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As vozes da morte anunciada: representações, vivências e práticas em cuidados paliativos

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Resumo:Todas as civilizações ficaram confrontadas com a realidade da morte que é o ator principal desta investigação. Se o medo foi desde sempre o companheiro insubstituível da morte, os homens recorreram aos rituais para domesticá-la. Foi o caso das civilizações primitivas e antigas (egípcia, greco-romana, etc.). Foi o caso também nos tempos medievais, com os homens a conviverem com as pandemias, as guerras e as fomes. É o caso ainda, tanto da época moderna (o Renascimento, o século da Luzes, o produtivismo do século XIX, as ideologias económicas e políticas do século XX), que secularizou a questão da esperança difundida pelas religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo), como da época atual, a pós modernidade, que aceita a tragicidade da finitude. Com a modernidade, são a racionalidade científica, a crença no progresso e o materialismo que tomaram o lugar do mito e da fé, fazendo com que a realidade da morte fosse recalcada. Com a pós-modernidade, que valoriza o presentismo, a afirmação nietzscheana da vida e a aceitação trágica do destino, ficou diluído o individualismo e reencontrado a força vital da mitologia e do ritualismo característicos dos tempos primitivos. É à luz destes dados históricos e sociais que tentámos compreender as conceções que os nossos contemporâneos tinham da morte, quais eram as suas representações da morte, como a vivenciavam no seu quotidiano, quais eram as suas práticas. Para isso, realizámos uma série de entrevistas em meios hospitalares, e mais particularmente nos serviços de cuidados paliativos, feitas às pessoas em fim de vida, aos familiares e profissionais de saúde que delas cuidavam. Assim, as biografias dos doentes, narradas na primeira pessoa, tomaram uma posição de destaque neste trabalho. Pois, é nelas que se exprimem os medos, as esperanças dos doentes em fim de vida e as suas interações com os seus entes queridos e com quem os trata. Por isso, procedeu-se a uma análise temática minuciosa centrada nas dimensões pessoais e humanas, socio-relacionais, religiosas e espirituais, onde cada uma destas dimensões nos trouxeram à tona as categorias temáticas e suas vertentes. Isto nos possibilitou descobrir argumentos importantes para construirmos uma interpretação baseada nas vozes dos sujeitos envolvidos neste estudo. Pretendemos assim compreender a comunicação da morte em contexto hospitalar e extra hospitalar, com o desenvolvimento das novas tecnologias e a proliferação das redes sociais.
Autores principais:Rodrigues, Welberg Menezes
Assunto:Comunicação da morte Morte Práticas Representações Vivências Communication of death Death Experiences Practices Representations
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Todas as civilizações ficaram confrontadas com a realidade da morte que é o ator principal desta investigação. Se o medo foi desde sempre o companheiro insubstituível da morte, os homens recorreram aos rituais para domesticá-la. Foi o caso das civilizações primitivas e antigas (egípcia, greco-romana, etc.). Foi o caso também nos tempos medievais, com os homens a conviverem com as pandemias, as guerras e as fomes. É o caso ainda, tanto da época moderna (o Renascimento, o século da Luzes, o produtivismo do século XIX, as ideologias económicas e políticas do século XX), que secularizou a questão da esperança difundida pelas religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo), como da época atual, a pós modernidade, que aceita a tragicidade da finitude. Com a modernidade, são a racionalidade científica, a crença no progresso e o materialismo que tomaram o lugar do mito e da fé, fazendo com que a realidade da morte fosse recalcada. Com a pós-modernidade, que valoriza o presentismo, a afirmação nietzscheana da vida e a aceitação trágica do destino, ficou diluído o individualismo e reencontrado a força vital da mitologia e do ritualismo característicos dos tempos primitivos. É à luz destes dados históricos e sociais que tentámos compreender as conceções que os nossos contemporâneos tinham da morte, quais eram as suas representações da morte, como a vivenciavam no seu quotidiano, quais eram as suas práticas. Para isso, realizámos uma série de entrevistas em meios hospitalares, e mais particularmente nos serviços de cuidados paliativos, feitas às pessoas em fim de vida, aos familiares e profissionais de saúde que delas cuidavam. Assim, as biografias dos doentes, narradas na primeira pessoa, tomaram uma posição de destaque neste trabalho. Pois, é nelas que se exprimem os medos, as esperanças dos doentes em fim de vida e as suas interações com os seus entes queridos e com quem os trata. Por isso, procedeu-se a uma análise temática minuciosa centrada nas dimensões pessoais e humanas, socio-relacionais, religiosas e espirituais, onde cada uma destas dimensões nos trouxeram à tona as categorias temáticas e suas vertentes. Isto nos possibilitou descobrir argumentos importantes para construirmos uma interpretação baseada nas vozes dos sujeitos envolvidos neste estudo. Pretendemos assim compreender a comunicação da morte em contexto hospitalar e extra hospitalar, com o desenvolvimento das novas tecnologias e a proliferação das redes sociais.