Publicação
Equídeos gravados entre os rios Minho e Âncora, Noroeste de Portugal. Da inventariação ao estudo e interpretação
| Resumo: | Através do estudo dos equídeos gravados em afloramentos ao ar livre na área geográfica compreendida entre os rios Minho e Âncora (Noroeste de Portugal), pretende-se aumentar o conhecimento sobre estas manifestações de arte rupestre. Após o levantamento do estado da arte e o estudo de conceitos que serviriam de base ao estudo, foi preparado o trabalho de campo, definindo-se as áreas de prospeção. Aí foram recolhidos dados para posterior tratamento com recurso a novas tecnologias, nomeadamente, a realização de registos fotogramétricos das rochas, o que resultou num inventário anexo a esta dissertação com 43 afloramento, onde se identificaram 126 equídeos gravados. Verificou-se: (1) que os afloramentos gravados estão essencialmente localizados em plataformas, a meia vertente e próximos de recursos hídricos, sejam eles permanentes, como os rios, ou sazonais, como as zonas de lameiros propícios ao pastoreio de gado; (2) que os equídeos se apresentam sob duas grandes tipologias: os gravados de uma forma esquemática, e os gravados de forma sub-naturalista; (3) que as características anatómicas das representações apontam para a espécie Equus hydruntinus - o Zebro ou Zevro - uma espécie de equídeo selvagem similar aos asininos e que existe em registo fóssil pela Europa ocidental e central. Comparativamente aos cavalos, são de pequeno porte, com orelhas grandes e pontiagudas, membros mais finos, garupa mais angular, dorso pouco marcado e cabeça mais fina com crina curta. Verificou-se, ainda, numa análise espacial das superfícies gravadas, que os equídeos partilham a superfície das rochas com vários outros motivos, que vão desde os mais abstratos círculos concêntricos, covinhas ou sulcos meandriformes, característicos da Arte Atlântica Clássica, cronologicamente inserida no Neo-calcolítico, até motivos mais figurativos e mais facilmente identificáveis, como os círculos segmentados ou as armas, que podemos enquadrar cronologicamente desde a Idade do Bronze até à Idade do Ferro. De facto, as cronologias de gravação de equídeos apontam para uma grande diacronia. Por um lado, através da análise de sobreposições e adições de equídeos, bem como a sua associação a motivos mais antigos da Arte Atlântica, permite constatar que estes lhes são posteriores e possivelmente terão sido introduzidos ao longo da Idade do Bronze. Por outro lado, as representações de equídeos montados por cavaleiros portadores de armas de arremesso, através de analogias com dados cronológicos recolhidos em contextos arqueológicos, nomeadamente a representação de armas, apontam para um momento posterior, algures no Bronze Final/Ferro Antigo. Também a existência de equídeos montados por ginetes, alguns com a representação do cavaleiro segurando rédeas, reforça estas cronologias e permite balizar este momento algures no 1º milénio a.C., altura em que se pode afirmar que a equitação surge na Península Ibérica. Ao nível interpretativo, é possível verificar a grande importância atribuída ao cavalo a partir, pelo menos, da Idade do Bronze. Por um lado, surgem representações de equídeos simples, sem qualquer associação a outros motivos, apenas na sua existência quotidiana, por outro, surgem os equídeos associados a outros motivos, como cavaleiros ou armas, demonstrando a sua importância como animal de monta, elemento de caça ou eventualmente sacrificial. A sua associação a formas circulares sugere o cavalo transportador do sol ou da lua e relembra-nos as mitologias nórdicas do ciclo solar ou lunar. De facto, a simbologia poderá diferenciar-se conforme a população e a cronologia em que foi adotado. |
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| Autores principais: | Coutinho, Luís Manuel Pinheiro Gonçalves |
| Assunto: | Arte Rupestre Equídeos gravados Noroeste de Portugal Idade do Bronze Idade do Ferro Rock Art Engraved Equids Northwest of Portugal Bronze Age Iron Age |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Através do estudo dos equídeos gravados em afloramentos ao ar livre na área geográfica compreendida entre os rios Minho e Âncora (Noroeste de Portugal), pretende-se aumentar o conhecimento sobre estas manifestações de arte rupestre. Após o levantamento do estado da arte e o estudo de conceitos que serviriam de base ao estudo, foi preparado o trabalho de campo, definindo-se as áreas de prospeção. Aí foram recolhidos dados para posterior tratamento com recurso a novas tecnologias, nomeadamente, a realização de registos fotogramétricos das rochas, o que resultou num inventário anexo a esta dissertação com 43 afloramento, onde se identificaram 126 equídeos gravados. Verificou-se: (1) que os afloramentos gravados estão essencialmente localizados em plataformas, a meia vertente e próximos de recursos hídricos, sejam eles permanentes, como os rios, ou sazonais, como as zonas de lameiros propícios ao pastoreio de gado; (2) que os equídeos se apresentam sob duas grandes tipologias: os gravados de uma forma esquemática, e os gravados de forma sub-naturalista; (3) que as características anatómicas das representações apontam para a espécie Equus hydruntinus - o Zebro ou Zevro - uma espécie de equídeo selvagem similar aos asininos e que existe em registo fóssil pela Europa ocidental e central. Comparativamente aos cavalos, são de pequeno porte, com orelhas grandes e pontiagudas, membros mais finos, garupa mais angular, dorso pouco marcado e cabeça mais fina com crina curta. Verificou-se, ainda, numa análise espacial das superfícies gravadas, que os equídeos partilham a superfície das rochas com vários outros motivos, que vão desde os mais abstratos círculos concêntricos, covinhas ou sulcos meandriformes, característicos da Arte Atlântica Clássica, cronologicamente inserida no Neo-calcolítico, até motivos mais figurativos e mais facilmente identificáveis, como os círculos segmentados ou as armas, que podemos enquadrar cronologicamente desde a Idade do Bronze até à Idade do Ferro. De facto, as cronologias de gravação de equídeos apontam para uma grande diacronia. Por um lado, através da análise de sobreposições e adições de equídeos, bem como a sua associação a motivos mais antigos da Arte Atlântica, permite constatar que estes lhes são posteriores e possivelmente terão sido introduzidos ao longo da Idade do Bronze. Por outro lado, as representações de equídeos montados por cavaleiros portadores de armas de arremesso, através de analogias com dados cronológicos recolhidos em contextos arqueológicos, nomeadamente a representação de armas, apontam para um momento posterior, algures no Bronze Final/Ferro Antigo. Também a existência de equídeos montados por ginetes, alguns com a representação do cavaleiro segurando rédeas, reforça estas cronologias e permite balizar este momento algures no 1º milénio a.C., altura em que se pode afirmar que a equitação surge na Península Ibérica. Ao nível interpretativo, é possível verificar a grande importância atribuída ao cavalo a partir, pelo menos, da Idade do Bronze. Por um lado, surgem representações de equídeos simples, sem qualquer associação a outros motivos, apenas na sua existência quotidiana, por outro, surgem os equídeos associados a outros motivos, como cavaleiros ou armas, demonstrando a sua importância como animal de monta, elemento de caça ou eventualmente sacrificial. A sua associação a formas circulares sugere o cavalo transportador do sol ou da lua e relembra-nos as mitologias nórdicas do ciclo solar ou lunar. De facto, a simbologia poderá diferenciar-se conforme a população e a cronologia em que foi adotado. |
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