Publicação
Contributos dos doutores palhaços da Operação Nariz Vermelho para a qualidade da adaptação e do desenvolvimento em contexto pediátrico: o olhar da criança e seus pais
| Resumo: | A hospitalização pediátrica surge, habitualmente, como um momento particularmente difícil do percurso desenvolvimental da criança ou do adolescente, podendo, nalguns casos, revelar-se como uma experiência traumática (Oliveira, 1997; Parcianello & Felin, 2008). O desenraizamento dos seus contextos habituais, a submissão a procedimentos intrusivos e/ou dolorosos ou, ainda, a imersão num mundo que lhe é completamente estranho e que a assusta são motivo de mal-estar e de algum comprometimento do seu equilíbrio psicoafectivo (Kumamoto, Barros, Carvalho, Gadelha, & Costa, 2004), o qual poderá não se circunscrever ao período de internamento, mas, alargar-se a períodos mais extensos da trajetória de vida da criança/adolescente e da sua família. Contrapondo este cenário, surgem as intervenções dos Palhaços de Hospital, artistas profissionais com formação específica para trabalhar em contexto hospitalar e cuja missão é alegrar o meio pediátrico, bem como a experiência de todos os seus protagonistas. Começando por tentar compreender o fenómeno da hospitalização pediátrica, nomeadamente a forma como a criança e o adolescente se adaptam a ela e ao modo como lidam com as questões inerentes a essa experiência (e.g. dor; tratamentos, contacto com as “batas brancas”), o estudo desenvolvido averiguou quais os contributos mais significativos dos Doutores Palhaços da Operação Nariz Vermelho neste cenário, tomando não apenas o reportório fenomenológico do paciente pediátrico mas também o dos seus pais. Para tal, foram desenvolvidos três estudos complementares (Estudos I, II e III) - fundindo metodologias quantitativas e qualitativas - no seio dos quais a construção e validação de instrumentos para avaliar as especificidades dos fenómenos em estudo emergiu como investimento prioritário e que, na presente tese, se afirma como um dos seus principais contributos. Assim, o Estudo I centra-se na avaliação do processo de adaptação ao internamento pediátrico tendo por base o heterorrelato dos pais; o Estudo II – também designado de Estudo Principal – versa as perceções dos pais em torno do encontro da criança/adolescente, e deles próprios, com os Doutores Palhaços, bem como do atual e potencial impacto da sua intervenção no bem-estar pediátrico e respetivos acompanhantes. Neste é ainda apresentada a autoavaliação da criança quanto à dor e estado anímico sentidos antes e depois da visita do DP. Num terceiro estudo é dada a voz exclusivamente à criança/adolescente, auscultando-se, por intermédio de uma entrevista semiestruturada, a sua perspetiva em torno dos aspetos mais significativos do encontro tido com os Doutores Palhaços. Embora apresentados, num primeiro momento, de forma individual, os resultados dos três estudos são posteriormente alvo de leitura integrada, a fim de obter um olhar mais holístico sobre os fenómenos em foco. De entre os resultados dos estudos realizados, salienta-se a franca aceitação e reconhecimento - quer por parte dos adultos quer das crianças/adolescentes - do trabalho desenvolvido pelos Doutores Palhaços, sendo várias as evidências no seu discurso que dão conta dos valiosos subsídios destes profissionais ao nível do bem-estar físico e psicológico daqueles que são alvo da sua intervenção, designadamente ao nível da perceção da dor, do estado anímico das crianças/adolescentes, da vivência do ambiente hospitalar, da forma como é encarada a condição clínica que justificou o internamento, ou, ainda, dos níveis de cooperação da criança/adolescente com os profissionais que lhes prestam cuidados. |
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| Autores principais: | Esteves, Carla Hiolanda Ferreira |
| Assunto: | Hospitalização pediátrica Humanização Pediatric hospitalization Doctor Clown Humanization Hospitalisation infantile Hôpiclowns Humanisation |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A hospitalização pediátrica surge, habitualmente, como um momento particularmente difícil do percurso desenvolvimental da criança ou do adolescente, podendo, nalguns casos, revelar-se como uma experiência traumática (Oliveira, 1997; Parcianello & Felin, 2008). O desenraizamento dos seus contextos habituais, a submissão a procedimentos intrusivos e/ou dolorosos ou, ainda, a imersão num mundo que lhe é completamente estranho e que a assusta são motivo de mal-estar e de algum comprometimento do seu equilíbrio psicoafectivo (Kumamoto, Barros, Carvalho, Gadelha, & Costa, 2004), o qual poderá não se circunscrever ao período de internamento, mas, alargar-se a períodos mais extensos da trajetória de vida da criança/adolescente e da sua família. Contrapondo este cenário, surgem as intervenções dos Palhaços de Hospital, artistas profissionais com formação específica para trabalhar em contexto hospitalar e cuja missão é alegrar o meio pediátrico, bem como a experiência de todos os seus protagonistas. Começando por tentar compreender o fenómeno da hospitalização pediátrica, nomeadamente a forma como a criança e o adolescente se adaptam a ela e ao modo como lidam com as questões inerentes a essa experiência (e.g. dor; tratamentos, contacto com as “batas brancas”), o estudo desenvolvido averiguou quais os contributos mais significativos dos Doutores Palhaços da Operação Nariz Vermelho neste cenário, tomando não apenas o reportório fenomenológico do paciente pediátrico mas também o dos seus pais. Para tal, foram desenvolvidos três estudos complementares (Estudos I, II e III) - fundindo metodologias quantitativas e qualitativas - no seio dos quais a construção e validação de instrumentos para avaliar as especificidades dos fenómenos em estudo emergiu como investimento prioritário e que, na presente tese, se afirma como um dos seus principais contributos. Assim, o Estudo I centra-se na avaliação do processo de adaptação ao internamento pediátrico tendo por base o heterorrelato dos pais; o Estudo II – também designado de Estudo Principal – versa as perceções dos pais em torno do encontro da criança/adolescente, e deles próprios, com os Doutores Palhaços, bem como do atual e potencial impacto da sua intervenção no bem-estar pediátrico e respetivos acompanhantes. Neste é ainda apresentada a autoavaliação da criança quanto à dor e estado anímico sentidos antes e depois da visita do DP. Num terceiro estudo é dada a voz exclusivamente à criança/adolescente, auscultando-se, por intermédio de uma entrevista semiestruturada, a sua perspetiva em torno dos aspetos mais significativos do encontro tido com os Doutores Palhaços. Embora apresentados, num primeiro momento, de forma individual, os resultados dos três estudos são posteriormente alvo de leitura integrada, a fim de obter um olhar mais holístico sobre os fenómenos em foco. De entre os resultados dos estudos realizados, salienta-se a franca aceitação e reconhecimento - quer por parte dos adultos quer das crianças/adolescentes - do trabalho desenvolvido pelos Doutores Palhaços, sendo várias as evidências no seu discurso que dão conta dos valiosos subsídios destes profissionais ao nível do bem-estar físico e psicológico daqueles que são alvo da sua intervenção, designadamente ao nível da perceção da dor, do estado anímico das crianças/adolescentes, da vivência do ambiente hospitalar, da forma como é encarada a condição clínica que justificou o internamento, ou, ainda, dos níveis de cooperação da criança/adolescente com os profissionais que lhes prestam cuidados. |
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