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A institucionalização do processo de acordos de offset no comando da aeronáutica do Brasil

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Há mais de meio século, diversos países têm usado o enorme poder negocial inerente às compras governamentais internacionais como forma de solicitar contrapartidas aos seus fornecedores, particularmente na área de Defesa. Apesar de alguns posicionamentos contrários de importantes atores do cenário de comércio exterior, essa abordagem vem se constituindo numa estratégia amplamente utilizada, sobretudo por países europeus, a fim de se obter acesso a tecnologias complexas e de fortalecer seu parque industrial de Defesa. Com o Brasil, tal não foi diferente e, efetivamente, esta abordagem já é utilizada há mais de 50 anos por suas Forças Armadas, as quais, até final do século passado, estavam constituídas sob a forma de ministérios militares independentes, cada uma com poder político próprio e, por consequência, com autonomia administrativa e decisória ímpares. Tal contexto possibilitou um processo de insitucionalização diferenciado entre as Forças. No caso particular da Força Aérea Brasileira – FAB , por conta da alta tecnologia comumente envolvida na aviação militar, associada ao valores usualmente altos de aeronaves, bens e serviços correlatos, esta necessitava de constantes aquisições complexas e de alto valor monetário. Estes fatos fizeram com que a FAB fosse a primeira a utilizar e institucionalizar o processo de implementação de acordos de contrapartidas. Todavia, em meados de 1999, com a dissolução dos ministérios militares e a criação do Ministério da Defesa do Brasil, abriu-se espaço para a edição de sua política de acordos de contrapartidas, assinada em 2002. Desde então, esta política e suas diretrizes tem sido implementadas na Força Aérea, pelo que, decorrida uma década, pouco se sabe sobre como se encontra a institucionalização do processo de acordos de contrapartidas dentro daquela Força, o que motivou a realização do presente estudo. A pesquisa feita envolveu 38 (trinta e oito) oficiais da FAB que atuam (ou atuaram recentemente) na gestão de acordos de contrapartidas para aquela Força e foi baseada no framework proposto pelo Business Process Maturity Model – BPMM , para análise da institucionalização de processos nas organizações. Os resultados obtidos mostram que, ao analisarmos a institucionalização do processo considerando suas fases, estas encontram-se em diferentes estágios, o que denota que o processo, como um todo, ainda não pode ser considerado adequadamente institucionalizado na Força Aérea.
Autores principais:Neto, Diógenes Lima
Assunto:Governo Defesa Institucionalização Processo Contrapartidas Forças Armadas Militar Government Defense Institutionalization Process Offsets Armed Forces Military
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Há mais de meio século, diversos países têm usado o enorme poder negocial inerente às compras governamentais internacionais como forma de solicitar contrapartidas aos seus fornecedores, particularmente na área de Defesa. Apesar de alguns posicionamentos contrários de importantes atores do cenário de comércio exterior, essa abordagem vem se constituindo numa estratégia amplamente utilizada, sobretudo por países europeus, a fim de se obter acesso a tecnologias complexas e de fortalecer seu parque industrial de Defesa. Com o Brasil, tal não foi diferente e, efetivamente, esta abordagem já é utilizada há mais de 50 anos por suas Forças Armadas, as quais, até final do século passado, estavam constituídas sob a forma de ministérios militares independentes, cada uma com poder político próprio e, por consequência, com autonomia administrativa e decisória ímpares. Tal contexto possibilitou um processo de insitucionalização diferenciado entre as Forças. No caso particular da Força Aérea Brasileira – FAB , por conta da alta tecnologia comumente envolvida na aviação militar, associada ao valores usualmente altos de aeronaves, bens e serviços correlatos, esta necessitava de constantes aquisições complexas e de alto valor monetário. Estes fatos fizeram com que a FAB fosse a primeira a utilizar e institucionalizar o processo de implementação de acordos de contrapartidas. Todavia, em meados de 1999, com a dissolução dos ministérios militares e a criação do Ministério da Defesa do Brasil, abriu-se espaço para a edição de sua política de acordos de contrapartidas, assinada em 2002. Desde então, esta política e suas diretrizes tem sido implementadas na Força Aérea, pelo que, decorrida uma década, pouco se sabe sobre como se encontra a institucionalização do processo de acordos de contrapartidas dentro daquela Força, o que motivou a realização do presente estudo. A pesquisa feita envolveu 38 (trinta e oito) oficiais da FAB que atuam (ou atuaram recentemente) na gestão de acordos de contrapartidas para aquela Força e foi baseada no framework proposto pelo Business Process Maturity Model – BPMM , para análise da institucionalização de processos nas organizações. Os resultados obtidos mostram que, ao analisarmos a institucionalização do processo considerando suas fases, estas encontram-se em diferentes estágios, o que denota que o processo, como um todo, ainda não pode ser considerado adequadamente institucionalizado na Força Aérea.