Publicação
Economias de escala e de gama e os efeitos da concentração na eficiência bancária
| Resumo: | O objectivo deste estudo é a análise da existência de economias de escala e de gama, da eficiência produtiva, dos efeitos da concentração e do progresso tecnológico sobre os custos bancários, tendo por base o mercado bancário português. A conceptualização da empresa bancária passa pela abordagem adoptada: produção ou intermediação. A adopção desta última corrente, neste trabalho, implica que a variável a explicar inclua os custos financeiros, além dos operacionais. As especificações custo adoptadas são do tipo Cobb-Douglas, Translog e Fourier. O carácter multiproduto da empresa bancária sugere o recurso a funções como a Translog e a Fourier. No entanto, a introdução de variáveis de estrutura e de homogeneidade, permite a associação da actividade bancária (multiproduto) a uma função uniproduto (Cobb-Douglas). Por outro lado, a função Fourier consegue uma maior aderência aos dados do que a função Translog. A amostra corresponde a vinte e dois bancos que operavam em Portugal em 31 de Dezembro, entre 1995 e 2001 — base não consolidada, com uma estrutura de dados em painel. A estimação das economias de escala - dados em painel (efeitos fixos e efeitos aleatórios) - através das três especificações custo estudadas, permite concluir que não existem economias de escala no sector bancário nacional. No entanto, isso é verdade, apenas, no que se refere aos custos financeiros, uma vez que os resultados empíricos sugerem a existência de economias de escala em relação aos custos operacionais. Quanto à possível existência de economias de gama, dos resultados empíricos pode concluir-se que a diminuição dos custos não é associada à diversificação (especificações Translog e Fourier). O estudo da ineficiência é elaborado recorrendo ao modelo estocástico da curva fronteira. Os resultados obtidos apresentam-se sensíveis quanto ao modelo adoptado. Com efeito, a taxa de ineficiência média, para o conjunto dos bancos da amostra, é de cerca de 4% (especificações Translog e Fourier) e de 12% (especificação Cobb-Douglas). Para a análise da concentração, introduzem-se variáveis binárias, que pretendem captar os efeitos no próprio ano, um, dois e três anos após a concentração. Se se adoptar a especificação Cobb-Douglas, obtêm-se importantes efeitos na redução de custos decorrentes da concentração. Se se adoptar as formas funcionais multiproduto Translog e Fourier, os efeitos da concentração são desprezíveis. Estes resultados contraditórios explicam-se, parcialmente, pela natureza da amostra: o número de observações é muito reduzido (nos períodos de dois e três após a concentração). Os efeitos do progresso tecnológico sobre a eficiência analisam-se através da introdução, nos modelos, de uma variável compósita (que inclui as ligações à Net e o número de caixas Multibanco), como alternativa à variável tempo. Conclui-se que, no caso desta amostra de 1995 a 2001, o progresso tecnológico não reduz os custos totais. No entanto, se se relevar, apenas, os efeitos directos, o progresso tecnológico diminui os custos totais. Em síntese, o processo de concentração, ainda inacabado, do sector bancário português, parece justificar-se pela existência de economias à escala, ao nível dos custos operacionais, pela possibilidade de diminuição da ineficiência-X e pela incorporação do progresso tecnológico. |
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| Autores principais: | Ribeiro, Maria Clara Dias Pinto |
| Assunto: | Indústria bancária Funções custo Economias de escala e economias de gama X-ineficiência Fronteira de custo Estocástica Fusões e aquisições Progresso tecnológico Modelos com dados em painel Banking industry Cost function Scale economies and scope economies x- inefficiency Stochastic cost frontier Mergers and acquisitions Technological growth Panel data analysis |
| Ano: | 2006 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O objectivo deste estudo é a análise da existência de economias de escala e de gama, da eficiência produtiva, dos efeitos da concentração e do progresso tecnológico sobre os custos bancários, tendo por base o mercado bancário português. A conceptualização da empresa bancária passa pela abordagem adoptada: produção ou intermediação. A adopção desta última corrente, neste trabalho, implica que a variável a explicar inclua os custos financeiros, além dos operacionais. As especificações custo adoptadas são do tipo Cobb-Douglas, Translog e Fourier. O carácter multiproduto da empresa bancária sugere o recurso a funções como a Translog e a Fourier. No entanto, a introdução de variáveis de estrutura e de homogeneidade, permite a associação da actividade bancária (multiproduto) a uma função uniproduto (Cobb-Douglas). Por outro lado, a função Fourier consegue uma maior aderência aos dados do que a função Translog. A amostra corresponde a vinte e dois bancos que operavam em Portugal em 31 de Dezembro, entre 1995 e 2001 — base não consolidada, com uma estrutura de dados em painel. A estimação das economias de escala - dados em painel (efeitos fixos e efeitos aleatórios) - através das três especificações custo estudadas, permite concluir que não existem economias de escala no sector bancário nacional. No entanto, isso é verdade, apenas, no que se refere aos custos financeiros, uma vez que os resultados empíricos sugerem a existência de economias de escala em relação aos custos operacionais. Quanto à possível existência de economias de gama, dos resultados empíricos pode concluir-se que a diminuição dos custos não é associada à diversificação (especificações Translog e Fourier). O estudo da ineficiência é elaborado recorrendo ao modelo estocástico da curva fronteira. Os resultados obtidos apresentam-se sensíveis quanto ao modelo adoptado. Com efeito, a taxa de ineficiência média, para o conjunto dos bancos da amostra, é de cerca de 4% (especificações Translog e Fourier) e de 12% (especificação Cobb-Douglas). Para a análise da concentração, introduzem-se variáveis binárias, que pretendem captar os efeitos no próprio ano, um, dois e três anos após a concentração. Se se adoptar a especificação Cobb-Douglas, obtêm-se importantes efeitos na redução de custos decorrentes da concentração. Se se adoptar as formas funcionais multiproduto Translog e Fourier, os efeitos da concentração são desprezíveis. Estes resultados contraditórios explicam-se, parcialmente, pela natureza da amostra: o número de observações é muito reduzido (nos períodos de dois e três após a concentração). Os efeitos do progresso tecnológico sobre a eficiência analisam-se através da introdução, nos modelos, de uma variável compósita (que inclui as ligações à Net e o número de caixas Multibanco), como alternativa à variável tempo. Conclui-se que, no caso desta amostra de 1995 a 2001, o progresso tecnológico não reduz os custos totais. No entanto, se se relevar, apenas, os efeitos directos, o progresso tecnológico diminui os custos totais. Em síntese, o processo de concentração, ainda inacabado, do sector bancário português, parece justificar-se pela existência de economias à escala, ao nível dos custos operacionais, pela possibilidade de diminuição da ineficiência-X e pela incorporação do progresso tecnológico. |
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