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A mudança narrativa em terapia cognitivo-comportamental: um estudo de caso

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Resumo:Vários estudos em psicoterapia têm proposto que a mudança terapêutica é elaborada a partir de Momentos de Inovação - MIs, entendidos como exceções à narrativa problemática e codificados segundo o Sistema de Codificação dos Momentos de Inovação (SCMI). No entanto, existem também evidências na literatura que indicam que a elaboração de MIs pode ser atenuada pela reaproximação do cliente à auto-narrativa problemática. Este processo tem sido denominado por “Retorno ao Problema”, analisado através da codificação de marcadores de retorno ao problema - MRPs, tendo por base o Sistema de Codificação do Retorno ao Problema (SCRP). Alguns autores destacam as dificuldades relacionais e o sofrimento subjacente como um dos principais motivos para procurar acompanhamento psicoterapêutico. De facto, as interações interpessoais assumem um papel relevante, uma vez que a construção de auto-narrativas significativas e a própria identidade do indíviduo se encontra baseada na interação com os outros. É neste sentido que surge o Core Conflitual Relationship Theme (CCRT), como um sistema de análise dos padrões relacionais dos clientes de psicoterapia. Assim, o presente projeto consiste num estudo de caso no qual foram realizadas análises com o SCMI, o SCRP e o CCRT, no sentido de estudar a mudança da auto-narrativa de vida, através da emergência de MIs e de MRPs, e a mudança das auto-narrativas relacionais, através do CCRT. Pretende- se ainda verificar se os dois níveis de análise se encontram relacionados no processo de mudança, isto é, se a introdução de novas formas de agir, pensar e sentir ao longo das sessões de psicoterapia (i.e. MIs) permitem desenvolver mudanças nos padrões de interação interpessoal (i.e. CCRT). O caso clínico apresentava sintomatologia depressiva, tendo sido seguido em psicoterapia com o modelo de terapia cognitivo-comportamental. Tratou-se de um caso de sucesso, diferenciado a partir de critérios propostos pelo Reliable Change Index, em relação aos resultados obtidos no Beck Depression Inventory e no Outcome Questionnaire. Os resultados obtidos demonstram que não foi desenvolvida uma mudança narrativa consistente, apesar da mudança sintomática. Esta conclusão é justificada pela reduzida emergência de MIs ao longo do processo terapêutico (9.73%), acompanhada por 27% de MRPs, o que evidencia a manutenção da auto-narrativa problemática. Também a mudança relacional se apresentou comprometida, demonstrada pela manutenção dos mesmos componentes dos episódios relacionais ao longo do processo terapêutico, marcados por interações de caráter negativo. Os componentes apresentaram uma dominância de aproximadamente 50%, o que evidencia a manutenção do conflito relacional. Quanto às respostas positivas, verificou-se um aumento progressivo de respostas de aproximação ao desejo por parte do self desde as sessões iniciais (11.7%) até às finais (40%). O outro, apesar de registar uma diminuição de respostas positivas entre a fase inicial e intermédia, terminou o processo terapêutico com a mesma percentagem de respostas do self.
Autores principais:Freitas, Sara Eliana Pereira
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Vários estudos em psicoterapia têm proposto que a mudança terapêutica é elaborada a partir de Momentos de Inovação - MIs, entendidos como exceções à narrativa problemática e codificados segundo o Sistema de Codificação dos Momentos de Inovação (SCMI). No entanto, existem também evidências na literatura que indicam que a elaboração de MIs pode ser atenuada pela reaproximação do cliente à auto-narrativa problemática. Este processo tem sido denominado por “Retorno ao Problema”, analisado através da codificação de marcadores de retorno ao problema - MRPs, tendo por base o Sistema de Codificação do Retorno ao Problema (SCRP). Alguns autores destacam as dificuldades relacionais e o sofrimento subjacente como um dos principais motivos para procurar acompanhamento psicoterapêutico. De facto, as interações interpessoais assumem um papel relevante, uma vez que a construção de auto-narrativas significativas e a própria identidade do indíviduo se encontra baseada na interação com os outros. É neste sentido que surge o Core Conflitual Relationship Theme (CCRT), como um sistema de análise dos padrões relacionais dos clientes de psicoterapia. Assim, o presente projeto consiste num estudo de caso no qual foram realizadas análises com o SCMI, o SCRP e o CCRT, no sentido de estudar a mudança da auto-narrativa de vida, através da emergência de MIs e de MRPs, e a mudança das auto-narrativas relacionais, através do CCRT. Pretende- se ainda verificar se os dois níveis de análise se encontram relacionados no processo de mudança, isto é, se a introdução de novas formas de agir, pensar e sentir ao longo das sessões de psicoterapia (i.e. MIs) permitem desenvolver mudanças nos padrões de interação interpessoal (i.e. CCRT). O caso clínico apresentava sintomatologia depressiva, tendo sido seguido em psicoterapia com o modelo de terapia cognitivo-comportamental. Tratou-se de um caso de sucesso, diferenciado a partir de critérios propostos pelo Reliable Change Index, em relação aos resultados obtidos no Beck Depression Inventory e no Outcome Questionnaire. Os resultados obtidos demonstram que não foi desenvolvida uma mudança narrativa consistente, apesar da mudança sintomática. Esta conclusão é justificada pela reduzida emergência de MIs ao longo do processo terapêutico (9.73%), acompanhada por 27% de MRPs, o que evidencia a manutenção da auto-narrativa problemática. Também a mudança relacional se apresentou comprometida, demonstrada pela manutenção dos mesmos componentes dos episódios relacionais ao longo do processo terapêutico, marcados por interações de caráter negativo. Os componentes apresentaram uma dominância de aproximadamente 50%, o que evidencia a manutenção do conflito relacional. Quanto às respostas positivas, verificou-se um aumento progressivo de respostas de aproximação ao desejo por parte do self desde as sessões iniciais (11.7%) até às finais (40%). O outro, apesar de registar uma diminuição de respostas positivas entre a fase inicial e intermédia, terminou o processo terapêutico com a mesma percentagem de respostas do self.