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Indumentária e masculinidade clerical na primeira metade do século XVIII: o caso dos cónegos seculares de São João Evangelista em Vilar de Frades (Barcelos, Portugal)

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Resumo:Este artigo indaga a indumentária dos cónegos seculares da congregação São João Evangelista de Vilar de Frades, durante a primeira metade do século XVIII, enquanto expressão de género e estatuto social. O problema central reside em compreender de que modo o vestuário desses clérigos comunicava valores espirituais, identitários e hierárquicos no contexto do Antigo Regime, confrontando os ideais carismáticos da congregação com as práticas materiais quotidianas. O objetivo principal é analisar as roupas e acessórios como instrumentos de representação da masculinidade clerical e de distinção social. A metodologia adotada é mista, baseada na análise de 22 inventários pós-morte que documentam 737 itens de indumentária, trabalhados com ferramentas qualitativas e quantitativas a partir da teoria do corpo socialmente vestido. Os resultados revelam que, apesar das normas de austeridade, os cónegos possuíam indumentária variada, ajustada às normas de civilidade e honra do Antigo Regime. A cultura da aparência refletia uma virilidade clerical distinta da nobreza, ancorada nas virtudes espirituais e funções sagradas. O hábito talar azul e branco e o grande número de camisas e acessórios, como barretes ou lenços, expressavam simultaneamente a obediência institucional e as estratégias individuais de distinção e honorabilidade nos espaços sociais marcados por ritualização e mediação simbólica.
Autores principais:Ferreira, Luís Gonçalves
Assunto:cónegos seculares de São João Evangelista cultura material género indumentária e traje inventários clothing and costume gender inventories material culture secular canons of St. John the Evangelist
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Este artigo indaga a indumentária dos cónegos seculares da congregação São João Evangelista de Vilar de Frades, durante a primeira metade do século XVIII, enquanto expressão de género e estatuto social. O problema central reside em compreender de que modo o vestuário desses clérigos comunicava valores espirituais, identitários e hierárquicos no contexto do Antigo Regime, confrontando os ideais carismáticos da congregação com as práticas materiais quotidianas. O objetivo principal é analisar as roupas e acessórios como instrumentos de representação da masculinidade clerical e de distinção social. A metodologia adotada é mista, baseada na análise de 22 inventários pós-morte que documentam 737 itens de indumentária, trabalhados com ferramentas qualitativas e quantitativas a partir da teoria do corpo socialmente vestido. Os resultados revelam que, apesar das normas de austeridade, os cónegos possuíam indumentária variada, ajustada às normas de civilidade e honra do Antigo Regime. A cultura da aparência refletia uma virilidade clerical distinta da nobreza, ancorada nas virtudes espirituais e funções sagradas. O hábito talar azul e branco e o grande número de camisas e acessórios, como barretes ou lenços, expressavam simultaneamente a obediência institucional e as estratégias individuais de distinção e honorabilidade nos espaços sociais marcados por ritualização e mediação simbólica.