Publicação

Álcool no mundo académico: as perceções dos estudantes sobre os efeitos do consumo

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O álcool, a droga mais conhecida e aceite pela sociedade, é muito procurado devido a fortes crenças que focam o olhar no seu efeito estimulante, provocador de euforia e sensação de segurança. Tomando os relatos dos consumidores, a experimentação é estimulada sobretudo pela curiosidade e procura de diversão. É vivida pelos jovens como uma ocorrência natural correspondente às expectativas suas e dos outros, sendo, geralmente, uma experiência em grupo, iniciada em ambientes festivos. Nem todos os consumidores de álcool sofrem de problemas graves relacionados com o seu consumo. No entanto, é a substância psicoativa lícita de abuso mais consumida em Portugal e está ligada a grandes problemas de saúde pública. Torna-se, assim, urgente promover a literacia em saúde que inclua estes problemas. Nesta dissertação, procuramos conhecer os comportamentos de consumo de bebidas alcoólicas e as perceções relacionadas com os seus efeitos junto dos jovens em fase de adaptação ao mundo académico e relacionamos estes dados com as experiências vividas no período antecedente e com a forma como estes estudantes percecionam a sua integração. Observamos a presença de mais perceções positivas nos estudantes com menor idade e nos que iniciaram os seus consumos em idade mais precoce. Quanto mais tarde aconteceu o primeiro consumo, mais aumentam as perceções negativas. Os estudantes que experimentaram mais cedo tendem a beber mais vezes e maior número de bebidas por noite ou festa, seja ao longo do ensino secundário, seja na universidade. Este estudo não mostra a existência de relação entre consumo de álcool e os níveis de integração percecionados, mas revela que os estudantes com perceções positivas consomem mais, ou seja, menor consciência dos riscos associa-se a comportamentos de consumo. Identificámos, ainda, uma correlação muito forte entre os comportamentos de consumo ao longo do secundário com os comportamentos em fase de integração no ensino superior. As conclusões deste trabalho reforçam a importância da intervenção precoce que possibilite ao indivíduo o desenvolvimento de capacidades para aceder à informação, compreendê-la, processá-la e utilizá-la para avaliar situações, balanceando recompensas e riscos de cada decisão, favorecendo uma vida saudável para si e para quem o rodeia.
Autores principais:Costa, Isabel Maria Ribeiro da
Assunto:Perceções do consumo Integração académica Binge drinking Prevenção Alcoolismo Perceptions of consumption Academic adjustment Binge drinking Prevention Alcoholism
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O álcool, a droga mais conhecida e aceite pela sociedade, é muito procurado devido a fortes crenças que focam o olhar no seu efeito estimulante, provocador de euforia e sensação de segurança. Tomando os relatos dos consumidores, a experimentação é estimulada sobretudo pela curiosidade e procura de diversão. É vivida pelos jovens como uma ocorrência natural correspondente às expectativas suas e dos outros, sendo, geralmente, uma experiência em grupo, iniciada em ambientes festivos. Nem todos os consumidores de álcool sofrem de problemas graves relacionados com o seu consumo. No entanto, é a substância psicoativa lícita de abuso mais consumida em Portugal e está ligada a grandes problemas de saúde pública. Torna-se, assim, urgente promover a literacia em saúde que inclua estes problemas. Nesta dissertação, procuramos conhecer os comportamentos de consumo de bebidas alcoólicas e as perceções relacionadas com os seus efeitos junto dos jovens em fase de adaptação ao mundo académico e relacionamos estes dados com as experiências vividas no período antecedente e com a forma como estes estudantes percecionam a sua integração. Observamos a presença de mais perceções positivas nos estudantes com menor idade e nos que iniciaram os seus consumos em idade mais precoce. Quanto mais tarde aconteceu o primeiro consumo, mais aumentam as perceções negativas. Os estudantes que experimentaram mais cedo tendem a beber mais vezes e maior número de bebidas por noite ou festa, seja ao longo do ensino secundário, seja na universidade. Este estudo não mostra a existência de relação entre consumo de álcool e os níveis de integração percecionados, mas revela que os estudantes com perceções positivas consomem mais, ou seja, menor consciência dos riscos associa-se a comportamentos de consumo. Identificámos, ainda, uma correlação muito forte entre os comportamentos de consumo ao longo do secundário com os comportamentos em fase de integração no ensino superior. As conclusões deste trabalho reforçam a importância da intervenção precoce que possibilite ao indivíduo o desenvolvimento de capacidades para aceder à informação, compreendê-la, processá-la e utilizá-la para avaliar situações, balanceando recompensas e riscos de cada decisão, favorecendo uma vida saudável para si e para quem o rodeia.