Gouveia, Fonseca, Milfont, & Fisher, 2011. O nosso estudo insere-se num projeto mais amplo intitulado: Educação para a carreira e cidadania: condições pessoais e do contexto para o questionamento ético dos projetos de vida, e tem como objetivo principal, avaliar e comparar o conjunto dos valores básicos de vida de estudantes e professores dos 8ª, 10º e 11º anos, tendo como base o modelos de Gouveia, para assim compreendermos condições pessoais e do contexto para o questionamento ético na carreira durante a adolescência. O plano da avaliação inclui a recolha de dados demográficos dos alunos e dos professores, e sobre os valores de vida destes, com rescurso a um questionário demográfico e ao Questionário dos Valores Básicos (QVB) desenvolvido por Gouveia (1998, 2003, 2009). A partir desta teoria, procurou-se analisar a natureza dos valores de vida dos alunos do ensino básico e secundário e dos respetivos professores, encarados como orientadores da sua ação (Tipo de orientação) e como expressão cognitiva das suas necessidades (Tipo de motivador). Realizou-se um estudo empírico, com medidas repetidas no qual participaram 483 alunos dos 8º (n= 273), 10º (n= 118) e 11º anos (n=92), e respetivos professores, num total de 69, de três escolas do norte de Portugal. Dos 483 alunos, 276 são raparigas (57,1%) e 207 são rapazes (42,9%), com idades compreendidas entre os 12 e os 19 anos, sendo a média de 14,3 anos, com um desvio-padrão de 1.4. Relativamente aos professores, 46 são mulheres (66,7%) e 23 são homens (33,3%), com idades compreendidas entre os 29 e os 58 anos, sendo a média de idades de 43.1 anos, com um desvio padrão de 7.9. Os alunos foram avaliados em três momentos: T1, no início do ano letivo 2010/2011; T2, a meio do ano letivo 2010/2011, no T3, no início do ano letivo 2011/2012. No que concerne aos professores, eles foram avaliados em dois momentos: no T1, no início do ano letivo 2010/2011 e no T3, no ano letivo de 2011/2012. O estudo procurou testar diferenças nos valores básicos dos alunos em função do momento de avaliação, e em função do sexo e do ano escolar. Relativamente aos professores, avaliaram-se diferenças nos valores básicos em função do momento de avaliação e do sexo de pertença.Finalmente, pretendeu-se verificar as diferenças entre alunos e professores, tendo em conta o ano lectivo e a escola. Relativamente aos alunos, analisámos as diferenças nos resultados de cada subfunção em função do sexo e ano escolar dos alunos, separadamente em cada ano lectivo. Os resultados mostram que há diferenças nos resultados entre o ano escolar dos alunos. Quanto ao sexo de pertença, também se verificam diferenças em diversas subfunções dos valores básicos, nos T1, T2 e T3. (e.g. Existência, Interativa, Experimentação, Realização). Quanto aos professores, para cada subfunção, verificaram-se as diferenças entre os dois momentos de avaliação, em função do sexo e do tempo de avaliação. Registaram-se diferenças em função do sexo na subfunção Suprapessoal, nos T1 e T2. Relativamente à comparação entre professores e alunos, foram feitas as análises das diferenças em cada momento de avaliação por ano escolar, por escola e, finalmente por ano e por escola simultaneamente. Registaram-se diferenças entre alunos e professores em diversas funções dos valores básico, quer no momento T1, quer no momento T3 (e.g. Existência, Experimentação, Realização). Os resultados mostram que, de uma forma geral, alunos e professores atribuem maior importância a valores de orientação central e social, contudo, essa importância vai diminuindo ao longo do tempo.
Autores principais:Bezerra, Maria de Jesus Ferreira Mira
Assunto:Orientação Questionamento ético, Valores Guidance Ethical questioning Values
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Nas últimas três décadas, as dinâmicas sociais que sustentam a evolução do conceito de carreira e o enfraquecimento de instituições e dispositivos que ofereciam modelos de comportamento muito definidos aos individuos, explicam, em parte, a necessidade de uma abordagem mais complexa do comportamento vocacional. Nela se inclui o questionamento ético no âmbito da carreira, onde cada individuo aprende a equacionar, desde cedo, as consequências das suas decisões para os outros e para a sociedade em geral. A abordagem ética dos projetos de vida implica a intenção de considerar o eu não só no sentido da realização pessoal mas preocupando-se igualmente com o outro mais próximo e distante. Quando o indivíduo pensa naquilo que quer fazer da sua vida, deve questionar-se sobre o lugar que os outros ocupam nessa vida, porventura, integrando esta preocupação no seu conjunto prioritário de valores humanos. Para tratar teoricamente esta questão, consideramos o construto de orientação sob a perspetiva de Jean Guichard (2010), a noção de questionamento ético segundo Paul Ricoeur (1990), e a teoria funcionalista dos valores básicos de Valdiney Gouveia (1990, 1998, 2003; Gouveia, Fonseca, Milfont, & Fisher, 2011. O nosso estudo insere-se num projeto mais amplo intitulado: Educação para a carreira e cidadania: condições pessoais e do contexto para o questionamento ético dos projetos de vida, e tem como objetivo principal, avaliar e comparar o conjunto dos valores básicos de vida de estudantes e professores dos 8ª, 10º e 11º anos, tendo como base o modelos de Gouveia, para assim compreendermos condições pessoais e do contexto para o questionamento ético na carreira durante a adolescência. O plano da avaliação inclui a recolha de dados demográficos dos alunos e dos professores, e sobre os valores de vida destes, com rescurso a um questionário demográfico e ao Questionário dos Valores Básicos (QVB) desenvolvido por Gouveia (1998, 2003, 2009). A partir desta teoria, procurou-se analisar a natureza dos valores de vida dos alunos do ensino básico e secundário e dos respetivos professores, encarados como orientadores da sua ação (Tipo de orientação) e como expressão cognitiva das suas necessidades (Tipo de motivador). Realizou-se um estudo empírico, com medidas repetidas no qual participaram 483 alunos dos 8º (n= 273), 10º (n= 118) e 11º anos (n=92), e respetivos professores, num total de 69, de três escolas do norte de Portugal. Dos 483 alunos, 276 são raparigas (57,1%) e 207 são rapazes (42,9%), com idades compreendidas entre os 12 e os 19 anos, sendo a média de 14,3 anos, com um desvio-padrão de 1.4. Relativamente aos professores, 46 são mulheres (66,7%) e 23 são homens (33,3%), com idades compreendidas entre os 29 e os 58 anos, sendo a média de idades de 43.1 anos, com um desvio padrão de 7.9. Os alunos foram avaliados em três momentos: T1, no início do ano letivo 2010/2011; T2, a meio do ano letivo 2010/2011, no T3, no início do ano letivo 2011/2012. No que concerne aos professores, eles foram avaliados em dois momentos: no T1, no início do ano letivo 2010/2011 e no T3, no ano letivo de 2011/2012. O estudo procurou testar diferenças nos valores básicos dos alunos em função do momento de avaliação, e em função do sexo e do ano escolar. Relativamente aos professores, avaliaram-se diferenças nos valores básicos em função do momento de avaliação e do sexo de pertença.Finalmente, pretendeu-se verificar as diferenças entre alunos e professores, tendo em conta o ano lectivo e a escola. Relativamente aos alunos, analisámos as diferenças nos resultados de cada subfunção em função do sexo e ano escolar dos alunos, separadamente em cada ano lectivo. Os resultados mostram que há diferenças nos resultados entre o ano escolar dos alunos. Quanto ao sexo de pertença, também se verificam diferenças em diversas subfunções dos valores básicos, nos T1, T2 e T3. (e.g. Existência, Interativa, Experimentação, Realização). Quanto aos professores, para cada subfunção, verificaram-se as diferenças entre os dois momentos de avaliação, em função do sexo e do tempo de avaliação. Registaram-se diferenças em função do sexo na subfunção Suprapessoal, nos T1 e T2. Relativamente à comparação entre professores e alunos, foram feitas as análises das diferenças em cada momento de avaliação por ano escolar, por escola e, finalmente por ano e por escola simultaneamente. Registaram-se diferenças entre alunos e professores em diversas funções dos valores básico, quer no momento T1, quer no momento T3 (e.g. Existência, Experimentação, Realização). Os resultados mostram que, de uma forma geral, alunos e professores atribuem maior importância a valores de orientação central e social, contudo, essa importância vai diminuindo ao longo do tempo.