Publicação
A evolução do relato corporativo à luz do gerenciamento de impressões: o caso da Petróleo Brasileiro S.A. - Petrobras
| Resumo: | O petróleo é uma fonte de energia primordial para o funcionamento de diversos setores da sociedade. A Petróleo Brasileiro S.A – Petrobras lidera a indústria de petróleo do Brasil, estando entre as 10 maiores empresas do setor de petróleo e gás do mundo. Esta empresa constitui o caso desta investigação, que tem como objetivo geral analisar a evolução do relato corporativo no Brasil, recorrendo a diferentes técnicas de gerenciamento de impressões. Esta tese adota a perspectiva metodológica qualitativa interpretativa, analisando-se os relatos corporativos obrigatórios e voluntários da empresa, do período de 1954-2017, mas com especial enfoque para o período da ditadura militar no Brasil. Reconhece-se, conforme a revisão de literatura utilizada, que as organizações possuem intenções subjacentes que as levam a usar o gerenciamento de impressões em seus relatos corporativos para persuadir seus stakeholders, logo as bases teóricas de Goffman (1980, 1985), Barthes (1990, 2004, 2012) e Genette (2010) são oportunas para as interpretações realizadas. Assim, esta investigação contribui para a literatura sobre gerenciamento de impressões ao mostrar seu uso em imagens e narrativas de relatos corporativos. A Petrobras sempre se preocupou com sua comunicação corporativa, tal como evidenciado pelo uso de vários canais de comunicação para divulgar informações voluntárias, como o relatório anual da Petrobras o boletim Petrobrás, revistas Petrobrás e Gente, Jornal da Petrobrás, os gibis Carla no Mundo Maravilhoso do Petróleo e Tonico e Petrolino, entre outros. A quantidade e variedade de relatos corporativos da empresa suscitam a ideia do seu uso para o gerenciamento de impressões. Os resultados evidenciam que a Petrobras desde a sua criação é um símbolo do desenvolvimento do País, cujas divulgações a projetam em ascensão mimeticamente com o País. Após o golpe militar de 1964 e durante o período de ditadura militar no Brasil, o relato corporativo da Petrobras serviu de palco para representações diversas, sendo um instrumento do próprio regime, exacerbando o nacionalismo, apesar da transparência da informação não ser uma característica do regime. Outras evidências dos documentos analisados mostram que as ações sobre o meio ambiente divulgadas tinham motivações subjacentes, entre elas o alinhamento com políticas governamentais, justificar o benefício fiscal obtido, e uma ação defensiva em resposta às críticas. A visibilidade da Petrobras sempre despertou a atenção dos stakeholders, oportunizando um ambiente propício ao gerenciamento de impressões de seus diversos públicos. Ciente disso, a empresa usou o gerenciamento de impressões para se projetar positivamente frente aos stakeholders. |
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| Autores principais: | Almeida, Janaina Borges de |
| Assunto: | Gerenciamento de Impressões Imagens Narrativas Petrobras Relato Corporativo Impression Management Images Narratives Corporate Reporting Ciências Sociais::Economia e Gestão |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O petróleo é uma fonte de energia primordial para o funcionamento de diversos setores da sociedade. A Petróleo Brasileiro S.A – Petrobras lidera a indústria de petróleo do Brasil, estando entre as 10 maiores empresas do setor de petróleo e gás do mundo. Esta empresa constitui o caso desta investigação, que tem como objetivo geral analisar a evolução do relato corporativo no Brasil, recorrendo a diferentes técnicas de gerenciamento de impressões. Esta tese adota a perspectiva metodológica qualitativa interpretativa, analisando-se os relatos corporativos obrigatórios e voluntários da empresa, do período de 1954-2017, mas com especial enfoque para o período da ditadura militar no Brasil. Reconhece-se, conforme a revisão de literatura utilizada, que as organizações possuem intenções subjacentes que as levam a usar o gerenciamento de impressões em seus relatos corporativos para persuadir seus stakeholders, logo as bases teóricas de Goffman (1980, 1985), Barthes (1990, 2004, 2012) e Genette (2010) são oportunas para as interpretações realizadas. Assim, esta investigação contribui para a literatura sobre gerenciamento de impressões ao mostrar seu uso em imagens e narrativas de relatos corporativos. A Petrobras sempre se preocupou com sua comunicação corporativa, tal como evidenciado pelo uso de vários canais de comunicação para divulgar informações voluntárias, como o relatório anual da Petrobras o boletim Petrobrás, revistas Petrobrás e Gente, Jornal da Petrobrás, os gibis Carla no Mundo Maravilhoso do Petróleo e Tonico e Petrolino, entre outros. A quantidade e variedade de relatos corporativos da empresa suscitam a ideia do seu uso para o gerenciamento de impressões. Os resultados evidenciam que a Petrobras desde a sua criação é um símbolo do desenvolvimento do País, cujas divulgações a projetam em ascensão mimeticamente com o País. Após o golpe militar de 1964 e durante o período de ditadura militar no Brasil, o relato corporativo da Petrobras serviu de palco para representações diversas, sendo um instrumento do próprio regime, exacerbando o nacionalismo, apesar da transparência da informação não ser uma característica do regime. Outras evidências dos documentos analisados mostram que as ações sobre o meio ambiente divulgadas tinham motivações subjacentes, entre elas o alinhamento com políticas governamentais, justificar o benefício fiscal obtido, e uma ação defensiva em resposta às críticas. A visibilidade da Petrobras sempre despertou a atenção dos stakeholders, oportunizando um ambiente propício ao gerenciamento de impressões de seus diversos públicos. Ciente disso, a empresa usou o gerenciamento de impressões para se projetar positivamente frente aos stakeholders. |
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