Publicação
A sugestionabilidade infantil: construção de um instrumento de avaliação
| Resumo: | A última década tem sido marcada pelo crescente interesse na avaliação da credibilidade de testemunho. Isto deve-se ao facto das recentes evoluções na área de investigação das falsas memórias, isto é, o modo como as nossas memórias para acontecimentos são ditorcidas. Neste sentido, desde os finais do século XX, temos assistido à evolução da investigação da sugestionabilidade infantil. O interesse pelo estudo da sugestionabilidade infantil surge pelo aumento dos testemunhos infantis em contexto forense/tribunal. Estes estudos têm como principais objectivos a compreensão do fenómeno em si, bem como dos factores que o influenciam. A maior controvérsia em torno da sugestionabilidade infantil diz respeito à sua relação com a idade cronológica, sendo os resultados alcançados controversos. Enquanto alguns autores defendem que as crianças mais novas são mais sugestionáveis do que crianças mais velhas (Cunha, 2010; Gudjonsson, 1997), outros argumentam que as crianças são menos sugestionáveis do que os adultos (Goodman, Batterman-Faunce & Kenney, 1992). No entanto, outros factores têm sido tomados em conta para a compreensão da sugestionabilidade infantil, nomeadamente características individuais (memória e desejabilidade social). Sendo que os testemunhos infantis têm adquirido uma crescente importância, este estudo tem como principal objectivo a compreensão de alguns dos aspectos referidos, numa amostra de três grupos de crianças: 5/6 anos, 8/9 anos e 10/11 anos. Para tal, procedemos à construção de uma escala de avaliação da sugestionabilidade infantil, baseada na GSS (Gudjonsson, 1997), avaliando também algumas características individuais como a memória. Os resultados obtidos revelam que as crianças mais novas apresentam piores resultados nas medidas de evocação do que as crianças mais velhas, ao mesmo tempo que demonstram ser mais sugestionáveis, revelando que estas duas variáveis não estão relacionadas. O mesmo é comprovado pelo número superior de confabulações produzidas pelas crianças mais velhas. Quanto à desejabilidade social, percebemos que esta deve ser tida em conta na avaliação da sugestionabilidade infantil, uma vez que a influencia. O presente estudo conclui assim que alguns factores devem ser alvo de especial atenção num interrogatório, nomeadamente o uso de questões sugestivas, o viés e expectativas do investigador, bem como o processo confabulatório, nomeadamente as distorções produzidas. |
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| Autores principais: | Saraiva, Magda Catarina Gomes |
| Assunto: | Sugestionabilidade infantil Falsas memórias Testemunho infantil Idade cronológica Desejabilidade social Child suggestibility False memories Child testimony Chronological age Social desirability |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A última década tem sido marcada pelo crescente interesse na avaliação da credibilidade de testemunho. Isto deve-se ao facto das recentes evoluções na área de investigação das falsas memórias, isto é, o modo como as nossas memórias para acontecimentos são ditorcidas. Neste sentido, desde os finais do século XX, temos assistido à evolução da investigação da sugestionabilidade infantil. O interesse pelo estudo da sugestionabilidade infantil surge pelo aumento dos testemunhos infantis em contexto forense/tribunal. Estes estudos têm como principais objectivos a compreensão do fenómeno em si, bem como dos factores que o influenciam. A maior controvérsia em torno da sugestionabilidade infantil diz respeito à sua relação com a idade cronológica, sendo os resultados alcançados controversos. Enquanto alguns autores defendem que as crianças mais novas são mais sugestionáveis do que crianças mais velhas (Cunha, 2010; Gudjonsson, 1997), outros argumentam que as crianças são menos sugestionáveis do que os adultos (Goodman, Batterman-Faunce & Kenney, 1992). No entanto, outros factores têm sido tomados em conta para a compreensão da sugestionabilidade infantil, nomeadamente características individuais (memória e desejabilidade social). Sendo que os testemunhos infantis têm adquirido uma crescente importância, este estudo tem como principal objectivo a compreensão de alguns dos aspectos referidos, numa amostra de três grupos de crianças: 5/6 anos, 8/9 anos e 10/11 anos. Para tal, procedemos à construção de uma escala de avaliação da sugestionabilidade infantil, baseada na GSS (Gudjonsson, 1997), avaliando também algumas características individuais como a memória. Os resultados obtidos revelam que as crianças mais novas apresentam piores resultados nas medidas de evocação do que as crianças mais velhas, ao mesmo tempo que demonstram ser mais sugestionáveis, revelando que estas duas variáveis não estão relacionadas. O mesmo é comprovado pelo número superior de confabulações produzidas pelas crianças mais velhas. Quanto à desejabilidade social, percebemos que esta deve ser tida em conta na avaliação da sugestionabilidade infantil, uma vez que a influencia. O presente estudo conclui assim que alguns factores devem ser alvo de especial atenção num interrogatório, nomeadamente o uso de questões sugestivas, o viés e expectativas do investigador, bem como o processo confabulatório, nomeadamente as distorções produzidas. |
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