Publicação
Materiais Plio - Quaternários no Alto Minho: produtos de meteorização e depósitos fluviais na bacia do rio Lima e região de Alvarães
| Resumo: | Esta tese estuda os depósitos fluviais na bacia do rio Lima, a jusante de Ponte da Barca, e os depósitos de Alvarães, situados a sul dos anteriores e na margem direita do rio Neiva. Relativamente aos depósitos, além da descrição são apresentados os resultados e interpretações do seu estudo analítico desenvolvido sobre as características texturais dos sedimentos, morfometria e espectro litológico da fracção grosseira, associações minerais presentes na fracção densa e na fracção <µm e exoscopia de grãos de quartzo. As observações de campo e respectiva interpretação geomorfológica permitiram o traçado dos paleotalvegues e nos depósitos de Alvarães o reconhecimento das litofácies e respectivo modelo fluvial. Inclui-se a apresentação de uma proposta de cronologia relativa dos depósitos, bem como entre estes e as formações superficiais existentes nas vertentes. Por este motivo, parte do trabalho, é dedicado ao estudo da meteorização de rochas, de modo a obter uma visão geral dos processos e produtos gerados. O estudo da meteorização é aplicado às litologias mais abundantes na região, rochas graníticas e micaxistos pertencendo à faixa de metassedimenlos silúricos, e inclui para os vários estádios de alteração observados as modificações da textura, densidade, comportamento dos principais constituintes minerais primários, assim como as associações minerais presentes na dimensão argila. Além da apreciação do comportamento geral destas litologias face às condições climáticas e geomorfológicas onde estão inseridas, foram ainda estudadas as modificações geoquímicas nos materiais graníticos alterados. Com este objectivo foram interpretadas as variações relativas dos óxidos, segundo os cálculos isoaluminio e isovolumétrico e aplicados índices e diagramas de meteorização, nomeadamente o índice de meteorização potencial (WPI), índice potencial (PI), índice de Parker, diagramas de Chesworth e diagrama de Kronberg-Nesbitt. Foram identificados quatro terraços fluviais gerados durante o Pliocénico final ao Plistocénico Superior. A composição dos sedimentos dos depósitos fluviais e os aspectos exoscópicos observados em grãos de quartzo indicam que estes se formaram em duas situações climáticas distintas. Os depósitos fluviais mais antigos são os de Alvarães, correlativos do depósito de terraço marinho de S. Félix (Póvoa de Varzim), formado durante a transgressão marinha no Plio-Plistocénico. Os depósitos de Alvarães resultaram do desmantelamento, no intervalo Pliocénico Superior-Plistocénico inferior, da cobertura superficial desenvolvida em condições climáticas que favoreceram a meteorização química das rochas, idênticas às das regiões com clima tropical semi húmido. Esta interpretação é baseada no predomínio em clastos de quartzo, minerais densos resistentes e na composição da dimensão argila, onde abunda a caulinite associada a ilite e goethite. A acumulação destes materiais ocorreu na dependência dum paleorio Homem-Neiva. As direcções de paleocorrentes indicam que a drenagem seguia um percurso encaixado no relevo, condicionado por fracturas de orientação NW-SE, NE-SW e N-S. localizando-se a saída desta bacia na região de Anha. O sistema aluvial evoluiu dum regime misto, do tipo fluvio-lacustre, para um sistema fluvial entrançado em areia, fossilizando localmente alterites alóctones de composição mineral semelhante à dos depósitos fluviais. A caulinização presente nestas alterites pode ter sido desenvolvida no decurso do Pliocénico Médio e/ou durante o Pliocénico Superior. A composição dos depósitos de terraços fluviais do Plistocénico Médio é muito semelhante à dos depósitos anteriores. Eles foram alimentados pelos materiais exumados quer dos terraços mais antigos quer do soco alterado; além disso, são afectados por alterações pedogénicas, que suportam a ideia de que o clima se manteve igualmente favorável à meteorização química. Deste grupo fazem parte a maioria dos depósitos do rio Lima e afluentes na área estudada. É durante o Plistocénico Superior que se desenvolveram as condições temperadas, que permitiram a hidrólise progressiva característica da arenização recente. Os depósitos de terraço do Plistocénico Superior possuem elevado conteúdo em clastos grosseiros de litologia alterável e uma composição diversificada na dimensão argila (vermiculile e interestratificados 10-14v, gibsite e filossilicatos 1:1 de baixa cristalinidade). Estes depósitos formaram-se antes do máximo glaciar nas Serras da Penada e do Gerês, embora contenham sedimentos afectados pela morfogénese periglaciar. |
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| Autores principais: | Alves, M. I. Caetano |
| Assunto: | Ciências Naturais::Ciências da Terra e do Ambiente |
| Ano: | 1995 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Esta tese estuda os depósitos fluviais na bacia do rio Lima, a jusante de Ponte da Barca, e os depósitos de Alvarães, situados a sul dos anteriores e na margem direita do rio Neiva. Relativamente aos depósitos, além da descrição são apresentados os resultados e interpretações do seu estudo analítico desenvolvido sobre as características texturais dos sedimentos, morfometria e espectro litológico da fracção grosseira, associações minerais presentes na fracção densa e na fracção <µm e exoscopia de grãos de quartzo. As observações de campo e respectiva interpretação geomorfológica permitiram o traçado dos paleotalvegues e nos depósitos de Alvarães o reconhecimento das litofácies e respectivo modelo fluvial. Inclui-se a apresentação de uma proposta de cronologia relativa dos depósitos, bem como entre estes e as formações superficiais existentes nas vertentes. Por este motivo, parte do trabalho, é dedicado ao estudo da meteorização de rochas, de modo a obter uma visão geral dos processos e produtos gerados. O estudo da meteorização é aplicado às litologias mais abundantes na região, rochas graníticas e micaxistos pertencendo à faixa de metassedimenlos silúricos, e inclui para os vários estádios de alteração observados as modificações da textura, densidade, comportamento dos principais constituintes minerais primários, assim como as associações minerais presentes na dimensão argila. Além da apreciação do comportamento geral destas litologias face às condições climáticas e geomorfológicas onde estão inseridas, foram ainda estudadas as modificações geoquímicas nos materiais graníticos alterados. Com este objectivo foram interpretadas as variações relativas dos óxidos, segundo os cálculos isoaluminio e isovolumétrico e aplicados índices e diagramas de meteorização, nomeadamente o índice de meteorização potencial (WPI), índice potencial (PI), índice de Parker, diagramas de Chesworth e diagrama de Kronberg-Nesbitt. Foram identificados quatro terraços fluviais gerados durante o Pliocénico final ao Plistocénico Superior. A composição dos sedimentos dos depósitos fluviais e os aspectos exoscópicos observados em grãos de quartzo indicam que estes se formaram em duas situações climáticas distintas. Os depósitos fluviais mais antigos são os de Alvarães, correlativos do depósito de terraço marinho de S. Félix (Póvoa de Varzim), formado durante a transgressão marinha no Plio-Plistocénico. Os depósitos de Alvarães resultaram do desmantelamento, no intervalo Pliocénico Superior-Plistocénico inferior, da cobertura superficial desenvolvida em condições climáticas que favoreceram a meteorização química das rochas, idênticas às das regiões com clima tropical semi húmido. Esta interpretação é baseada no predomínio em clastos de quartzo, minerais densos resistentes e na composição da dimensão argila, onde abunda a caulinite associada a ilite e goethite. A acumulação destes materiais ocorreu na dependência dum paleorio Homem-Neiva. As direcções de paleocorrentes indicam que a drenagem seguia um percurso encaixado no relevo, condicionado por fracturas de orientação NW-SE, NE-SW e N-S. localizando-se a saída desta bacia na região de Anha. O sistema aluvial evoluiu dum regime misto, do tipo fluvio-lacustre, para um sistema fluvial entrançado em areia, fossilizando localmente alterites alóctones de composição mineral semelhante à dos depósitos fluviais. A caulinização presente nestas alterites pode ter sido desenvolvida no decurso do Pliocénico Médio e/ou durante o Pliocénico Superior. A composição dos depósitos de terraços fluviais do Plistocénico Médio é muito semelhante à dos depósitos anteriores. Eles foram alimentados pelos materiais exumados quer dos terraços mais antigos quer do soco alterado; além disso, são afectados por alterações pedogénicas, que suportam a ideia de que o clima se manteve igualmente favorável à meteorização química. Deste grupo fazem parte a maioria dos depósitos do rio Lima e afluentes na área estudada. É durante o Plistocénico Superior que se desenvolveram as condições temperadas, que permitiram a hidrólise progressiva característica da arenização recente. Os depósitos de terraço do Plistocénico Superior possuem elevado conteúdo em clastos grosseiros de litologia alterável e uma composição diversificada na dimensão argila (vermiculile e interestratificados 10-14v, gibsite e filossilicatos 1:1 de baixa cristalinidade). Estes depósitos formaram-se antes do máximo glaciar nas Serras da Penada e do Gerês, embora contenham sedimentos afectados pela morfogénese periglaciar. |
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