Publicação
Estudo geoambiental de resíduos de mineração de ouro em contexto de economia circular (Minas Gerais e Goiás, Brasil)
| Resumo: | Desde meados do século XIX, minérios de ouro, hospedados principalmente em sulfetos, são processados em plantas metalúrgicas localizadas em Minas Gerais e Goiás, Brasil. Os rejeitos gerados foram acumulados ao longo dos anos em barragens de rejeitos ou em pilhas. Esses materiais representam rejeitos de circuitos antigos, bem como de plantas ainda em produção. Os resultados obtidos foram divididos em cinco fases principais: (i) descrição dos resultados da amostragem e monitorização da fase sólida e liquida; (ii) análise analítica e laboratorial com avaliação geoquímica e mineralógica; (iii) modelagem 3D para dimensionamento da quantidade e distribuição dos principais elementos das estruturas, realizada utilizando krigagem ordinária com variogramas unidimensionais para rejeito sólidos e inverso do quadrado da distância para a fase liquida quando aplicável; (iv) realização de ensaios metalúrgicos para avaliação da valorização dos resíduos para potencial de recuperação de Au, Sb, As e minerais gangas; e (v) um estudo de caso visando demonstrar possíveis receitas e viabilidade econômica do tratamento dos resíduos em questão para o deposito de Cocoruto, localizado na cidade de Nova Lima, Brasil. A caracterização realizada detectou resíduos de granulometria muito fina contendo sulfetos e óxidos. Os resíduos apresentam altos graus de concentração de Au hospedados em diferentes minerais, além de S, Fe, Zn, Pb, Sb, Si e As. Os resultados indicaram a ocorrência de zonas de enriquecimento de Au e permitiram revelar os depósitos de rejeitos mais atraentes em termos de teor de Au. Testes metalúrgicos mostraram recuperação de 70% de Au e sugeriram outros potenciais de reaproveitamento dos resíduos, como agregados para o setor de construção civil e recuperação de outros metais. Por fim, considerando o potencial econômico de Au presente em uma estrutura de rejeitos de mina inativa, para todos os valores de onça e uma produção anual de 400 toneladas, todos os cenários se mostram rentáveis, embora outros riscos e cenários devam ser avaliados mais detalhadamente. Outros ensaios metalúrgicos indicaram que elementos tóxicos como Sb e As poderiam ser efetivamente reutilizados na forma de vidro. A geração de outros produtos a partir de técnicas de limpeza a seco não foi eficaz, mas ainda assim foi promissora, uma vez que houve enriquecimento de elementos com Au, Fe, Al e K em frações específicas. |
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| Autores principais: | Lemos, Mariana Gazire |
| Assunto: | Economia circular Rejeitos de mineração Recuperação de Au Reuso e reprocessamento Circular economy Mining tailings Au recovery Reuse and reprocessing |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Desde meados do século XIX, minérios de ouro, hospedados principalmente em sulfetos, são processados em plantas metalúrgicas localizadas em Minas Gerais e Goiás, Brasil. Os rejeitos gerados foram acumulados ao longo dos anos em barragens de rejeitos ou em pilhas. Esses materiais representam rejeitos de circuitos antigos, bem como de plantas ainda em produção. Os resultados obtidos foram divididos em cinco fases principais: (i) descrição dos resultados da amostragem e monitorização da fase sólida e liquida; (ii) análise analítica e laboratorial com avaliação geoquímica e mineralógica; (iii) modelagem 3D para dimensionamento da quantidade e distribuição dos principais elementos das estruturas, realizada utilizando krigagem ordinária com variogramas unidimensionais para rejeito sólidos e inverso do quadrado da distância para a fase liquida quando aplicável; (iv) realização de ensaios metalúrgicos para avaliação da valorização dos resíduos para potencial de recuperação de Au, Sb, As e minerais gangas; e (v) um estudo de caso visando demonstrar possíveis receitas e viabilidade econômica do tratamento dos resíduos em questão para o deposito de Cocoruto, localizado na cidade de Nova Lima, Brasil. A caracterização realizada detectou resíduos de granulometria muito fina contendo sulfetos e óxidos. Os resíduos apresentam altos graus de concentração de Au hospedados em diferentes minerais, além de S, Fe, Zn, Pb, Sb, Si e As. Os resultados indicaram a ocorrência de zonas de enriquecimento de Au e permitiram revelar os depósitos de rejeitos mais atraentes em termos de teor de Au. Testes metalúrgicos mostraram recuperação de 70% de Au e sugeriram outros potenciais de reaproveitamento dos resíduos, como agregados para o setor de construção civil e recuperação de outros metais. Por fim, considerando o potencial econômico de Au presente em uma estrutura de rejeitos de mina inativa, para todos os valores de onça e uma produção anual de 400 toneladas, todos os cenários se mostram rentáveis, embora outros riscos e cenários devam ser avaliados mais detalhadamente. Outros ensaios metalúrgicos indicaram que elementos tóxicos como Sb e As poderiam ser efetivamente reutilizados na forma de vidro. A geração de outros produtos a partir de técnicas de limpeza a seco não foi eficaz, mas ainda assim foi promissora, uma vez que houve enriquecimento de elementos com Au, Fe, Al e K em frações específicas. |
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