Publicação
A morte de jovens em contexto de urgência: vivências dos enfermeiros
| Resumo: | Juventude é sinónimo de longevidade. A morte de jovens assume uma conotação trágica e é vista como um dos maiores desafios enfrentados pelos profissionais de saúde. Nos serviços de urgência, além de salvarem vidas, os enfermeiros cuidam de jovens e famílias em morte iminente. Nestes contextos o paradigma assistencial implica que as intervenções terapêuticas sejam urgentes e emergentes e dirigidas para a cura, através da estabilização das funções orgânicas alteradas. No entanto, muitas vezes, os jovens que recorrem ao serviço de urgência têm prognóstico de limite de vida, para o qual não existe efetivamente nenhuma hipótese de recuperação, ou todas as intervenções falham. Os enfermeiros perante esta realidade são continuamente confrontados com vivências pessoais que influenciam a sua conduta, e a sua forma de cuidar. O presente estudo pretende compreender as vivências dos enfermeiros com a situação de morte de jovens/família em contexto de urgência/emergência. Para responder ao objetivo proposto desenvolveu-se um estudo exploratório, descritivo do tipo fenomenológico, cuja recolha de dados foi efetuada no serviço de um hospital da região norte de Portugal com recurso à entrevista semiestruturada. Os participantes do estudo são enfermeiros que cumpriam os critérios definidos tendo em conta as considerações éticas e operacionais intrínsecas à investigação, bem como o princípio da saturação de dados. Os dados obtidos permitiram identificar quatro áreas temáticas, i) experiências dos enfermeiros perante a morte de um jovem; ii) dificuldades sentidas pelos enfermeiros perante a morte de um jovem; iii) estratégias utilizadas pelos enfermeiros para enfrentar a morte de jovens e iv) informação complementar. Dentro de cada área temática foram ainda identificadas categorias e subcategorias, como, equipa orientada para a cura; acontecimento contranatura; vivência marcante; tomada de decisão; comunicação de más notícias; informação e cuidado à família; identificação das necessidades efetivas da família; envolvimento emocional/gestão de sentimentos; transição da situação para o contexto pessoal; discussão de situações vivenciados e partilha de emoções e sentimentos com colegas de equipa; apoio familiar; afastamento dos cuidados/fuga/distanciamento e necessidade de apoio psicológico à equipa/debriefing. Os resultados revelaram que os cuidados aos jovens em morte iminente e família têm impacte emocional nos enfermeiros, sendo um acontecimento que os marca para sempre. Para além da gestão emocional os participantes revelaram dificuldades que se prendem com a tomada de decisão, a comunicação de más notícias, a informação e cuidado à família, a identificação das necessidades efetivas da família, a gestão das emoções e a transição da situação para o contexto pessoal. As estratégias mais utilizadas pelos participantes para minimizar o impacte das perdas foram a discussão das situações vivenciadas e a partilha de emoções e sentimentos com colegas de equipa, o apoio familiar e o afastamento dos cuidados. Conclui-se que a implementação de programas de debriefing em equipa e o apoio emocional aos profissionais, que vivenciam o evento morte de jovens, poderiam contribuir para minimizar os danos causados pelo impacte desta experiência, no sentido de melhorar a qualidade de vida dos profissionais que trabalham num serviço de urgência e consequentemente, a qualidade dos cuidados. |
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| Autores principais: | Teixeira, Diana Fernandes |
| Assunto: | Adolescente Adulto jovem Morte Emergências Enfermagem Adolescent Young adult Death Emergencies Nursing |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Juventude é sinónimo de longevidade. A morte de jovens assume uma conotação trágica e é vista como um dos maiores desafios enfrentados pelos profissionais de saúde. Nos serviços de urgência, além de salvarem vidas, os enfermeiros cuidam de jovens e famílias em morte iminente. Nestes contextos o paradigma assistencial implica que as intervenções terapêuticas sejam urgentes e emergentes e dirigidas para a cura, através da estabilização das funções orgânicas alteradas. No entanto, muitas vezes, os jovens que recorrem ao serviço de urgência têm prognóstico de limite de vida, para o qual não existe efetivamente nenhuma hipótese de recuperação, ou todas as intervenções falham. Os enfermeiros perante esta realidade são continuamente confrontados com vivências pessoais que influenciam a sua conduta, e a sua forma de cuidar. O presente estudo pretende compreender as vivências dos enfermeiros com a situação de morte de jovens/família em contexto de urgência/emergência. Para responder ao objetivo proposto desenvolveu-se um estudo exploratório, descritivo do tipo fenomenológico, cuja recolha de dados foi efetuada no serviço de um hospital da região norte de Portugal com recurso à entrevista semiestruturada. Os participantes do estudo são enfermeiros que cumpriam os critérios definidos tendo em conta as considerações éticas e operacionais intrínsecas à investigação, bem como o princípio da saturação de dados. Os dados obtidos permitiram identificar quatro áreas temáticas, i) experiências dos enfermeiros perante a morte de um jovem; ii) dificuldades sentidas pelos enfermeiros perante a morte de um jovem; iii) estratégias utilizadas pelos enfermeiros para enfrentar a morte de jovens e iv) informação complementar. Dentro de cada área temática foram ainda identificadas categorias e subcategorias, como, equipa orientada para a cura; acontecimento contranatura; vivência marcante; tomada de decisão; comunicação de más notícias; informação e cuidado à família; identificação das necessidades efetivas da família; envolvimento emocional/gestão de sentimentos; transição da situação para o contexto pessoal; discussão de situações vivenciados e partilha de emoções e sentimentos com colegas de equipa; apoio familiar; afastamento dos cuidados/fuga/distanciamento e necessidade de apoio psicológico à equipa/debriefing. Os resultados revelaram que os cuidados aos jovens em morte iminente e família têm impacte emocional nos enfermeiros, sendo um acontecimento que os marca para sempre. Para além da gestão emocional os participantes revelaram dificuldades que se prendem com a tomada de decisão, a comunicação de más notícias, a informação e cuidado à família, a identificação das necessidades efetivas da família, a gestão das emoções e a transição da situação para o contexto pessoal. As estratégias mais utilizadas pelos participantes para minimizar o impacte das perdas foram a discussão das situações vivenciadas e a partilha de emoções e sentimentos com colegas de equipa, o apoio familiar e o afastamento dos cuidados. Conclui-se que a implementação de programas de debriefing em equipa e o apoio emocional aos profissionais, que vivenciam o evento morte de jovens, poderiam contribuir para minimizar os danos causados pelo impacte desta experiência, no sentido de melhorar a qualidade de vida dos profissionais que trabalham num serviço de urgência e consequentemente, a qualidade dos cuidados. |
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