Publicação
A rotação obrigatória do audit engagement partner e o relato em auditoria: o caso das empresas cotadas na Euronext Lisbon
| Resumo: | Nos últimos anos, a União Europeia impôs às empresas de interesse público dos seus Estados Membros a rotação obrigatória do engagement partner e a rotação obrigatória da empresa de auditoria como forma de reforçar a independência do auditor e a qualidade da auditoria. Em Portugal, ambas as medidas foram incluídas no Estatuto da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas: a rotação obrigatória do engagement partner no ano de 2008 e a rotação obrigatória da empresa de auditoria, em 01.01.2016. Contudo, apesar da implementação da rotação obrigatória do auditor, a evidência empírica obtida pelos estudos internacionais sobre a sua influência ao nível da independência/qualidade da auditoria é limitada (Lennox et al., 2014; Cameran et al., 2015). A literatura internacional apresenta posições diferentes quanto aos efeitos da rotação obrigatória a nível do engagement partner/empresa de auditoria. Assim, esta dissertação tem como objetivo analisar a influência da rotação obrigatória do engagement partner ao nível do relato em auditoria, e em particular, na propensão para a emissão de relatórios de auditoria qualificados. Para tal, foi utilizado o paradigma positivista de investigação, com uma abordagem de carácter quantitativo. A amostra usada no estudo econométrico inclui as empresas cotadas na Euronext Lisbon no período de 2007 a 2016. Os resultados indicam que não há evidência significativa de que a rotação obrigatória do engagement partner influencie o relato em auditoria no ano em que ocorre a rotação, nem no ano anterior e posterior à rotação obrigatória. Contudo, e apesar da sua insignificância estatística, os resultados obtidos sugerem que a propensão do auditor para emitir relatórios de auditoria qualificados diminui no ano em que ocorre a rotação, e no ano imediatamente anterior e posterior à rotação obrigatória do engagement partner. Quando a análise se alarga para os dois anos anteriores e posteriores a rotação, os coeficientes das variáveis explicativas mantêm o sinal negativo e não significativo, mas são consistentes ao sugerir uma tendência de descida na propensão do auditor para emitir relatórios de auditoria qualificados nos anos em torno da rotação obrigatória do engagement partner. |
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| Autores principais: | Cunha, Maria de Fátima Barbosa da |
| Assunto: | Qualidade do relato financeiro Rotação obrigatória Engagement partner Quality of financial reporting Mandatory rotation Engagement partner |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Nos últimos anos, a União Europeia impôs às empresas de interesse público dos seus Estados Membros a rotação obrigatória do engagement partner e a rotação obrigatória da empresa de auditoria como forma de reforçar a independência do auditor e a qualidade da auditoria. Em Portugal, ambas as medidas foram incluídas no Estatuto da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas: a rotação obrigatória do engagement partner no ano de 2008 e a rotação obrigatória da empresa de auditoria, em 01.01.2016. Contudo, apesar da implementação da rotação obrigatória do auditor, a evidência empírica obtida pelos estudos internacionais sobre a sua influência ao nível da independência/qualidade da auditoria é limitada (Lennox et al., 2014; Cameran et al., 2015). A literatura internacional apresenta posições diferentes quanto aos efeitos da rotação obrigatória a nível do engagement partner/empresa de auditoria. Assim, esta dissertação tem como objetivo analisar a influência da rotação obrigatória do engagement partner ao nível do relato em auditoria, e em particular, na propensão para a emissão de relatórios de auditoria qualificados. Para tal, foi utilizado o paradigma positivista de investigação, com uma abordagem de carácter quantitativo. A amostra usada no estudo econométrico inclui as empresas cotadas na Euronext Lisbon no período de 2007 a 2016. Os resultados indicam que não há evidência significativa de que a rotação obrigatória do engagement partner influencie o relato em auditoria no ano em que ocorre a rotação, nem no ano anterior e posterior à rotação obrigatória. Contudo, e apesar da sua insignificância estatística, os resultados obtidos sugerem que a propensão do auditor para emitir relatórios de auditoria qualificados diminui no ano em que ocorre a rotação, e no ano imediatamente anterior e posterior à rotação obrigatória do engagement partner. Quando a análise se alarga para os dois anos anteriores e posteriores a rotação, os coeficientes das variáveis explicativas mantêm o sinal negativo e não significativo, mas são consistentes ao sugerir uma tendência de descida na propensão do auditor para emitir relatórios de auditoria qualificados nos anos em torno da rotação obrigatória do engagement partner. |
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