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União Europeia e liberdade como não-dominação – Uma abordagem republicana para uma identidade europeia solidarística

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Resumo:A União Europeia tem vindo a atravessar um período de crise existencial no qual são questionadas as suas fundações e possibilidades, a par com um crescimento dos nacionalismos europeus que ameaçam a sua fragmentação. A atual crise europeia radica em duas causas principais: a existência de um défice democrático a par com a subsequente desconexão democrática entre cidadãos e instituições europeias e a ausência de um vínculo simbólico entre as várias populações europeias capaz de fortalecer um tipo de solidariedade de cariz quasi-nacional. A presente tese visa propor uma identidade europeia assente em três pilares essenciais. O primeiro pilar prende-se com a exigência de um constitucionalismo moderno de bases democráticas cuja afinidade estrutural com o princípio republicano de liberdade como não-dominação o tornam premente na construção de uma Europa expurgada de hegemonias e imperialismos discursivos. Um segundo pilar refere-se àquilo a que designarei de solidariedade republicana e um terceiro pilar concernente quer a uma memória imaginada comum quer a uma utopia corporal, não estatizante e de bases verdadeiramente democráticas e que é possível apenas na medida da realização dos primeiros pilares e vice-versa. Assim, o constitucionalismo europeu e a solidariedade republicana - que aflora de um estilo da vida europeu, mais do que apenas uma participação cívica europeia - e a presença de uma metanarrativa utópica - não como um fim, mas como meio ou uma metodologia - interrelacionam-se e são capazes de restituir, pelo menos parcialmente, o vigor democrático e a carga simbólica que têm vindo a estiolar nos últimos anos com o aparente descrédito do projecto europeu.
Autores principais:Matos, Ricardo Jorge Pereira de
Assunto:União Europeia Republicanismo Liberdade como não-dominação Liberdade neorrepublicana Identidade Constitucionalismo Solidariedade Utopia corporal Memória colectiva European Union Republicanism Freedom as non-domination Neo-republican freedom Identity Constitutionalism Solidarity Body utopia Collective memory
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A União Europeia tem vindo a atravessar um período de crise existencial no qual são questionadas as suas fundações e possibilidades, a par com um crescimento dos nacionalismos europeus que ameaçam a sua fragmentação. A atual crise europeia radica em duas causas principais: a existência de um défice democrático a par com a subsequente desconexão democrática entre cidadãos e instituições europeias e a ausência de um vínculo simbólico entre as várias populações europeias capaz de fortalecer um tipo de solidariedade de cariz quasi-nacional. A presente tese visa propor uma identidade europeia assente em três pilares essenciais. O primeiro pilar prende-se com a exigência de um constitucionalismo moderno de bases democráticas cuja afinidade estrutural com o princípio republicano de liberdade como não-dominação o tornam premente na construção de uma Europa expurgada de hegemonias e imperialismos discursivos. Um segundo pilar refere-se àquilo a que designarei de solidariedade republicana e um terceiro pilar concernente quer a uma memória imaginada comum quer a uma utopia corporal, não estatizante e de bases verdadeiramente democráticas e que é possível apenas na medida da realização dos primeiros pilares e vice-versa. Assim, o constitucionalismo europeu e a solidariedade republicana - que aflora de um estilo da vida europeu, mais do que apenas uma participação cívica europeia - e a presença de uma metanarrativa utópica - não como um fim, mas como meio ou uma metodologia - interrelacionam-se e são capazes de restituir, pelo menos parcialmente, o vigor democrático e a carga simbólica que têm vindo a estiolar nos últimos anos com o aparente descrédito do projecto europeu.