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Virtualidades do livro-álbum A árvore da escola para a promoção da ecoliteracia

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A presente proposta de póster decorre de um trabalho de investigação realizado no âmbito da unidade curricular Discursos, Textos e Estratégias Interpretativas, do 1.º ano do Mestrado em Educação Pré-escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico da Universidade do Minho. A análise da obra parte da noção de sequência narrativa (Adam e Revaz, 1997) e de literatura para a infância (Ramos, 2010), para identificar como a narrativa em questão constrói e promove uma visão do mundo onde os seres humanos tomam consciência da sua interação com o meio, em particular com os elementos naturais – e, assim, fomenta a criação de uma visão tendencialmente “ecológica” do mundo, com as suas redes de interação que ultrapassam a mera exploração irrefletida e linear dos “recursos” naturais (Capra, 2002). Dito de outra forma: pretende-se analisar como esta obra pode promover a ecoliteracia dos jovens leitores a que é destinada (Orr, 1998), sem deixar de ser marcada pelo que a define como obra literária. Entende-se aqui “ecoliteracia” como “a capacidade de os cidadãos desenvolverem um tipo de pensamento favorável à desconstrução do paradigma antropocêntrico que carateriza as sociedades ocidentais e as suas consequências mais diretas, nomeadamente a conceção do homem como legítimo explorador do meio natural em seu proveito e a da natureza como uma inesgotável fonte de bens ao dispor de todas as necessidades e desejos humanos” (Ramos e Ramos, 2013: 17). No caso, o protagonista é uma criança e o cenário da narrativa uma escola. A personagem principal repara numa pequena árvore que cresce no recreio. Tornar a árvore objeto de discurso individualiza-a e dá-lhe um estatuto especial, torna-a visível e atuante no mundo da criança-protagonista e das crianças-leitoras. Nesta narrativa, a fragilidade da árvore, decorrente do seu pequeno tamanho e da indiferença/invisibilidade de que é alvo, torna-a carente de cuidado e proteção. Protegendo a árvore, a criança-protagonista torna-se agente na edificação do meio e leva os seus colegas e a relutante professora a assumirem uma atitude semelhante. A obra reifica o passar do tempo, associado ao lento crescimento da árvore, e este transforma-se, tal como a relação afetiva estabelecida com a árvore, numa experiência significativa para as crianças. Assim, a obra oferece aos leitores uma experiência mediada, convidando-os a reposicionarem-se na sua relação com os elementos naturais do seu meio, promovendo a sua ecoliteracia.
Autores principais:Figueiras, A.
Outros Autores:Moreira, A.; Carvalho, F.; Machado, M.; Ramos, Rui Lima
Assunto:Criança Ecoliteracia Álbum ilustrado A árvore da escola
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:póster em conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A presente proposta de póster decorre de um trabalho de investigação realizado no âmbito da unidade curricular Discursos, Textos e Estratégias Interpretativas, do 1.º ano do Mestrado em Educação Pré-escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico da Universidade do Minho. A análise da obra parte da noção de sequência narrativa (Adam e Revaz, 1997) e de literatura para a infância (Ramos, 2010), para identificar como a narrativa em questão constrói e promove uma visão do mundo onde os seres humanos tomam consciência da sua interação com o meio, em particular com os elementos naturais – e, assim, fomenta a criação de uma visão tendencialmente “ecológica” do mundo, com as suas redes de interação que ultrapassam a mera exploração irrefletida e linear dos “recursos” naturais (Capra, 2002). Dito de outra forma: pretende-se analisar como esta obra pode promover a ecoliteracia dos jovens leitores a que é destinada (Orr, 1998), sem deixar de ser marcada pelo que a define como obra literária. Entende-se aqui “ecoliteracia” como “a capacidade de os cidadãos desenvolverem um tipo de pensamento favorável à desconstrução do paradigma antropocêntrico que carateriza as sociedades ocidentais e as suas consequências mais diretas, nomeadamente a conceção do homem como legítimo explorador do meio natural em seu proveito e a da natureza como uma inesgotável fonte de bens ao dispor de todas as necessidades e desejos humanos” (Ramos e Ramos, 2013: 17). No caso, o protagonista é uma criança e o cenário da narrativa uma escola. A personagem principal repara numa pequena árvore que cresce no recreio. Tornar a árvore objeto de discurso individualiza-a e dá-lhe um estatuto especial, torna-a visível e atuante no mundo da criança-protagonista e das crianças-leitoras. Nesta narrativa, a fragilidade da árvore, decorrente do seu pequeno tamanho e da indiferença/invisibilidade de que é alvo, torna-a carente de cuidado e proteção. Protegendo a árvore, a criança-protagonista torna-se agente na edificação do meio e leva os seus colegas e a relutante professora a assumirem uma atitude semelhante. A obra reifica o passar do tempo, associado ao lento crescimento da árvore, e este transforma-se, tal como a relação afetiva estabelecida com a árvore, numa experiência significativa para as crianças. Assim, a obra oferece aos leitores uma experiência mediada, convidando-os a reposicionarem-se na sua relação com os elementos naturais do seu meio, promovendo a sua ecoliteracia.