Publicação
Social memory and its neural correlates in multiple sclerosis
| Resumo: | A Esclerose Múltipla (MS) é uma doença crónica autoimune desmielinizante do sistema nervoso central. Para além dos seus conhecidos défices sensoriais e motores, a disfunção cognitiva é atualmente reconhecida como um elemento crucial na vida destes pacientes. No entanto, entre outras funções cognitivas possivelmente afetadas, a memória de outros indivíduos (memória social) nunca foi avaliada em MS, apesar do seu défice poder explicar as dificuldades sociais reportadas por estes indivíduos. Neste projeto transversal, pacientes com MS e controlos foram testados numa tarefa inovadora de avaliação de memória social, na qual são os protagonistas de um jogo. Durante o jogo, a atividade cerebral é monitorizada por ressonância magnética funcional. Durante a tarefa, os participantes interagem com diversas personagens virtuais várias vezes (cada interação previamente classificada como “poder” ou “afiliação”), possibilitando o desenho de um “mapa” social definido por estas dimensões. A posição da personagem pode ser definida por um vetor, cujo comprimento e o cosseno do ângulo representam a distância social e a interação de afiliação e poder, respetivamente. Estas duas medidas foram usadas para prever atividade cerebral. Imagens estruturais também foram adquiridas para medir as lesões com hipersinal em FLAIR (número e volume total). Após a sessão de recolha de imagem, os participantes responderam a questionários, entre eles um questionário sobre os eventos sociais da tarefa e o questionário Montreal Cognitive Assessment. Os pacientes com MS tiveram uma pior performance no questionário sobre os eventos sociais da tarefa quando comparados com os controlos, apesar de terem performances similares em funções cognitivas globais. O cosseno do ângulo e o comprimento do vetor correlacionaram-se com um aumento de atividade no grupo controlo (comparado com o grupo MS) em áreas como a pré-cunha, córtex posterior do cíngulo, circunvolução fusiforme e regiões occipitais. Por outro lado, nenhuma área foi mais recrutada pelo grupo MS. Uma correlação entre a performance no questionário sobre os eventos sociais e o volume do complexo pré-cunha e córtex posterior do cíngulo foi encontrada no grupo MS, com menor volume associado a pior performance. O grupo MS tinha uma maior carga de lesão, cujo volume se correlacionou com uma pior performance no mesmo questionário de memória social. Como um todo, este trabalho demonstrou um défice cognitivo não reportado previamente em MS. Além disso, os substratos neurais funcionais e estruturais para este défice foram identificados. |
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| Autores principais: | Magalhães, André Maia |
| Assunto: | Esclerose Múltipla Memória social Neuroimagem Ressonância magnética funcional. fMRI Multiple Sclerosis Neuroimaging Social memory. |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A Esclerose Múltipla (MS) é uma doença crónica autoimune desmielinizante do sistema nervoso central. Para além dos seus conhecidos défices sensoriais e motores, a disfunção cognitiva é atualmente reconhecida como um elemento crucial na vida destes pacientes. No entanto, entre outras funções cognitivas possivelmente afetadas, a memória de outros indivíduos (memória social) nunca foi avaliada em MS, apesar do seu défice poder explicar as dificuldades sociais reportadas por estes indivíduos. Neste projeto transversal, pacientes com MS e controlos foram testados numa tarefa inovadora de avaliação de memória social, na qual são os protagonistas de um jogo. Durante o jogo, a atividade cerebral é monitorizada por ressonância magnética funcional. Durante a tarefa, os participantes interagem com diversas personagens virtuais várias vezes (cada interação previamente classificada como “poder” ou “afiliação”), possibilitando o desenho de um “mapa” social definido por estas dimensões. A posição da personagem pode ser definida por um vetor, cujo comprimento e o cosseno do ângulo representam a distância social e a interação de afiliação e poder, respetivamente. Estas duas medidas foram usadas para prever atividade cerebral. Imagens estruturais também foram adquiridas para medir as lesões com hipersinal em FLAIR (número e volume total). Após a sessão de recolha de imagem, os participantes responderam a questionários, entre eles um questionário sobre os eventos sociais da tarefa e o questionário Montreal Cognitive Assessment. Os pacientes com MS tiveram uma pior performance no questionário sobre os eventos sociais da tarefa quando comparados com os controlos, apesar de terem performances similares em funções cognitivas globais. O cosseno do ângulo e o comprimento do vetor correlacionaram-se com um aumento de atividade no grupo controlo (comparado com o grupo MS) em áreas como a pré-cunha, córtex posterior do cíngulo, circunvolução fusiforme e regiões occipitais. Por outro lado, nenhuma área foi mais recrutada pelo grupo MS. Uma correlação entre a performance no questionário sobre os eventos sociais e o volume do complexo pré-cunha e córtex posterior do cíngulo foi encontrada no grupo MS, com menor volume associado a pior performance. O grupo MS tinha uma maior carga de lesão, cujo volume se correlacionou com uma pior performance no mesmo questionário de memória social. Como um todo, este trabalho demonstrou um défice cognitivo não reportado previamente em MS. Além disso, os substratos neurais funcionais e estruturais para este défice foram identificados. |
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